{"id":9253,"date":"2006-11-28T09:31:44","date_gmt":"2006-11-28T11:31:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/cpi-86-das-armas-do-crime-tem-origem-legal\/"},"modified":"2006-11-28T09:31:44","modified_gmt":"2006-11-28T11:31:44","slug":"cpi-86-das-armas-do-crime-tem-origem-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/cpi-86-das-armas-do-crime-tem-origem-legal\/","title":{"rendered":"CPI: 86% das armas do crime t\u00eam origem legal"},"content":{"rendered":"<p><em>Conclus\u00e3o est\u00e1 no relat\u00f3rio da comiss\u00e3o parlamentar que investigou tr\u00e1fico de armas apreendidas pela pol\u00edcia no Rio <\/em><\/p>\n<p>Diferentemente do que afirmavam fabricantes e comerciantes de armamento no pa\u00eds, as armas usadas pelos criminosos do Rio saem de lojas, de empresas de seguran\u00e7a privada e das for\u00e7as p\u00fablicas de seguran\u00e7a, como pol\u00edcias estaduais e For\u00e7as Armadas, segundo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) sobre Organiza\u00e7\u00f5es Criminosas do Tr\u00e1fico de Armas divulgado ontem no Congresso Nacional. <\/p>\n<p>Pela conclus\u00e3o da CPI, 86% das armas usadas pelos criminosos t\u00eam origem legal: 68% foram vendidas por empresas brasileiras diretamente para lojas localizadas em Nova Igua\u00e7u, Rio de Janeiro, Niter\u00f3i, Duque de Caxias, Nil\u00f3polis, Campos e S\u00e3o Jo\u00e3o do Meriti, al\u00e9m de outras localizadas em S\u00e3o Paulo, Assun\u00e7\u00e3o e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. As demais 18% s\u00e3o armas que foram compradas pelo poder p\u00fablico e desviadas para o crime. <\/p>\n<p><strong>CPI rastreou 10.549 armas apreendidas no Estado do Rio <\/strong><\/p>\n<p>Os dados est\u00e3o num documento elaborado pela sub-relatoria de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Colecionadores, Atiradores e Ca\u00e7adores da CPI, a partir da an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas enviadas pelos fabricantes brasileiros. Foi feito o rastreamento de 10.549 armas apreendidas pela pol\u00edcia no Estado do Rio entre 1998 e 2003, todas envolvidas em situa\u00e7\u00e3o ilegal ou de delitos no momento da apreens\u00e3o. As informa\u00e7\u00f5es foram cruzadas pelo Sistema Nacional de Armas (Sinarm) da Pol\u00edcia Federal. <\/p>\n<p>Das armas vendidas por lojas, o rastreamento provou que 74% foram compradas por pessoas f\u00edsicas, os chamados cidad\u00e3os de bem; 25% delas foram vendidas para empresas de seguran\u00e7a privada, transportadoras de valores e departamentos de seguran\u00e7a de empresas privadas; 0,6% sa\u00edram das lojas para \u00f3rg\u00e3os do Estado; e 0,3% vendidas para outras pessoas jur\u00eddicas. <\/p>\n<p>&#8211; Esses dados oficiais desfazem outra cren\u00e7a muito comum, a de que a maioria dos delitos \u00e9 cometida com armas de origem ilegal, de que o mercado legal, dos homens de bem, nada tem a ver com o mercado clandestino. Pelo contr\u00e1rio, o mercado legal abastece o ilegal. Da\u00ed a import\u00e2ncia de se fiscalizar melhor o com\u00e9rcio legal para evitar que ele abaste\u00e7a os criminosos &#8211; disse o coordenador do Programa de Armas do Viva Rio, Ant\u00f4nio Rangel Bandeira, que prestou assessoria t\u00e9cnica aos deputados. <\/p>\n<p>A conclus\u00e3o mais surpreendente foi a constata\u00e7\u00e3o de que 18% das armas rastreadas foram originalmente vendidas ao Estado, especialmente \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica (pol\u00edcias Militar, Civil, Federal), \u00e0s For\u00e7as Armadas e aos demais \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Ainda segundo os dados obtidos pela CPI, das armas vendidas ao Estado, cerca de 70% foram desviadas das for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica do pa\u00eds, e o restante das armas foi parar nas m\u00e3os dos criminosos em sucessivos desvios de quart\u00e9is do Ex\u00e9rcito (22%), da Aeron\u00e1utica (4%) e da Marinha (1%). <\/p>\n<p>&#8211; Isso \u00e9 muito grave. Detalhando o n\u00famero, ficou comprovado que, da Pol\u00edcia Militar, saiu boa parte das armas que est\u00e3o com os bandidos (52%). De secretarias de seguran\u00e7a p\u00fablica, os bandidos conseguiram 8% das armas e, da Pol\u00edcia Civil, 1%. O rastreamento tamb\u00e9m identificou que sa\u00edram para o mercado ilegal armas do Departamento de Pol\u00edcia Federal (2%), do Corpo de Bombeiros (1%), da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (0,4%), al\u00e9m de quart\u00e9is das For\u00e7as Armadas &#8211; afirmou Rangel. <\/p>\n<p><strong>55% das armas tinham registro antes de ir para crime <\/strong><\/p>\n<p>No levantamento da CPI das Armas foram exclu\u00eddas as armas do patrim\u00f4nio do Estado do Rio, que ficam na Divis\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Armas e Explosivos (Dfae) aguardando per\u00edcia. Ficou provado ainda que 86% das armas apreendidas em situa\u00e7\u00e3o ilegal no Brasil e rastreadas foram desviadas em territ\u00f3rio brasileiro. Destas, 11% foram exportadas e contrabandeadas via Paraguai. A grande maioria (94%) das armas encontradas com os criminosos \u00e9 de rev\u00f3lveres e pistolas, o que derruba a percep\u00e7\u00e3o de que as armas ilegais s\u00e3o, em sua maioria, de grosso calibre, como fuzis e metralhadoras. <\/p>\n<p>A CPI chegou a outras conclus\u00f5es: 55% tinham registros antes de passarem \u00e0s m\u00e3os dos bandidos, o que, segundo a CPI, sepulta a id\u00e9ia de que a maioria das armas usadas pela criminalidade \u00e9 de armamento ilegal. Comprova-se que os bandidos se abastecem de armas legais, desviadas ou roubadas de empresas legalizadas e de cidad\u00e3os de bem. <\/p>\n<p><strong>O Globo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}