Projeção é do Ipea, que vê 2007 favorável ao mercado de trabalho

A massa de rendimentos no País deverá crescer pelo quarto ano consecutivo este ano e acumular uma expansão acima dos 20% entre 2004 e 2007. A projeção é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao ministério do planejamento. Em 2003, ano seguinte à crise de expectativas no período eleitoral, houve queda de 9,2%. Para este ano, o instituto estima um avanço de pelo menos 5% na massa salarial.O crescimento da massa de renda, na prática, empurra para cima o consumo das famílias, principalmente de produtos de segmentos que dependem de menos do crédito para vender. Este é o caso dos chamados bens semi e não-duráveis, como alimentação, remédios e vestuário, entre outros. Em outros segmentos como os de bens duráveis, que incluem eletrodomésticos e automóveis, o crédito tem papel mais relevante para estimular as compras.

A massa salarial leva em conta o valor médio do rendimento do trabalhador e o pessoal ocupado. Ela aumenta quando a renda do trabalho sobe e quando cresce o número de trabalhadores. Nos últimos três anos, o avanço do rendimento real (excluída a inflação) foi mais importante do que o crescimento do pessoal, diz o economista do Ipea Marcelo Ávila.

As estimativas do Ipea foram feitas com base na evolução da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que abrange as seis principais regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte e Salvador). Segundo Ávila, a pesquisa é mensal e permite acompanhar a evolução da conjuntura do trabalho. Já a Pesquisa Anual por Amostra de domicílios (PNAD) inclui dados das regiões não-metropolitanas.

“Este ano haverá crescimento na renda e na ocupação. Será um ano favorável ao mercado de trabalho”, diz Ávila. O economista avalia que o valor médio do rendimento do trabalho deverá, ainda no primeiro semestre, superar o valor em dezembro de 2002 (R$ 1.087,89), antes do início do primeiro mandato do governo Lula. Ainda assim, o montante ficará um pouco abaixo do maior valor recente, que foi em julho do mesmo ano (R$ 1.168,28).

Segundo Ávila, embora a massa salarial venha crescendo, porque também leva em conta o pessoal ocupado, o valor específico do rendimento ainda não conseguiu superar o nível de meados de 2002. “O rendimento também está crescendo, mas não conseguiu neutralizar a queda intensa que ocorreu anteriormente.”

Nilson Brandão Junior

O Estado de S. Paulo

16/3/2007