{"id":9529,"date":"2007-03-08T09:24:01","date_gmt":"2007-03-08T12:24:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/vai-sobrar-buque-de-rosas-com-apenas-55-representantes-no-congresso-participacao-feminina-no-legislativo-brasileiro-esta-entre-as-piores-do-mundo\/"},"modified":"2007-03-08T09:24:01","modified_gmt":"2007-03-08T12:24:01","slug":"vai-sobrar-buque-de-rosas-com-apenas-55-representantes-no-congresso-participacao-feminina-no-legislativo-brasileiro-esta-entre-as-piores-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/vai-sobrar-buque-de-rosas-com-apenas-55-representantes-no-congresso-participacao-feminina-no-legislativo-brasileiro-esta-entre-as-piores-do-mundo\/","title":{"rendered":"Vai sobrar buqu\u00ea de rosas: Com apenas 55 representantes no Congresso, participa\u00e7\u00e3o feminina no Legislativo brasileiro est\u00e1 entre as piores do mundo"},"content":{"rendered":"<p><p>A C\u00e2mara dos Deputados programou show, sess\u00e3o solene, eventos e outros festejos para este Dia Internacional da Mulher (<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.ig.com.br\/Ultimas.aspx?id=15215\">leia mais<\/a>). Mas o que h\u00e1 para comemorar num dos parlamentos com menor representa\u00e7\u00e3o feminina do mundo? Melhor seria se as deputadas entrassem todas no espelho d\u2019\u00e1gua e queimassem os suti\u00e3s, por mais que o protesto que simbolizou o movimento libert\u00e1rio dos anos 1960 possa parecer hoje coisa do passado.&nbsp; <\/p>\n<p>As mulheres, que s\u00e3o 50,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (Censo de 2000 do IBGE) e 41,1% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, ocupam apenas 9,2% das cadeiras no Congresso: 55. Dos 513 integrantes da C\u00e2mara, apenas 45 s\u00e3o mulheres (8,7%) e nenhuma est\u00e1 na Mesa Diretora: uma se candidatou a suplente de uma das secretarias este ano, mas Maria do Carmo Lara (PT-MG) n\u00e3o teve votos suficientes para se eleger. No Senado,&nbsp;onde h\u00e1&nbsp;81 parlamentares, s\u00e3o apenas dez senadoras. <\/p>\n<p>Em termos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres, o&nbsp;Brasil ocupa o 107\u00ba lugar num ranking de 187 pa\u00edses, bem abaixo da m\u00e9dia mundial: 16,6%. \u00c9 o \u201clanterninha\u201d entre os sul-americanos e est\u00e1 s\u00f3 um pouco melhor do que as na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes pesquisadas, com toda a sua tradi\u00e7\u00e3o machista (6,8%).<\/p>\n<p>O estudo foi elaborado pela Uni\u00e3o Interparlamentar (UIP), que, no caso brasileiro, usou dados de 2005. Mas eles n\u00e3o est\u00e3o nada defasados. Na \u00e9poca, o pa\u00eds tinha praticamente o mesmo n\u00famero de mulheres no Parlamento federal.<\/p>\n<p><strong>O exemplo argentino<\/strong><\/p>\n<p>Existe h\u00e1 11 anos uma lei que obriga os partidos a reservarem 30% de suas vagas para candidatas mulheres nas elei\u00e7\u00f5es legislativas. Mas nem sempre esse reparte \u00e9 preenchido. Muitas vezes, por falta de candidatas mesmo. Al\u00e9m disso, nem sempre as que s\u00e3o chamadas a participar da disputa t\u00eam apoio financeiro ou dentro dos pr\u00f3prios partidos, com suporte como material de propaganda e televis\u00e3o, para vencer.&nbsp; <\/p>\n<p>Na Argentina, h\u00e1 uma regra semelhante que obriga as legendas a reservarem espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o feminina. S\u00f3 que l\u00e1 o sistema de vota\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es proporcionais \u00e9 de lista fechada e pr\u00e9-ordenada. Diferentemente do Brasil, onde o eleitor vota no candidato, os argentinos votam no partido. E a distribui\u00e7\u00e3o das vagas para os cargos proporcionais no pa\u00eds \u00e9 feita da seguinte forma: dois homens, uma mulher, dois homens, uma mulher&#8230; <\/p>\n<p>Assim, a cada tr\u00eas votos recebidos pelo partido, um \u00e9 destinado automaticamente \u00e0 bancada feminina. N\u00e3o por acaso, a Argentina \u00e9 hoje a nona colocada no ranking que afere a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no Legislativo: 35% de suas cadeiras s\u00e3o ocupadas por elas. A lista \u00e9 encabe\u00e7ada por Ruanda, com 48,8%, Su\u00e9cia, com 45,3%, e Noruega, com 37,9%.&nbsp; <\/p>\n<p><strong>No fim da lista<\/strong><\/p>\n<p>Quem explica o sistema de nossos vizinhos \u00e9 a soci\u00f3loga Almira Rodrigues, pesquisadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). Ela conta que a ado\u00e7\u00e3o de lista fechada, um dos mais pol\u00eamicos itens da reforma pol\u00edtica, est\u00e1 sendo debatida no Congresso sem que a discuss\u00e3o recaia sobre uma forma de garantir a presen\u00e7a das mulheres na rela\u00e7\u00e3o das candidatas. \u201cElas podem vir no final (da lista), e a\u00ed n\u00e3o se elegem nunca\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Se o n\u00famero de eleitas no Brasil foi praticamente o mesmo em 2002 e 2006, \u00e9 porque o desempenho nas urnas piorou, j\u00e1 que a quantidade de candidatas \u00e0 C\u00e2mara cresceu de 509 para 652 nesse mesmo per\u00edodo. Entre as principais raz\u00f5es para isso, Almira destaca que as mulheres t\u00eam menos dinheiro para fazer campanha, j\u00e1 que \u201cos homens est\u00e3o na pol\u00edtica h\u00e1 mais tempo e t\u00eam mais articula\u00e7\u00f5es\u201d. <\/p>\n<p>Ela defende o financiamento p\u00fablico de campanha, outro item da reforma pol\u00edtica, \u201cpara arejar a representatividade\u201d. Levantamento divulgado no \u00faltimo fim de semana pelo jornal <em>Correio Braziliense<\/em> mostra que as campanhas femininas gastaram 27% menos que as masculinas na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Equil\u00edbrio, s\u00f3 no Amap\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo assim, a deputada Janete Capiberibe conseguiu se eleger para o segundo mandato pelo PSB do Amap\u00e1, estado que tem a \u00fanica bancada equilibrada, com quatro homens e quatro mulheres. E onde a candidata ao Senado Cristina Almeida (PSB), com 43,6% de votos, por pouco n\u00e3o impediu a, at\u00e9 ent\u00e3o dada como certa, reelei\u00e7\u00e3o do senador Jos\u00e9 Sarney (PMDB-AP). <\/p>\n<p>Janete atribui o bom desempenho eleitoral das amapaenses ao esfor\u00e7o dela e das colegas em favor da inclus\u00e3o social e da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades de maneira geral. \u201cA popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, assim como a do Nordeste, confia na grande m\u00e3e, na matriarca\u201d, acredita.<\/p>\n<p>A deputada ap\u00f3ia a proposta de emenda constitucional (PEC 590\/06), apresentada no final do ano passado por Luiza Erundina (PSB-SP), que garante ao menos uma cadeira para as mulheres na Mesa Diretora da C\u00e2mara. \u201cVamos lutar por isso\u201d, promete Janete. <\/p>\n<p>Segundo ela, a dificuldade para as mulheres come\u00e7a nos pr\u00f3prios partidos, que dificultam a participa\u00e7\u00e3o feminina nos postos de comando das legendas. \u201cA resist\u00eancia \u00e9 muito grande\u201d, avalia. Resist\u00eancia que, aparentemente, vai sendo quebrada no partido de Janete, que triplicou o n\u00famero de deputadas e quase empatou com o PT, que, por outro lado, viu sua bancada feminina cair pela metade este ano em compara\u00e7\u00e3o com 2005 (<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.ig.com.br\/Noticia.aspx?id=15227\">veja a distribui\u00e7\u00e3o das mulheres, por partido<\/a>). <\/p>\n<p>A distor\u00e7\u00e3o de g\u00eanero se reflete tamb\u00e9m na aus\u00eancia feminina dos cargos de lideran\u00e7a no Congresso. Dos 20 partidos com assento na C\u00e2mara, nenhum deles \u00e9 liderado hoje por alguma deputada. No Senado, h\u00e1 duas l\u00edderes: Ideli Salvatti (SC), que responde pela bancada do PT, e L\u00facia V\u00e2nia (PSDB-GO), rec\u00e9m-conduzida \u00e0 lideran\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o na Casa. <\/p>\n<p><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o no DAS<\/strong><\/p>\n<p>Mas a discrep\u00e2ncia se espalha pela Esplanada dos Minist\u00e9rios e a administra\u00e7\u00e3o federal como um todo. Elas ocupam menos de 20% dos cargos principais, como revela estudo da economista T\u00e2nia Fontenele publicado no livro <em>Mulheres no topo da carreira<\/em>, texto de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em psicologia social e do trabalho.