{"id":9515,"date":"2007-03-02T11:51:21","date_gmt":"2007-03-02T14:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/time-da-economia-blindado\/"},"modified":"2007-03-02T11:51:21","modified_gmt":"2007-03-02T14:51:21","slug":"time-da-economia-blindado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/time-da-economia-blindado\/","title":{"rendered":"Time da economia \u201cblindado\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Lula adianta que n\u00e3o vai mexer nas pastas da Fazenda e do Planejamento e tamb\u00e9m d\u00e1 sinais de que Henrique Meirelles fica no Banco Central. E avisa: as prioridades agora s\u00e3o o PAC e os programas sociais<\/em>    <\/p>\n<p>\u201cA equipe econ\u00f4mica est\u00e1 blindada pelo sucesso\u201d. A frase do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva representa uma garantia de emprego para os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, al\u00e9m do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel nesses tempos em que a maioria do governo vive a tens\u00e3o de esperar pela reforma ministerial. Lula voltou a indicar que, no segundo mandato, a pol\u00edtica econ\u00f4mica seguir\u00e1 no rumo desenvolvimentista defendido por Mantega e menos no regime de aperto fiscal que marcou a gest\u00e3o de seu antecessor, Antonio Palocci. \u201cO super\u00e1vit prim\u00e1rio de 4,25% do PIB n\u00e3o pode ser uma obsess\u00e3o\u201d, diz. \u201cO mesmo presidente que definiu a meta de 4,25% pode definir que ela ser\u00e1 de 4%. Ou s\u00f3 pode subir?\u201d <\/p>\n<p>O afrouxamento no super\u00e1vit ser\u00e1 para \u00e1reas que o governo considera priorit\u00e1rias, como os projetos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) e programas sociais. \u201cN\u00e3o vou gastar mais, vou investir mais\u201d, diz o presidente. \u201cGasto n\u00e3o tem retorno. \u00c9 como pagar aluguel. Quando eu casei, pagava cem cruzeiros por m\u00eas de aluguel num quarto e sala no Moinho Velho, em S\u00e3o Paulo. Cada m\u00eas que eu ia pagar, passava raiva porque era um dinheiro que n\u00e3o voltava. Quando pude, peguei um empr\u00e9stimo e comprei uma casinha\u201d. Essa diferen\u00e7a entre aluguel e presta\u00e7\u00e3o, aplicada aos investimentos p\u00fablicos, vai definir as \u00e1reas que receber\u00e3o mais dinheiro. <\/p>\n<p>Para defender o sucesso de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, o presidente \u00e9 seletivo na interpreta\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros. Sa\u00fada os bons indicadores, como o recorde nas reservas do Banco Central. \u201cQuando visitei a \u00cdndia, me disseram que eles tinham US$ 100 bilh\u00f5es em reservas. Fiquei morrendo de inveja. Hoje n\u00f3s temos US$ 100 bilh\u00f5es em reservas\u201d. E d\u00e1 justificativas para os maus n\u00fameros, como o crescimento de apenas 2,9% do PIB da economia brasileira no ano passado. \u201cO Brasil cresceu 10% nos anos do milagre econ\u00f4mico e 7% no governo Juscelino Kubitschek e o povo ficou mais pobre. N\u00f3s crescemos distribuindo renda\u201d. <\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m tem mais pressa em fazer o pa\u00eds crescer do que eu\u201d, diz o presidente. \u201cQuando as pessoas reclamam (da economia), sou eu que eles xingam nas ruas\u201d. Para Lula, o Brasil \u201cest\u00e1 a um fio de chegar l\u00e1\u201d. L\u00e1, nesse caso, \u00e9 a conjuga\u00e7\u00e3o de desenvolvimento e estabilidade na economia. <\/p>\n<p>O presidente avisou que vai mesmo colocar a reforma tribut\u00e1ria na pauta da pr\u00f3xima reuni\u00e3o com os governadores, apesar da resist\u00eancia deles. \u201cSe houver um governador contra a reforma, que assuma isso diante do pa\u00eds\u201d, destaca. Ao afirmar que a reforma \u00e9 fundamental, o presidente disse que \u201co governo federal fez sua parte na reforma tribut\u00e1ria ano passado. Os estados n\u00e3o fizeram a deles\u201d. <\/p>\n<p><strong>Cr\u00edticas ao FMI<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, Lula surpreendeu ao indicar o economista Paulo Nogueira Batista J\u00fanior para o cargo de diretor-executivo do Brasil no Fundo Monet\u00e1rio Internacional. O economista sempre foi um cr\u00edtico feroz do FMI. Ontem, na conversa com os jornalistas, o presidente deixou claro que endossa essas cr\u00edticas. \u201cH\u00e1 quanto tempo voc\u00eas n\u00e3o escrevem sobre o FMI?\u201d questionou. \u201cO fundo vem perdendo espa\u00e7o porque tentou impor ao mundo um modelo que n\u00e3o funciona\u201d. Para o presidente, \u201co FMI passou d\u00e9cadas defendendo a conten\u00e7\u00e3o de gastos. Deveria passar os pr\u00f3ximos 10 anos falando em crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento.\u201d <\/p>\n<p>Emprego para jovens <\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o e programas para jovens ser\u00e3o os focos dos pr\u00f3ximos pacotes do governo. O presidente Lula n\u00e3o gosta que se fale em \u201cPAC da Educa\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cPAC Social\u201d, para n\u00e3o banalizar a marca. Mas na conversa com os jornalistas falou muito sobre educa\u00e7\u00e3o e emprego para jovens. Para ele, \u00e9 com esses programas que o Brasil vai conseguir superar a crise da seguran\u00e7a p\u00fablica e n\u00e3o com o endurecimento da lei, como a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal. \u201cA maior parte dos jovens do Brasil quer estudar e trabalhar. H\u00e1 uns poucos milhares que se desencaminharam, mas n\u00e3o \u00e9 por causa deles que se deve submeter a juventude do Brasil \u00e0 repress\u00e3o.