{"id":9384,"date":"2007-01-18T13:06:48","date_gmt":"2007-01-18T15:06:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/caronas-no-aviao-da-policia\/"},"modified":"2007-01-18T13:06:48","modified_gmt":"2007-01-18T15:06:48","slug":"caronas-no-aviao-da-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/caronas-no-aviao-da-policia\/","title":{"rendered":"Caronas no avi\u00e3o da pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p><p>Diretor-executivo da PF \u00e9 acusado em relat\u00f3rio da institui\u00e7\u00e3o de usar aeronaves indevidamente. Segundo o documento, a filha dele voou de gra\u00e7a duas vezes. Em outro caso, jato fez trajeto de 14 km <\/p>\n<p>Relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia da Pol\u00edcia Federal acusa o diretor-executivo da institui\u00e7\u00e3o, Zulmar Pimentel, de usar avi\u00f5es da corpora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio. O documento, assinado por um delegado da Corregedoria, afirma que uma das filhas de Pimentel pegou \u201ccarona\u201d por duas vezes numa aeronave da PF, o que caracterizaria infra\u00e7\u00e3o disciplinar e pode resultar na perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica por improbidade administrativa. Segundo homem mais importante na hierarquia da pol\u00edcia, o diretor-executivo \u00e9 um dos cotados para suceder Paulo Lacerda no cargo de diretor-geral. <\/p>\n<p>O Correio Braziliense teve acesso exclusivo ao relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia n\u00ba 21\/2006. Conclu\u00eddo em 24 de novembro passado e remetido a Lacerda, ele descreveu como \u201cfatos plenamente constatados\u201d caronas concedidas no avi\u00e3o King Air a uma das filhas de Pimentel. As viagens ocorreram em 5 e 6 de janeiro de 2004, nos trechos Bras\u00edlia-Recife-Bras\u00edlia; e em 7 de mar\u00e7o de 2004, no trecho Bras\u00edlia-Rio de Janeiro-Bras\u00edlia. O nome da passageira n\u00e3o constou no documento de 27 p\u00e1ginas. <\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela sindic\u00e2ncia, delegado Ot\u00e1vio Fernandes, se baseia em depoimentos de tripulantes e passageiros para chegar a essa conclus\u00e3o. Segundo testemunhas, no domingo 7 de mar\u00e7o, a filha de Pimentel embarcou no King Air com destino ao Rio de Janeiro. Havia policiais no v\u00f4o, que tinha como miss\u00e3o registrar imagens a\u00e9reas em Campos (RJ). A aeronave, por\u00e9m, seguiu primeiro para a capital fluminense, onde a mo\u00e7a desembarcou. Mais tarde, naquele domingo, o avi\u00e3o retornou a Bras\u00edlia depois de fazer escala no Rio, onde a filha do diretor-executivo embarcou para voltar para casa. <\/p>\n<p>Pilotos e policiais ouvidos pelo delegado Ot\u00e1vio Fernandes n\u00e3o souberam informar a raz\u00e3o pela qual a passageira estava no King Air. Tampouco, de acordo com o autor do relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia, foram encontrados registros da \u201ccarona\u201d em documentos oficiais da PF. O King Air \u00e9 um turbo-h\u00e9lice de porte pequeno, com capacidade para 11 pessoas. O custo da hora de v\u00f4o ao Rio de Janeiro foi estimado em R$ 1,6 mil. Somados os trechos de ida e volta, foram registradas sete horas de viagem. <\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o descreve outra situa\u00e7\u00e3o supostamente irregular: Pimentel teria viajado para Recife, em janeiro de 2004, em companhia de uma filha, que o relat\u00f3rio tamb\u00e9m n\u00e3o indica nome nem informa se \u00e9 a mesma pessoa que foi ao Rio. Os dois teriam ido juntos at\u00e9 a capital pernambucana no dia 5 e embarcado de volta no dia seguinte, mas o diretor-executivo desembarcou no meio do caminho, em Caruaru (PE), onde seria inaugurada uma delegacia da PF. \u201cOs demais passageiros \u2014 inclusive a filha de Zulmar Pimentel \u2014 seguiram rumo a Bras\u00edlia\u201d, sustenta um dos pilotos, no documento. <\/p>\n<p>Interrogat\u00f3rio <\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia descreve ainda que Pimentel foi \u201cconvidado\u201d a apresentar suas filhas para fins de interrogat\u00f3rio sobre as viagens ao Rio de Janeiro e a Recife, mas optou por n\u00e3o faz\u00ea-lo. Assim como n\u00e3o teria respondido a questionamentos sobre o uso do jatinho Citation III, em 15 de abril e 9 de agosto de 2004. O respons\u00e1vel pela apura\u00e7\u00e3o afirma que, para se deslocar entre a base a\u00e9rea e o aeroporto de Manaus (AM), um percurso de apenas 14 km, o diretor-executivo optou pelo acionamento da aeronave Citation III, sendo provocada uma despesa total de cerca de US$ 3 mil. <\/p>\n<p>\u201cOs deslocamentos realizados na cidade de Manaus com o avi\u00e3o Citation III apontam para a poss\u00edvel pr\u00e1tica de improbidade administrativa, por conta de presum\u00edvel desrespeito ao princ\u00edpio da moralidade administrativa\u201d, afirmou o delegado Ot\u00e1vio Fernandes no relat\u00f3rio. Ao final do documento, ele sugere a abertura de quatro processos administrativos para apurar poss\u00edveis infra\u00e7\u00f5es cometidas por Zulmar Pimentel e outros servidores da PF, com base na lei 8.112\/90, que trata da conduta dos servidores. Tamb\u00e9m concluiu pela remessa das informa\u00e7\u00f5es levantadas pela sindic\u00e2ncia para