Brasília, 26 de março de 2026 – Em meio à crescente pressão por valorização salarial das carreiras policiais federais, o presidente Lula sinalizou, em conversa reservada com o diretor-geral da Polícia Federal, que não negociará nem dará andamento ao projeto de lei do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC) enquanto houver entidades em estado de estagnação ou mobilização para greve. A informação, confirmada por interlocutores próximos ao Planalto e à cúpula da PF, coloca as categorias entre a cruz e a espada: avançar com paralisações pode travar o processo, mas a inação arrisca a inércia governamental.
Fontes ligadas ao SinpecPF relatam que Lula reconheceu a “situação das carreiras da PF, PRF e Polícia Penal Federal”, mas vinculou qualquer progresso à normalização das negociações. “Não há espaço para tramitação com categorias paralisadas”, teria dito o presidente, segundo aliados do diretor-geral, em meio a discussões sobre o aniversário de 82 anos da PF, marcado para 30 de março. A solenidade é vista como palco para possíveis anúncios, mas sem garantias concretas.
O FUNCOC, permite a criação gratificações como GEI (20% do subsídio ou remuneração), GVP (10% do subsídio ou remuneração) e IREDG (até 25%) para servidores ativos e aposentados, ganhou tração após demandas históricas por reestruturação. No entanto, o SINPECPF, representando a carreira administrativa da PF (PECPF), abriu em 24 de março o Edital 01/2026 para votação: aprovar ou recusar apoio à mobilização nacional. A baixa adesão e a descrença, citando riscos como exclusão do PECPF na cumulação de benefícios (devido à Lei 10.682) e a terminologia na justificativa que privilegia “carreiras policiais”, culminou no resultado divulgado pelo sindicato. Apesar do apoio às mobilizações em tese, reforçou a cautela da base.
Na visão do SinpecPF, a sinalização de greve surtiu efeito inicial, mas o prazo apertado complica o cenário: medidas provisórias sobre remuneração em ano eleitoral expiram em 6 de abril. “Uma paralisação de uma semana pode ser inócua”, pondera um assessor do vice-presidente Luiz Henrique, destacando que Lula prioriza estabilidade para evitar desgaste em ano eleitoral. Já na PF, aliados do DG veem na data de 30/03 a “janela decisiva”: sem movimento concreto, categorias preparam escalada para greve generalizada.
A tensão reflete o histórico de negociações frustradas. Diversos projetos, nascidos de pautas de valorização aos servidores da PF – e em especial ao PECPF, como reestruturação salarial de 2023, Lei Orgânica e tantas outras – enfrentaram críticas por brechas jurídicas ou falta de apoio político. Tal como agora, a não alteração expressa da Lei 10.682, que veda cumulação para o PECPF, torna a categoria descrente de que estamos novamente entre a cruz e a espada.
“Estamos na mira do governo, mas sem avanços, a base não aguenta mais”, resume um sindicalista ouvido nos bastidores. Mesmo o Planalto avaliando o FUNCOC como peça-chave contra o crime organizado, a valorização das categorias se torna alicerce por meio de um movimento subordinado à pacificação das entidades. Resta saber se 30 de março trará alento ou mais impasse nos corredores do poder.
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS