{"id":9921,"date":"2007-08-21T10:38:02","date_gmt":"2007-08-21T13:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/receita-aperta-fiscalizacao-sobre-as-pessoas-fisicas\/"},"modified":"2007-08-21T10:38:02","modified_gmt":"2007-08-21T13:38:02","slug":"receita-aperta-fiscalizacao-sobre-as-pessoas-fisicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/receita-aperta-fiscalizacao-sobre-as-pessoas-fisicas\/","title":{"rendered":"Receita aperta fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre as pessoas f\u00edsicas"},"content":{"rendered":"<p><em>Dobra n\u00ba de contribuintes autuados na malha fina; valor de notifica\u00e7\u00f5es sobe 317% <\/p>\n<p>  <\/em> <\/p>\n<p><em>Devassa prev\u00ea cruzamento de gastos no cart\u00e3o com as declara\u00e7\u00f5es; meta \u00e9 fechar ano com 300 mil autuados, contra 209 mil em 2006 <\/em><\/p>\n<p>A Receita Federal apertou a fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre as declara\u00e7\u00f5es de renda das pessoas f\u00edsicas, fazendo dobrar o n\u00famero de contribuintes autuados na malha fina neste ano. De janeiro a julho, 208.471 pessoas que tiveram as declara\u00e7\u00f5es retidas foram notificadas a pagar R$ 1,339 bilh\u00e3o ao fisco. O valor (imposto devido, multa e juros) \u00e9 317% superior ao registrado no mesmo per\u00edodo de 2006. <\/p>\n<p>A devassa na vida dos contribuintes prev\u00ea o cruzamento da declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual do Imposto de Renda com outros dados, como registros das operadoras de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, rendimentos de aluguel fornecidos por imobili\u00e1rias e relat\u00f3rios da CPMF repassados pelos bancos. E n\u00e3o fica restrita a 2007. Os fiscais est\u00e3o checando as informa\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>&#8220;Fizemos uma revis\u00e3o na metodologia da malha fina. Antes o tratamento era mais burocr\u00e1tico, e agora est\u00e1 mais simples. Estamos usando todos os par\u00e2metros de malha para uma mesma pessoa f\u00edsica. Isso \u00e9 feito em mais de um exerc\u00edcio. Pega a vida do contribuinte nos \u00faltimos dois a tr\u00eas anos&#8221;, afirmou o coordenador-geral de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Receita, Marcelo Fisch. <\/p>\n<p>As irregularidades mais freq\u00fcentes s\u00e3o omiss\u00e3o de renda, apresenta\u00e7\u00e3o de despesas m\u00e9dicas indevidas e diverg\u00eancias nas informa\u00e7\u00f5es sobre renda de aluguel. <\/p>\n<p>Na fiscaliza\u00e7\u00e3o das pessoas f\u00edsicas, o alvo preferencial neste ano t\u00eam sido os donos e dirigentes de empresas. J\u00e1 foram autuados 1.230 pessoas em valores superiores a R$ 2 bilh\u00f5es. No ano passado, as notifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegaram a R$ 325 milh\u00f5es, atingindo 833 donos de empresas e executivos. <\/p>\n<p><strong>300 mil autuados<\/strong><\/p>\n<p>A previs\u00e3o da Receita \u00e9 fechar 2007 com a autua\u00e7\u00e3o de mais de 300 mil contribuintes. Em 2006, foram 209 mil notifica\u00e7\u00f5es a partir da malha fina. Os cr\u00e9ditos gerados no ano passado somaram R$ 720 milh\u00f5es -quase metade do valor verificado s\u00f3 nos sete primeiros meses deste ano. &#8220;O le\u00e3o est\u00e1 mais atento, e n\u00e3o mais guloso&#8221;, disse o secret\u00e1rio-adjunto da Receita Paulo Ricardo de Souza. <\/p>\n<p>No total, a fiscaliza\u00e7\u00e3o da Receita Federal autuou 233.282 empresas e pessoas f\u00edsicas de janeiro a julho deste ano. Entre impostos devidos, multas e juros, ter\u00e3o de ser pagos R$ 39,996 bilh\u00f5es ao fisco. Na compara\u00e7\u00e3o com janeiro-julho de 2006, houve um crescimento de 66% no montante devido pelos sonegadores. O n\u00famero de autuados no ano passado foi menor: 122.543 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas. <\/p>\n<p>No acumulado do ano, os brasileiros j\u00e1 pagaram R$ 282,433 bilh\u00f5es em impostos e contribui\u00e7\u00f5es federais. A arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 recorde para o per\u00edodo janeiro-julho e representa um aumento, acima da infla\u00e7\u00e3o, de 10% em rela\u00e7\u00e3o aos sete primeiros meses de 2006. <\/p>\n<p><strong>Recurso<\/strong><\/p>\n<p>Embora os n\u00fameros sejam expressivos, a Receita tem dificuldades para cobrar os cr\u00e9ditos gerados na autua\u00e7\u00f5es. Dos quase R$ 40 bilh\u00f5es apurados neste ano, apenas 3% foram efetivamente pagos. Outros 18% foram parcelados e 11% est\u00e3o em fase de cobran\u00e7a administrativa. J\u00e1 foram encaminhados 5% para inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa. O restante dos cr\u00e9ditos foi parar na Justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Entre as pessoas jur\u00eddicas, a ind\u00fastria foi o setor campe\u00e3o nas autua\u00e7\u00f5es: R$ 11,130 bilh\u00f5es, referentes a 2.908 empresas. Os subsetores que mais apresentaram problemas foram