{"id":9209,"date":"2006-11-20T08:39:19","date_gmt":"2006-11-20T10:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/cresce-o-numero-de-negros-nas-universidades\/"},"modified":"2006-11-20T08:39:19","modified_gmt":"2006-11-20T10:39:19","slug":"cresce-o-numero-de-negros-nas-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/cresce-o-numero-de-negros-nas-universidades\/","title":{"rendered":"Cresce o n\u00famero de negros nas universidades"},"content":{"rendered":"<p><p><em>De 1995 a 2005, percentual de negros e pardos no ensino superior aumentou de 18% para 30%, revela pesquisa do IBGE <\/p>\n<p>   <\/em> <\/p>\n<p><em>Inclus\u00e3o foi maior a partir de 2001. Nos \u00faltimos cinco anos, entraram mais negros que brancos na rede p\u00fablica; eq\u00fcidade chegar\u00e1 em 2015 <\/em><\/p>\n<p>A desigualdade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o entre negros e brancos no Brasil j\u00e1 foi comparada ao eletrocardiograma de um morto. Parecia imut\u00e1vel, dada a dist\u00e2ncia quase intranspon\u00edvel que separava esses dois grupos ao longo de quase um s\u00e9culo. A mais recente Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) do IBGE revela, no entanto, um dado alentador: na \u00faltima d\u00e9cada, o percentual de brasileiros que se declaram negros ou pardos no ensino superior subiu de 18% para 30%. <\/p>\n<p>Dados dessa pesquisa tabulados pela Folha mostram que esse crescimento aconteceu principalmente a partir de 2001, quando o percentual era de 22%. De l\u00e1 at\u00e9 2005, a participa\u00e7\u00e3o de negros e pardos cresceu a um ritmo m\u00e9dio de dois pontos percentuais ao ano. Se continuar assim, o Brasil chegar\u00e1 a 2015 com uma participa\u00e7\u00e3o desses grupos na universidade compat\u00edvel com a presen\u00e7a deles na popula\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 de 49%. Para um pa\u00eds em que at\u00e9 bem pouco tempo n\u00e3o via luz no fim desse t\u00fanel, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. <\/p>\n<p>O crescimento aconteceu tanto na rede p\u00fablica quanto na particular. Ainda que tenha sido maior nesta \u00faltima, na p\u00fablica foi verificado um dado significativo: de 2001 a 2005, entraram mais negros e pardos (125 mil novos alunos) do que brancos (72 mil). <\/p>\n<p>Tr\u00eas hip\u00f3teses podem ser apontadas para explicar o aumento. A primeira \u00e9 que, nos \u00faltimos dez anos, o sistema de ensino superior cresceu 174%. <\/p>\n<p>A segunda \u00e9 que foi a partir de 2001, ano da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra o Racismo, que universidades p\u00fablicas, por iniciativa pr\u00f3pria ou de governos estaduais, passaram a adotar pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Por \u00faltimo, desde 2005, o governo oferece bolsas em particulares preferencialmente para negros via ProUni. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, o fator que mais contribuiu foi o crescimento das matr\u00edculas. Ele lembra que isso ocorreu tamb\u00e9m no ensino m\u00e9dio. Com isso, mais alunos se tornaram aptos a disputar mais vagas oferecidas principalmente pelo setor privado. <\/p>\n<p>Para ele, as cotas explicam pouco a inclus\u00e3o porque o ensino superior incorporaria esses alunos mesmo sem elas. <\/p>\n<p>O economista da UFRJ Marcelo Paix\u00e3o, coordenador do Observat\u00f3rio Afro-Brasileiro, concorda que a expans\u00e3o das matr\u00edculas em todo os n\u00edveis foi fundamental. Ele discorda de Schwartzman, no entanto, ao defender que as pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativas de cunho racial continuam sendo necess\u00e1rias. <\/p>\n<p>&#8220;Os dados da Pnad n\u00e3o permitem que a gente verifique como est\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o dos negros em cada curso, mas sabemos que h\u00e1 uma diferen\u00e7a enorme no acesso aos mais concorridos&#8221;, diz Paix\u00e3o. <\/p>\n<p>De fato, pela Pnad n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel verificar a participa\u00e7\u00e3o em cada curso, mas isso pode ser avaliado pelo question\u00e1rio socioecon\u00f4mico do prov\u00e3o e de seu substituto, o Enade. <\/p>\n<p>Em 2003, esses dados mostravam que nos cursos de