{"id":9884,"date":"2007-08-08T09:24:41","date_gmt":"2007-08-08T12:24:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/pf-prende-traficante-foragido-da-colombia-em-sp\/"},"modified":"2007-08-08T09:24:41","modified_gmt":"2007-08-08T12:24:41","slug":"pf-prende-traficante-foragido-da-colombia-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/pf-prende-traficante-foragido-da-colombia-em-sp\/","title":{"rendered":"PF prende traficante foragido da Col\u00f4mbia em SP"},"content":{"rendered":"<p><em>Ram\u00edrez Abad\u00eda comandava 16 empresas de fachada no Brasil e \u00e9 um dos criminosos mais procurados pelos EUA <\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de investiga\u00e7\u00e3o, a Pol\u00edcia Federal prendeu ontem em S\u00e3o Paulo o colombiano Juan Carlos Ram\u00edrez Abad\u00eda, um dos traficantes mais procurados do mundo. Aos 44 anos, patrim\u00f4nio de US$1,8 bilh\u00e3o (R$3,4 bilh\u00f5es) e respons\u00e1vel pelo envio de mais de uma tonelada de coca\u00edna para os Estados Unidos nos \u00faltimos dez anos, Ram\u00edrez Abad\u00eda foi preso em sua casa, avaliada em R$2 milh\u00f5es, num condom\u00ednio de luxo onde morava h\u00e1 oito meses, em Barueri. O governo americano o ca\u00e7ava desde 2002, quando deixou a pris\u00e3o em Cali, Col\u00f4mbia. <\/p>\n<p>Ram\u00edrez Abad\u00eda foi indiciado no Brasil pelos crimes de lavagem de dinheiro e tr\u00e1fico de drogas. A mulher do traficante, que seria colombiana, tamb\u00e9m foi presa. A quadrilha do traficante, espalhada por v\u00e1rios pa\u00edses, \u00e9 acusada de ter envolvimento em pelo menos 315 homic\u00eddios. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do casal, a PF prendeu mais 12 integrantes da quadrilha &#8211; nove brasileiros e tr\u00eas colombianos. As pris\u00f5es foram efetuadas em Santa Catarina, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo. Est\u00e3o ocorrendo buscas no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Quatro traficantes est\u00e3o foragidos. Ram\u00edrez Abad\u00eda, s\u00f3cio do colombiano Diego Sanches, tamb\u00e9m procurado pelo governo dos Estados Unidos, j\u00e1 havia passado pelo sul do pa\u00eds antes de morar em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Desde que entrou para o narcotr\u00e1fico, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, quando come\u00e7ou a comandar o cartel colombiano do Norte Vale, Ram\u00edrez Abad\u00eda \u00e9 tido como o mais influente traficante em todo o mundo. No Brasil, comandava 16 empresas como fachada para lavar dinheiro, a maioria no ramo de venda de carros de luxo, importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 uma fazenda de piscicultura, todas em nome de laranjas. Na casa onde o traficante foi preso enquanto dormia, por volta das 6h, a pol\u00edcia encontrou o passaporte com o nome que ele usava ultimamente: Marcelo Javier Unzue. A mans\u00e3o tinha paredes falsas e passagens subterr\u00e2neas. <\/p>\n<p><strong>Disfarces e tr\u00eas cirurgias <\/strong><\/p>\n<p>Para despistar a pol\u00edcia, o traficante passou por tr\u00eas cirurgias pl\u00e1sticas. Tamb\u00e9m era expert em disfarces. Ontem, chegou \u00e0 PF usando bigode ralo e de fios brancos. A PF tem fotos em que ele aparece louro, moreno, careca, cabelos compridos, de \u00f3culos ou usando cavanhaque. <\/p>\n<p>A pol\u00edcia fechou o cerco a outras mans\u00f5es do traficante. No condom\u00ednio Porto do Frade, em Angra dos Reis, a PF apreendeu uma lancha Intermarine de 52 p\u00e9s, avaliada em R$3 milh\u00f5es. A pol\u00edcia descobriu uma fazenda em Minas Gerais onde o traficante criava gado. <\/p>\n<p>&#8211; O neg\u00f3cio dele era ficar longe da droga, com a vida de milion\u00e1rio, tocando as empresas com dinheiro do tr\u00e1fico &#8211; disse o delegado de Repress\u00e3o a Entorpecentes de S\u00e3o Paulo, Fernando Franceschini. <\/p>\n<p>No Brasil desde 2005, o traficante criou uma rede de neg\u00f3cios. \u00c0 dist\u00e2ncia, controlava o destino da droga e o fluxo de dinheiro. O esquema funcionava assim: a coca\u00edna refinada no cartel Norte Vale, Col\u00f4mbia, ia para pa\u00edses da Europa e Estados Unidos. O dinheiro seguia para empresas da quadrilha na Espanha e no M\u00e9xico. De l\u00e1, d\u00f3lares eram transferidos para o Uruguai, em contas