metal-mec\u00e2nica, autope\u00e7as, alimentos (incluindo bebidas e at\u00e9 cigarros) e t\u00eaxteis. No ano passado, a ind\u00fastria j\u00e1 havia se destacado por causa do elevado valor das autua\u00e7\u00f5es, de R$ 5,099 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p>Segundo Souza, as principais irregularidades detectadas s\u00e3o pagamento indevido de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e compensa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias feitas pelas empresas de forma irregular. <\/p>\n<p>No ranking da Receita dos maiores sonegadores, o setor financeiro -bancos, seguradoras, cooperativas de cr\u00e9dito, entidades de previd\u00eancia privada, corretoras de t\u00edtulos e valores- aparece em segundo lugar. Neste ano, em impostos, multa e juros, essas institui\u00e7\u00f5es devem R$ 9,447 bilh\u00f5es ao fisco. O valor \u00e9 229% superior ao de janeiro a julho de 2006. <\/p>\n<p><strong>Consultores recomendam retificar erros <\/strong>Os contribuintes que suspeitam terem ca\u00eddo na malha fina da Receita Federal devem se antecipar ao fisco e apresentar uma declara\u00e7\u00e3o retificadora caso constatem pend\u00eancias em sua declara\u00e7\u00e3o, dizem consultores. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 mais para brincar com a Receita. Est\u00e1 sendo muito simples para o le\u00e3o cruzar todas as informa\u00e7\u00f5es. Fa\u00e7a espontaneamente a sua declara\u00e7\u00e3o retificadora, sem custo algum&#8221;, afirma o consultor financeiro Reinaldo Domingos, da Confirp Consultoria. &#8220;Se houver imposto a pagar na retificadora, parcele&#8221;, acrescenta. <\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel verificar pend\u00eancias acessando o site <a href=\"http:\/\/www.receita.fazenda.gov.br\/\">www.receita.fazenda.gov.br<\/a> e buscando seu extrato simplificado de declara\u00e7\u00e3o. Para isso, precisar\u00e1 do n\u00famero do recibo da entrega da declara\u00e7\u00e3o. &#8220;O contribuinte tamb\u00e9m pode checar seus documentos, fazer uma revis\u00e3o t\u00e9cnica do que declarou, olhar recibos m\u00e9dicos, a declara\u00e7\u00e3o da fonte pagadora&#8221;, afirma Domingos. <\/p>\n<p>Ao se antecipar e retificar a declara\u00e7\u00e3o, o contribuinte est\u00e1 livre de pagamento de multas se realmente houver um problema de renda n\u00e3o declarada em sua declara\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s ser intimado pela Receita, fica bloqueada a possibilidade de fazer uma retificadora e ainda tem a multa&#8221;, diz o presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tribut\u00e1rio), Gilberto do Amaral. <\/p>\n<p>Os dois especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes ao dizer que a efici\u00eancia da Receita Federal no cruzamento de dados n\u00e3o permite mais pequenos erros por parte do contribuinte. &#8220;\u00c0s vezes, \u00e9 um n\u00famero invertido. Ou um valor que tem uma pequena diferen\u00e7a. Basta isso para cair na malha fina&#8221;, cita Domingos. <\/p>\n<p>&#8220;A Receita tem se equipado e melhorado muito o resultado da fiscaliza\u00e7\u00e3o, sem contar que esses cruzamentos est\u00e3o cada vez mais velozes&#8221;, diz Amaral. E acrescenta que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tamb\u00e9m tem se especializado cada vez mais, evitando manobras protelat\u00f3rias por parte de empresas e contribuintes que procuram o Judici\u00e1rio para escapar das autua\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Domingos ainda recomenda que as pessoas f\u00edsicas se organizem ao longo do ano para evitar a correria de \u00faltima hora na declara\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio seguinte. &#8220;As pessoas j\u00e1 podem ir montando uma pasta para 2008 para juntar recibos, comprovantes de recebimento de aluguel e outros documentos. Isso ajuda a evitar os erros.&#8221; <\/p>\n<p>Amaral avalia que os casos de autua\u00e7\u00f5es na malha fina envolvem n\u00e3o s\u00f3 contribuintes que erraram ao apresentar declara\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m casos de sonega\u00e7\u00e3o. &#8220;Existe o descuido, o erro, mas existe a sonega\u00e7\u00e3o. No caso de erro, \u00e9 f\u00e1cil sanar o problema. Quando \u00e9 sonega\u00e7\u00e3o, fica mais dif\u00edcil resolver o problema, mas \u00e9 importante de qualquer forma retificar a declara\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Amaral. <\/p>\n<p>Questionado se o aumento da carga tribut\u00e1ria n\u00e3o seria um incentivo para a sonega\u00e7\u00e3o, o secret\u00e1rio-adjunto da Receita Paulo Ricardo de Souza, limitou-se a responder: &#8220;Eu n\u00e3o diria que isso pode ocorrer. Diria que estamos ampliando a identifica\u00e7\u00e3o desses casos [de irregularidades]&#8221;. <\/p>\n<p><strong>JULIANNA SOFIA<\/strong>   <\/p>\n<p><strong>Folha de S. Paulo <\/strong><\/p>\n<p>21\/8\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}