<\/p>\n<p>Dos cargos de confian\u00e7a, mais conhecidos em Bras\u00edlia como DAS, que vem de &#8220;cargo de dire\u00e7\u00e3o e assessoramento superior&#8221;,&nbsp;&nbsp;elas em geral s\u00f3 t\u00eam direito aos menos importantes. Na lista de DAS 1, por exemplo, 49% dos contratados s\u00e3o mulheres, enquanto a rela\u00e7\u00e3o de DAS 6 (reservado a fun\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter predominantemente pol\u00edtico, como secret\u00e1rios de Estado) tem apenas 19% de mulheres. O DAS 7 \u00e9 para ministros. <\/p>\n<p>O minist\u00e9rio de Lula tem quatro representantes do sexo feminino num total de 34, menos de 10%. Apesar do \u00edndice t\u00edmido, nunca as mulheres tiveram tanto espa\u00e7o no primeiro escal\u00e3o do governo federal como agora. <\/p>\n<p>A \u00fanica mulher que ocupa uma pasta estrat\u00e9gica \u00e9 Dilma Rousseff, da Casa Civil. As outras&nbsp;ministras s\u00e3o Marina Silva (Meio Ambiente), Matilde Ribeiro (Secretaria Especial de Pol\u00edticas da Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial) e Nilc\u00e9ia Freire (Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres). <\/p>\n<p>\u201cComo as mulheres s\u00e3o sub-representadas na pol\u00edtica, isso impacta nos cargos estrat\u00e9gicos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Os homens acabam escolhendo homens\u201d, explica T\u00e2nia, que lan\u00e7a hoje outra obra: <em>Trabalho de mulher \u2013 riscos, mitos e transforma\u00e7\u00f5es<\/em>, organizada por ela e&nbsp;Adriana Reis de Araujo.&nbsp;O lan\u00e7amento ser\u00e1 \u00e0s 19h30, na Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico (ESMP), em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A economista acredita que h\u00e1 um preconceito velado, quer dizer, os homens dizem que acham legal ver mulheres em cargos importantes, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o abrem espa\u00e7o. <\/p>\n<p><strong>Aprendizado nas diferen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Segundo ela, estudos na \u00e1rea de neuroci\u00eancias j\u00e1 comprovaram que equipes mistas t\u00eam melhor desempenho que aquelas formadas s\u00f3 por homens ou s\u00f3 por mulheres. Isso porque em ambientes h\u00edbridos, as pessoas aprendem a ser flex\u00edveis, somando caracter\u00edsticas t\u00edpicas do comportamento masculino e feminino. A bancada do Amap\u00e1 est\u00e1 no caminho, resta saber qual ser\u00e1 o seu desempenho nos pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n<p>A queima de lingerie, s\u00edmbolo de uma \u00e9poca em que falar em eq\u00fcidade de g\u00eanero ainda era uma ousadia, virou coisa do passado. A express\u00e3o \u201cmulher honesta\u201d j\u00e1 foi exclu\u00edda do C\u00f3digo Penal e tantas outras conquistas foram obtidas dentro e fora da pol\u00edtica, como a Lei dos 30%, que obriga os partidos a reservarem pelo menos 30% das vagas a cargos eletivos para as mulheres.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma maior presen\u00e7a feminina em cargos de comando, como mostram as j\u00e1 eleitas Michelle Bachelet (presidente do Chile), Angela Merkel (premi\u00ea da Alemanha) e as fortes candidatas Segolene Royal (Fran\u00e7a), Hillary Clinton (EUA), Rigoberta Mench\u00fa (Guatemala) e Cristina Kirchner (Argentina). O Brasil tamb\u00e9m pode ter a sua.<\/p>\n<p>Mas talvez a principal raz\u00e3o para se apoiar as mulheres, independentemente da simpatia pela igualdade de g\u00eanero ou qualquer outra bandeira que se empunhe, e especialmente em se tratando de Brasil, esteja traduzida nesta frase da ex-deputada e candidata derrotada ao governo do Rio Denise Frossard (PPS-RJ), em entrevista ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>: \u201cO Banco Mundial atestou que o aumento da influ\u00eancia da mulher na vida p\u00fablica se traduz em mais transpar\u00eancia e menos corrup\u00e7\u00e3o\u201d (<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.ig.com.br\/Noticia.aspx?id=735\">leia<\/a>). Da\u00ed a inevit\u00e1vel conclus\u00e3o: s\u00f3 o machismo, o burro machismo, explica por que insistimos no Brasil em manter a pol\u00edtica como um territ\u00f3rio amplamente dominado pelos homens.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Julio Cruz Neto<\/strong><\/p>\n<p>do CongressoEmFoco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9529","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9529\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}