Ainda falta definir o nome para a pasta do Desenvolvimento Agrário. O PSB quer mais espaço, acha que a base aliada ficará desequilibrada O presidente Luiz Inácio Lula da Silva bem que tentou, mas não conseguiu concluir nesta semana a reforma ministerial. Hoje pela manhã, ele dá posse aos novos ministros da Justiça, Tarso Genro (PT); da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB); e da Saúde, José Gomes Temporão (PMDB). Os demais nomes do novo ministério serão definidos até a próxima quinta-feira. A escolha de Tarso Genro para a Justiça já estava definida há mais de um mês. Médico sanitarista, Temporão também foi escolhido por Lula para o Ministério da Saúde há várias semanas. O presidente tentou tornar Temporão um dos representantes da cota da bancada do PMDB na Câmara, mas não obteve êxito.

Os deputados do PMDB informaram a Lula que não se sentiam representados por Temporão. Dessa forma, a indicação do médico foi debitada na cota pessoal de Lula e com o aval do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). No arranjo da reforma ministerial feito pelo governo, coube à bancada do PMDB na Câmara os ministérios da Integração Nacional e da Agricultura. Para o PMDB do Senado, foram mantidos os ministérios das Comunicações e de Minas e Energia.

Ontem, ao abrir reunião com educadores no Palácio do Planalto, o presidente explicou a insistência nas escolhas de Temporão para a Saúde e de Fernando Haddad para o Ministério da Educação. “Existem duas coisas que são fundamentais no Brasil hoje, que é a educação de qualidade e saúde, porque a gente não pode brincar nem partidarizar. A gente monta um governo com gente que tem competência e capacidade de montar um bom governo. Na saúde, se você brincar é morte. Na educação, se você brincar é analfabeto. Essas coisas são sérias e todos estão convencidos que precisamos ter ensino de qualidade”, afirmou Lula.

Negociação

No início da semana, Lula nomeou o novo advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, e definiu a cota do PMDB no governo. Falta concluir a negociação com o PT. O presidente já decidiu chamar a ex-prefeita Marta Suplicy para o Turismo, mas ainda não escolheu o ministro do Desenvolvimento Agrário. Ele recebeu uma lista com três nomes da direção do PT: os deputados Walter Pinheiro (BA) e Pedro Eugênio (PE) e o dirigente petista Joaquim Soriano.

Lula terá de resolver a insatisfação do PSB. O líder do partido no Senado, Renato Casagrande (ES), não escondeu o descontentamento ao sair da reunião do Conselho Político. “O presidente não pode provocar um desequilíbrio na base. O PMDB e o PT têm uma participação muito grande. Pelo compromisso e lealdade do PSB, cabem dois ministérios”, afirmou Casagrande. O PSB perdeu o Ministério da Integração Nacional e, por enquanto, tem apenas a pasta da Ciência e Tecnologia. Há uma promessa da criação de uma Secretaria dos Portos, com status de ministério. O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) seria indicado para o cargo. “O presidente disse que vai se reunir conosco. Então, acho que o partido será contemplado”, disse.

 

Sandro Lima e Gustavo Krieger

 

Da equipe do Correio