o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. <\/p>\n<p>Delegado admite um v\u00f4o <\/p>\n<p>O diretor-executivo da Pol\u00edcia Federal, Zulmar Pimentel, admite ter autorizado o embarque de sua filha, cujo nome n\u00e3o quis mencionar, uma \u00fanica vez no King Air, com destino ao Rio de Janeiro no domingo 7 de mar\u00e7o de 2004. O delegado alega que a mo\u00e7a perdeu um v\u00f4o comercial naquele dia, desmarcado pela companhia a\u00e9rea, e precisava chegar \u00e0 capital fluminense para fazer as provas de concurso p\u00fablico promovido pelo Tribunal Regional Federal. \u201cEstava sob minha al\u00e7ada autorizar esse embarque e o fiz dentro do limite legal\u201d, justifica. <\/p>\n<p>O \u201climite legal\u201d, na verdade, seria um procedimento corriqueiro de pessoas viajarem como caronas em v\u00f4os oficiais, seja em aeronaves da pol\u00edcia ou das For\u00e7as Armadas, como admitiu o pr\u00f3prio Pimentel em entrevista ao Correio na tarde de ontem. \u201cSe h\u00e1 vaga, n\u00e3o vejo problema da pessoa viajar. Voc\u00eas da imprensa tamb\u00e9m pegam carona em v\u00f4os oficiais\u201d, acrescentou. A Lei 8.112\/90, que estabelece o c\u00f3digo de conduta do funcionalismo p\u00fablico, pro\u00edbe que o servidor use \u201co cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d. O CAOP, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas aeronaves da PF, est\u00e1 subordinado ao diretor-executivo. <\/p>\n<p>Pimentel nega as demais irregularidades atribu\u00eddas a ele no relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia assinado pelo delegado Ot\u00e1vio Fernandes. Ele sustenta que sua filha n\u00e3o embarcou no v\u00f4o para Recife, mas uma secret\u00e1ria que o acompanhou para despachar os processos sob sua responsabilidade. No caso do Citation III, que, de acordo com a sindic\u00e2ncia, teria feito v\u00f4os rel\u00e2mpagos apenas para atender a vontade do diretor, ele afirma que o avi\u00e3o voou da base a\u00e9rea para o aeroporto de Manaus porque ele fica estacionado no hangar da PF, localizado no aeroporto. <\/p>\n<p>Com 31 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 PF e h\u00e1 quatros anos e meio na fun\u00e7\u00e3o de diretor-executivo, Pimentel atribui a acusa\u00e7\u00e3o a disputas internas \u00e0s v\u00e9speras de mudan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o-geral. Paulo Lacerda, o atual dirigente, dever\u00e1 deixar o cargo com a sa\u00edda do ministro da Justi\u00e7a, M\u00e1rcio Thomaz Bastos. Pimentel \u00e9 homem de confian\u00e7a de Lacerda \u2014 eles trabalharam juntos na investiga\u00e7\u00e3o do caso PC Farias. \u201cO relat\u00f3rio \u00e9 resultado dessas disputas. Foi um procedimento direcionado para comprometer minha atividade\u201d, defendeu-se o diretor-executivo, apontado como um dos respons\u00e1veis pelo sucesso operacional da PF nos primeiros quatro anos de administra\u00e7\u00e3o Lula.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Se h\u00e1 vaga, n\u00e3o vejo problema da pessoa viajar&#8221;&nbsp; Zulmar Pimentel, diretor-executivo da PF <\/p>\n<p>&nbsp; Controle \u201cprec\u00e1rio\u201d <\/p>\n<p>Al\u00e9m de atribuir irregularidades ao diretor-executivo da Pol\u00edcia Federal, Zulmar Pimentel, o relat\u00f3rio de sindic\u00e2ncia classifica como \u201cextremamente prec\u00e1rio\u201d o sistema de controles de v\u00f4o das aeronaves da PF. De acordo com o documento, o principal instrumento de acompanhamento da utiliza\u00e7\u00e3o das aeronaves seria o relat\u00f3rio de bordo. Mas o delegado Ot\u00e1vio Fernandes, respons\u00e1vel pela sindic\u00e2ncia, entende que h\u00e1 defici\u00eancias. \u201cA planilha n\u00e3o possui campo pr\u00f3prio para lan\u00e7amento das informa\u00e7\u00f5es referentes aos passageiros, seja nome, matr\u00edcula ou lota\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o policial. <\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o conclui que a falta de informa\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de dificultar o controle do uso adequado das aeronaves da PF, pode se transformar em s\u00e9rio problema em caso de acidente. \u201cOs passageiros transportados s\u00e3o \u2018invis\u00edveis\u2019 perante qualquer sistema de registro da administra\u00e7\u00e3o\u201d, descreve o autor do documento. Perguntado sobre o problema, o diretor-executivo Zulmar Pimentel explicou que esse problema foi sanado por iniciativa dele mesmo. O ajuste, de acordo com ele, partiu de sua iniciativa, depois de ler um relat\u00f3rio de bordo de uma das aeronaves sob sua responsabilidade. <\/p>\n<p>As conclus\u00f5es da sindic\u00e2ncia, que incluem as den\u00fancias contra Pimentel, foram submetidas pelo delegado Ot\u00e1vio Fernandes a seus superiores na Corregedoria. De acordo com a assessoria de imprensa da institui\u00e7\u00e3o, o processo est\u00e1, agora, numa fase em que outro delegado analisar\u00e1 o caso para verificar se procedem as den\u00fancias. Se confirmadas, poder\u00e1 ser aberto processo por improbidade administrativa contra Pimentel, o que pode resultar em perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Breno Fortes e Marcelo Rocha<\/strong>   <\/p>\n<p><strong>Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}