oficiais no Banco da Rep\u00fablica e chegavam &#8220;limpos&#8221; no Brasil &#8211; por interm\u00e9dio das suas 16 empresas. <\/p>\n<p>Ram\u00edrez Abad\u00eda \u00e9 considerado o herdeiro de Pablo Escobar, que foi chefe do cartel de Medellin e morreu em 1993, quando fugia da pol\u00edcia. Assim como Escobar, o imp\u00e9rio acumulado desde que entrou para o narcotr\u00e1fico e a rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos fizeram com que Ram\u00edrez Abad\u00eda se tornasse o segundo homem mais procurado pelo governo americano. Na lista do departamento de seguran\u00e7a dos EUA, apenas um nome aparece na sua frente: o do terrorista Osama Bin Laden. <\/p>\n<p>Entre os anos de 1990 e 2004, o traficante &#8220;exportou&#8221; uma fortuna em coca\u00edna para os Estados Unidos: R$10 bilh\u00f5es. Em 1996, quando foi preso pela segunda vez, teria assumido o envio de 30 toneladas de coca\u00edna para Nova York e mais 40 toneladas para o Colorado. Segundo a PF, ele teria mais de 100 contas banc\u00e1rias em nome de laranjas. <\/p>\n<p>Ram\u00edrez Abad\u00eda nasceu em Palmira, na Col\u00f4mbia, e foi o mais jovem l\u00edder do cartel de Cali. Tinha 25 anos quando assumiu o grupo. De l\u00e1 para c\u00e1, espalhou gente por v\u00e1rios pa\u00edses, principalmente nos EUA, seu principal mercado consumidor. <\/p>\n<p>Envolvido no tr\u00e1fico desde 1986, Ram\u00edrez Abad\u00eda foi preso duas vezes na Col\u00f4mbia. Na \u00faltima delas, condenado a 23 anos de pris\u00e3o, cumpriu seis. Uma s\u00e9rie de benef\u00edcios previstos em lei e uma faculdade cursada na cadeia fizeram com que ele ficasse menos tempo preso. No anos 80, antes de entrar no tr\u00e1fico, era um jovem de classe m\u00e9dia alta, universit\u00e1rio e tinha como hobby andar de cavalos. Logo depois, abriu uma empresa de medicamentos e dali entrou para o narcotr\u00e1fico. <\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o rende recompensa de US$5 milh\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Nas pr\u00f3ximas semanas, o Departamento de Estado dos Estados Unidos enviar\u00e1 \u00e0 Pol\u00edcia Federal um cheque de US$5 milh\u00f5es, a recompensa oferecida pela pris\u00e3o de Juan Carlos Ram\u00edrez Abad\u00eda. <\/p>\n<p>Embora tenha se tratado de uma opera\u00e7\u00e3o conjunta entre a PF e autoridades de Argentina, Uruguai, Espanha e agentes da DEA, a ag\u00eancia antinarcotr\u00e1fico dos EUA, o pr\u00eamio ser\u00e1 dado aos policiais brasileiros por terem localizado o bandido. H\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o: a PF ter\u00e1 de se comprometer a utilizar o dinheiro no combate ao tr\u00e1fico de drogas. <\/p>\n<p>Ironicamente, o dinheiro do pr\u00eamio poder\u00e1 sair de um pacote de milh\u00f5es de d\u00f3lares (a cifra total n\u00e3o foi divulgada) que o governo americano confiscara de neg\u00f3cios de Ram\u00edrez Abad\u00eda nos EUA, dinheiro obtido com o narcotr\u00e1fico. <\/p>\n<p>O programa de recompensas foi criado pelo Congresso americano em 1986 para incentivar informantes a denunciar narcotraficantes. Os pr\u00eamios variam conforme a periculosidade do criminoso: US$5 milh\u00f5es \u00e9 o mais alto. At\u00e9 hoje, o governo desembolsou US$24 milh\u00f5es em recompensas pela captura de sete de uma lista de 17 narcotraficantes. Os dez restantes foram presos por policiais americanos, sem direito \u00e0 premia\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os US$5 milh\u00f5es que a Pol\u00edcia Federal receber\u00e1 de recompensa &#8211; R$9,5 milh\u00f5es &#8211; superam os R$9,35 milh\u00f5es previstos no or\u00e7amento do departamento para investimentos em 2007. O total do or\u00e7amento da PF para este ano, previsto na Lei Or\u00e7ament\u00e1ria, \u00e9 de R$2,3 bilh\u00f5es. A recompensa supera tamb\u00e9m alguns programas do \u00f3rg\u00e3o, como o &#8220;Combate \u00e0 criminalidade&#8221;, cuja rubrica \u00e9 de R$4,2 milh\u00f5es; o valor previsto para policiamento (R$4,2 milh\u00f5es); coopera\u00e7\u00e3o internacional (R$3 milh\u00f5es); e prote\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios do trabalhador (R$8,7 milh\u00f5es). <\/p>\n<p><strong>Fl\u00e1vio Freire <\/strong>  <\/p>\n<p><strong>O Globo <\/strong><\/p>\n<p>8\/8\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}