{"id":9964,"date":"2007-09-12T08:50:13","date_gmt":"2007-09-12T11:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/pai-da-crianca-novo-diretor-da-pf-liderou-equipe-que-criou-o-guardiao\/"},"modified":"2007-09-12T08:50:13","modified_gmt":"2007-09-12T11:50:13","slug":"pai-da-crianca-novo-diretor-da-pf-liderou-equipe-que-criou-o-guardiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/pai-da-crianca-novo-diretor-da-pf-liderou-equipe-que-criou-o-guardiao\/","title":{"rendered":"Pai da crian\u00e7a: Novo diretor da PF liderou equipe que criou o Guardi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O novo diretor da Pol\u00edcia Federal, Luiz Fernando Corr\u00eaa, foi o respons\u00e1vel pelo desenvolvimento do Guardi\u00e3o, sistema de monitoramento telef\u00f4nico utilizado pela PF e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico em investiga\u00e7\u00f5es. Desenvolvido por um grupo de policiais federais, o sistema agora \u00e9 vendido para a pr\u00f3pria PF por uma empresa privada, a D\u00edgitro, de Santa Catarina.<\/p>\n<p>Quem revela a paternidade do sistema \u00e9 o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, no <a href=\"http:\/\/www.mj.gov.br\/noticias\/2003\/novembro\/RLS121103-posse.htm\">perfil<\/a> de Corr\u00eaa, divulgado quando ele assumiu a Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em novembro de 2003. \u201cEle liderou a equipe de federais que desenvolveu o sistema de gerenciamento de monitoramento policial, denominado Sistema Guardi\u00e3o\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/idade\/podcasts\/mainardi\">podcast<\/a> de Diogo Mainardi, colunista da revista <em>Veja<\/em>, comenta-se na PF que Corr\u00eaa receberia royalties pelo desenvolvimento do sistema. \u201cEu gostaria que me esclarecessem, como se sussurra malignamente na PF, se Corr\u00eaa tem direito a uma fatia dos lucros da D\u00edgitro por ter participado do desenvolvimento do Guardi\u00e3o. Sim? N\u00e3o? Mais ou menos?\u201d, questiona o colunista.<\/p>\n<p>O mercado de intercepta\u00e7\u00f5es \u00e9 vigoroso. Segundo fontes da Pol\u00edcia Federal, o monitoramento de dez telefones custa R$ 10 mil por m\u00eas. O custo da implanta\u00e7\u00e3o do sistema tamb\u00e9m \u00e9 alto: varia de R$ 500 mil a R$ 1 milh\u00e3o. S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo, estima-se que a capacidade de monitoramento instalada pela PF seja de 9 mil linhas de telefone. Especula-se que o faturamento anual da D\u00edgitro gire em torno de R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Um agente federal que est\u00e1 h\u00e1 mais de 25 anos na corpora\u00e7\u00e3o, relata que na PF h\u00e1 disputas sobre qual sistema deve ser adotado nas investiga\u00e7\u00f5es. \u201cO delegado Get\u00falio Bezerra est\u00e1 tentando impor o equipamento Bedin (anterior ao Guardi\u00e3o) e o delegado Luiz Fernando Corr\u00eaa impondo o Guardi\u00e3o da D\u00edgitro.\u201d Essa disputa estaria fazendo com que a dire\u00e7\u00e3o da PF buscasse uma terceira alternativa: um sistema de escuta produzido em Israel.<\/p>\n<p>Corr\u00eaa \u00e9 um dos principais agentes de intelig\u00eancia da corpora\u00e7\u00e3o. Em maio do ano passado, por exemplo, viajou a Bruxelas, na B\u00e9lgica, e a Tel Aviv, em Israel, para conhecer as instala\u00e7\u00f5es da central de intelig\u00eancia das pol\u00edcias belga e israelense.<\/p>\n<p><strong>Funcionamento do Guardi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Guardi\u00e3o \u00e9 um sistema de <em>software<\/em> e <em>hardware<\/em> fabricado exclusivamente pela D\u00edgitro. \u00c9 capaz de gravar simultaneamente centenas de liga\u00e7\u00f5es. Segundo a empresa, o sistema \u00e9 desenvolvido de acordo com as necessidades do cliente e o pre\u00e7o varia. Por isso n\u00e3o podem dizer quanto custa um Guardi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por motivos de seguran\u00e7a e impedimentos contratuais, a D\u00edgitro n\u00e3o informa quantos aparelhos do Guardi\u00e3o existem em opera\u00e7\u00e3o no Brasil. Al\u00e9m da Pol\u00edcia Federal e da Civil, sabe-se que a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica tamb\u00e9m tem seu Guardi\u00e3o.<\/p>\n<p>O ex-procurador-geral da Rep\u00fablica Cl\u00e1udio Fontelles admitiu em junho que comprou o sistema. Em Mato Grosso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico j\u00e1 usou o Guardi\u00e3o em pelo menos duas opera\u00e7\u00f5es este ano. O estado de Alagoas tamb\u00e9m anunciou a compra do seu aparelho de grampo.<\/p>\n<p><strong>Troca de guarda<\/strong><\/p>\n<p>A sa\u00edda de Paulo Lacerda do comanda da Pol\u00edcia Federal encerra uma era da corpora\u00e7\u00e3o marcada por grandes opera\u00e7\u00f5es com foco na corrup\u00e7\u00e3o e em quadrilhas do crime organizado. Em 393 opera\u00e7\u00f5es realizadas de janeiro de 2003 a julho de 2007, a PF levou para a cadeia 6.256 pessoas, das quais 980 eram servidores p\u00fablicos e 77 policiais federais. A grande maioria, por\u00e9m, n\u00e3o ficou na cadeia.<\/p>\n<p>Corr\u00eaa, que substituiu Lacerda no posto, decidiu trocar todo o alto comando da PF, a come\u00e7ar pelo titular da Diretoria de Intelig\u00eancia Policial (DIP), Renato da Porci\u00fancula, substitu\u00eddo pelo delegado Daniel Lorenz, superintendente da PF em Mato Grosso e respons\u00e1vel pela Opera\u00e7\u00e3o Sanguessuga. O diretor-executivo, Zulmar Pimentel, segundo da hierarquia da PF, deu lugar ao delegado Romero Menezes, superintendente em Pernambuco.<\/p>\n<p>Entre a saida de um e a entrada de outro, um fato chamou a aten\u00e7\u00e3o: agentes federais, segundo reportagem do jonal <em>O Estado de S. Paulo<\/em>, foram vistos levando para casa pastas com informac\u00f5es e dados de investiga\u00e7\u00f5es. Recentemente tamb\u00e9m foram presos agentes federais que tentavam extorquir empres\u00e1rios com base em informa\u00e7\u00f5es sigilosas colhidas pela PF. AS duas informa\u00e7\u00f5es talvez n\u00e3o tenham rela\u00e7\u00e3o entre si. Mas o fato concreto \u00e9 que o com\u00e9rcio de informa\u00e7\u00f5es colhidas em intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas legais ou ilegais est\u00e3o com a cota\u00e7\u00e3o em alta no mercado.<\/p>\n<p>por Daniel Roncaglia<\/p>\n<p>Revista <strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, 11 de setembro de 2007 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}