matem\u00e1tica, letras, pedagogia, hist\u00f3ria e geografia, o percentual de concluintes negros e pardos era sempre superior a 30%, chegando a 40% nesses dois \u00faltimos. No outro extremo, essa propor\u00e7\u00e3o era sempre inferior a 16% nas carreiras de direito, medicina, engenharia mec\u00e2nica, odontologia e arquitetura, sendo o menor percentual nesta \u00faltima (11%). <\/p>\n<p><strong>Universidades atraem estudante negro oferecendo bolsas e cotas<\/strong>A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a PUC-RJ adotaram caminhos diferentes para aumentar a participa\u00e7\u00e3o de negros em seus campi. No caso da Uerj, uma lei estadual instituiu sistema de cotas em 2001. As primeiras turmas a entrarem por esse crit\u00e9rio se formam neste ano. <\/p>\n<p>Na PUC, a estrat\u00e9gia foi aumentar o n\u00famero de bolsas oferecidas a oriundos de cursos pr\u00e9-vestibulares para alunos carentes. Ambas colhem hoje, cada uma a seu modo, o resultado dessas medidas. <\/p>\n<p>Raquel Villardi, pr\u00f3-reitora de gradua\u00e7\u00e3o da Uerj, diz que os alunos que est\u00e3o se formando agora e entraram por cotas est\u00e3o no mesmo n\u00edvel dos demais. Ela afirma que a universidades sempre recebeu os alunos negros, mas, depois das cotas, eles passaram a ser representativos tamb\u00e9m em cursos de alto prest\u00edgio. <\/p>\n<p>&#8220;Temos satisfa\u00e7\u00e3o de ver que soubemos fazer um bom trabalho com todos os alunos. Outro dia, li uma declara\u00e7\u00e3o de um dirigente de universidade em S\u00e3o Paulo dizendo que seu objetivo era atrair os talentos para a institui\u00e7\u00e3o. N\u00f3s pensamos de forma diferente. Trabalhar s\u00f3 com os talentos \u00e9 f\u00e1cil. O que queremos \u00e9 receber os exclu\u00eddos e form\u00e1-los com qualidade.&#8221; <\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Diversidade do MEC, Ricardo Henriques, concorda com a colega e defende a inclus\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Podemos concluir que as universidades p\u00fablicas t\u00eam um potencial grande para promover a inclus\u00e3o numa velocidade alta. Em pouco tempo, as estrat\u00e9gias adotadas nesse sentido podem j\u00e1 fazer diferen\u00e7a&#8221;, diz. <\/p>\n<p><strong>Sem preconceito  <\/strong>O \u00faltimo estudo da Uerj sobre o desempenho dos cotistas foi divulgado h\u00e1 dois anos. Ele mostrava que, na maioria dos cursos, as diferen\u00e7as no desempenho n\u00e3o eram significativas. <\/p>\n<p>Villardi diz que ainda n\u00e3o h\u00e1 novos estudos para dizer se essa situa\u00e7\u00e3o permaneceu assim at\u00e9 a formatura. A pr\u00f3-reitora afirma, no entanto, que as an\u00e1lises preliminares mostravam que a diferen\u00e7a inicial entre os cotistas e n\u00e3o-cotistas foi desaparecendo ao longo do curso. <\/p>\n<p>No caso da PUC, a mudan\u00e7a no perfil racial de seus estudantes foi mais sutil, mas ela tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel. Na sexta-feira passada, a Folha conversou com dez estudantes de diferentes cursos que estavam no campus da institui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Nenhum reclamou ter sofrido preconceito declarado na universidade, ainda que alguns tenham dito que ele \u00e0s vezes se manifesta de forma sutil. <\/p>\n<p><strong>Escolaridade maior eleva fosso racial<\/strong>A diferen\u00e7a de renda de autodeclarados negros e pardos em rela\u00e7\u00e3o aos brancos cresce quanto maior for o n\u00edvel de escolaridade do trabalhador, revela um estudo divulgado na semana passada pelo IBGE. <\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, um branco ganhava em setembro deste ano R$ 1.292, o dobro do rendimento de negros e pardos (R$ 660). <\/p>\n<p>Entre trabalhadores com menos de um ano de estudo, brancos ganham em m\u00e9dia 15% a mais do que os negros. <\/p>\n<p>A diferen\u00e7a sobe gradativamente at\u00e9 chegar a 92% na faixa dos que t\u00eam pelo menos 11 anos de estudo. No caso de trabalhadores com n\u00edvel superior, os brancos recebem 48% a mais. Entre as pessoas com maior rendimento (R$ 1.785, em m\u00e9dia), 83,3% eram brancas.<\/p>\n<p><strong>ANT\u00d4NIO GOIS<\/strong>   <\/p>\n<p><strong>Folha de S. Paulo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}