\u201d <\/p>\n<p>Lula est\u00e1 fechando com o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, o pacote do ensino. Revelou duas propostas. S\u00e3o id\u00e9ias dele, o que d\u00e1 boa chance de que sejam implementadas. A primeira \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de cursos noturnos nas universidades federais. A segunda \u00e9 trocar a d\u00edvida de universidades privadas com o governo por bolsas de estudo. \u201cEssa \u00e9 uma daquelas d\u00edvidas que ningu\u00e9m vai pagar. Ent\u00e3o, que nos paguem com doutores\u201d, diz Lula. <\/p>\n<p>Ensino \u00e9 importante, mas o presidente reconhece que isso n\u00e3o resolve o problema. \u201cSe o jovem faz um curso t\u00e9cnico e n\u00e3o encontra emprego, acaba desaprendendo o of\u00edcio e se desencaminhando\u201d. Ele reconheceu que a Lei do Aprendiz, criada para incentivar empresas a oferecer o primeiro emprego a jovens, n\u00e3o deu resultado. \u201cN\u00e3o adianta impor por lei\u201d, argumenta. Ele defende um acordo nacional e pede a participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas. \u201cO que custa para o grupo Gerdau ou para a Volskswagen empregar mais 20 ou 30 jovens? Se cada empresa fizer isso, vamos resgatar uma gera\u00e7\u00e3o de jovens\u201d. <\/p>\n<p>Sem abaixar a cabe\u00e7a <\/p>\n<p>Uma semana antes de receber a visita do presidente dos Estados Unidos, George Bush, o presidente Lula disse que seu governo \u201cn\u00e3o \u00e9 antiamericanista\u201d, mas afirmou que \u201cpor muitas d\u00e9cadas o Brasil foi subserviente aos Estados Unidos\u201d. Segundo ele, \u201cnenhum interlocutor aceita a subservi\u00eancia. Quando isso acontece, n\u00e3o h\u00e1 respeito\u201d. De acordo com o presidente, \u201cos Estados Unidos s\u00e3o um parceiro estrat\u00e9gico para o Brasil, mas eles cometeram o erro estrat\u00e9gico de nunca dar a aten\u00e7\u00e3o devida \u00e0 Am\u00e9rica Latina e especialmente ao Brasil\u201d. <\/p>\n<p>O coment\u00e1rio de Lula foi uma resposta \u00e0s cr\u00edticas do ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur. Depois de afastado do cargo, ele deu entrevistas nas quais apontou uma orienta\u00e7\u00e3o antiamericana na pol\u00edtica externa brasileira. O presidente esfor\u00e7ou-se para negar esse posicionamento, mas deixou claras suas ressalvas ao governo americano. <\/p>\n<p>Se depender de Lula, a agenda de sua reuni\u00e3o com Bush no pr\u00f3ximo dia 8 ser\u00e1 centralizada no programa de biocombust\u00edveis. Para ele, o tema traz duas vantagens. De um lado, coloca uma boa oportunidade de neg\u00f3cios para o Brasil, que pode tornar-se um exportador do produto. O presidente contou que pretende aumentar o envolvimento da Petrobras no neg\u00f3cio do \u00e1lcool e etanol. Deseja que a empresa funcione como um regulador de pre\u00e7os e estoques no mercado. Com seu poder de compra, a empresa ser\u00e1 respons\u00e1vel por possuir estoques capazes de manter n\u00e3o apenas est\u00e1veis os pre\u00e7os no mercado interno, mas tamb\u00e9m garantir o abastecimento de pa\u00edses que importem o produto do Brasil. <\/p>\n<p><strong>Riscos clim\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 dar uma resposta \u00e0s press\u00f5es para que o Brasil reduza as emiss\u00f5es de gases poluentes. O governo est\u00e1 preocupado com isso porque boa parte dos projetos estrat\u00e9gicos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) se concentram em empreendimentos que trazem riscos clim\u00e1ticos, como usinas termel\u00e9tricas. A divulga\u00e7\u00e3o recente de um estudo demonstrando o agravamento no aquecimento global aumentou as cr\u00edticas a esse tipo de projeto. <\/p>\n<p>\u201cTenho conversado com a Marina (ministra Marina Silva, do Meio Ambiente). A gente tem de tomar muito cuidado com o discurso dos pa\u00edses ricos. Eles dizem que a gente n\u00e3o pode desmatar e com esse discurso n\u00e3o reduzem a emiss\u00e3o de gases\u201d. Segundo o presidente, com o programa de biocombust\u00edveis, o Brasil encontra uma resposta a essas press\u00f5es. \u201cN\u00f3s provamos ao mundo que h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel, com menos polui\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea planta uma \u00e1rvore para extrair biocombust\u00edvel est\u00e1 retirando g\u00e1s carb\u00f4nico do ar. Quando essa \u00e1rvore \u00e9 transformada em combust\u00edvel, ele emite menos gases\u201d. <\/p>\n<p>Na conversa com Bush, Lula vai pedir o apoio americano para internacionalizar o programa de biocombust\u00edveis. \u201cO etanol n\u00e3o pode ser uma aventura de um pa\u00eds s\u00f3\u201d, diz. \u201cEle tem de ser produzido em pa\u00edses que precisam se desenvolver, como os da \u00c1frica.\u201d <\/p>\n<p>Gustavo Krieger   <\/p>\n<p>Da equipe do Correio <\/p>\n<p>02\/03\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}