{"id":9206,"date":"2006-11-20T08:32:13","date_gmt":"2006-11-20T10:32:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/caos-vira-rotina-em-aeroportos\/"},"modified":"2006-11-20T08:32:13","modified_gmt":"2006-11-20T10:32:13","slug":"caos-vira-rotina-em-aeroportos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/caos-vira-rotina-em-aeroportos\/","title":{"rendered":"Caos vira rotina em aeroportos"},"content":{"rendered":"<p>O que era para ser uma situa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria transformou-se em normalidade nos principais aeroportos do pa\u00eds: atrasos, v\u00f4os cancelados e confus\u00e3o em excesso. Ontem, Rio e S\u00e3o Paulo registraram 81 decolagens fora do hor\u00e1rio. Em Bras\u00edlia, pelo menos 10 avi\u00f5es atrasaram, entre chegadas e partidas. A desordem \u00e9 tanta que os passageiros est\u00e3o mudando datas e hor\u00e1rios das viagens, j\u00e1 prevendo os atrasos. Enquanto o caos em terra segue, no ar pairam d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a de quem voa. Na \u00faltima segunda-feira, dois avi\u00f5es \u2014 um da FAB e outro da TAM \u2014 ficaram pr\u00f3ximos de uma colis\u00e3o, embora a Aeron\u00e1utica negue o incidente.<\/p>\n<p><em>Passageiros adiam compromissos ou mudam hora de viagens com medo de atrasos nos aeroportos. S\u00f3 ontem foram 91 em tr\u00eas capitais. Na \u00faltima semana, avi\u00e3o militar quase colidiu com aeronave da TAM<\/em><\/p>\n<p>Quase um m\u00eas depois dos primeiros engarrafamentos a\u00e9reos que provocaram atrasos e cancelamentos de v\u00f4os em todo o pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 bem longe da normalidade. Ontem, os aeroportos do Rio de Janeiro (Gale\u00e3o) e S\u00e3o Paulo (Congonhas e Guarulhos), juntos, registraram pelo menos 81 decolagens ap\u00f3s o hor\u00e1rio previsto e 63 v\u00f4os cancelados. Curitiba tamb\u00e9m teve dia ca\u00f3tico. Por volta das 17h, um raio atingiu a torre de controle do Aeroporto Internacional Afonso Pena (PR), impossibilitando as sa\u00eddas e os pousos de aeronaves no terminal, o que resultou num efeito cascata, prejudicando principalmente Porto Alegre (RS).<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia (Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek), pelo menos 10 v\u00f4os atrasaram, entre chegadas e partidas. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais tranq\u00fcila que a registrada no in\u00edcio do m\u00eas. No per\u00edodo cr\u00edtico da crise, foram contabilizados mais de 600 atrasos em um \u00fanico dia. O caos, no entanto, j\u00e1 provocou mudan\u00e7as na rotina dos passageiros.<\/p>\n<p>O engenheiro C\u00e9sar Cabral, 45 anos, desembarcou ontem em Bras\u00edlia, vindo do Rio de Janeiro, \u00e0s 17h30. E poderia ter ido para Manaus, pelo menos, duas horas mais cedo. Mas, estrategicamente, escolheu o \u00faltimo hor\u00e1rio para fazer o v\u00f4o, \u00e0s 21h. \u201cFiquei com medo de haver atraso no Rio. Assim, com o intervalo maior entre um v\u00f4o e outro, reduzo as chances de n\u00e3o viajar\u201d, conta Cabral. \u201cDo Rio para Bras\u00edlia, o atraso foi de quase uma hora. Mas nada que nos fizesse perder o bom humor\u201d, lembrou a esposa de C\u00e9sar, Marilete de F\u00e1tima Melo, 50 anos.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Daniela Tescari, 35 anos, que veio \u00e0 Bras\u00edlia para um casamento, preferiu trocar o plant\u00e3o, que come\u00e7aria hoje \u00e0s 7h, com medo de atrasos nos v\u00f4os. \u201cN\u00e3o quis arriscar. Se eu chegasse em S\u00e3o Paulo de madrugada, n\u00e3o conseguiria trabalhar logo cedo depois de passar a noite no aeroporto\u201d, disse. O medo n\u00e3o \u00e9 injustificado. \u201cNa semana passada, minha irm\u00e3 deveria ter sa\u00eddo de S\u00e3o Paulo para Goi\u00e2nia \u00e0s 8h para uma reuni\u00e3o. Mas o v\u00f4o atrasou duas horas e ela chegou ao compromisso com uma hora e quarenta e cinco minutos de atraso\u201d, lembra.<\/p>\n<p><strong>Dist\u00e2ncia m\u00ednima<\/strong><\/p>\n<p>Os atrasos n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica amea\u00e7a para quem vai viajar de avi\u00e3o. Um incidente (quase acidente, no jarg\u00e3o do controle a\u00e9reo) na \u00faltima segunda-feira, no entanto, deixou d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a no c\u00e9u brasileiro. Dois avi\u00f5es \u2014 um da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira e outro comercial, da TAM \u2014 ficaram pr\u00f3ximos de uma colis\u00e3o. Eles passaram a menos de 2 milhas n\u00e1uticas (3,7km) de dist\u00e2ncia um do outro, quando o normal \u00e9 manter 10 milhas (18,5km), sendo o intervalo de cinco milhas (9,25km) o m\u00ednimo na mesma altitude. Quanto \u00e0 altura, a menor dist\u00e2ncia aceit\u00e1vel deve ser mil p\u00e9s (300m). <\/p>\n<p>Controladores ouvidos pelo Correio explicam que o problema, no caso do incidente, \u00e9 que a aeronave da FAB estava sendo monitorada pelo controle da defesa a\u00e9rea, respons\u00e1vel apenas por avi\u00f5es militares em miss\u00f5es. E o avi\u00e3o da TAM era monitorado pelo controle do espa\u00e7o a\u00e9reo, que cuida de todo o restante do tr\u00e1fego. \u201cDois avi\u00f5es no mesmo espa\u00e7o a\u00e9reo, cada um falando com um grupo de controladores. \u00c9 pedir para bater\u201d, afirma um operador de v\u00f4o que atua em Bras\u00edlia e pede anonimato, temendo repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>A Aeron\u00e1tica, por sua vez, divulgou em nota afirmando que n\u00e3o h\u00e1 registro de qualquer tipo de incidente envolvendo aeronaves civis ou militares e o sistema de controle de tr\u00e1fego a\u00e9reo. O problema, segundo o relato de operadores, \u00e9 que muitos avi\u00f5es militares, para se livrarem do controle de fluxo feito desde o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o-padr\u00e3o, intitulam-se como V\u00f4o de Circula\u00e7\u00e3o Operacional Militar, o chamado Vocom. Com isso, s\u00e3o monitorados por controladores da defesa a\u00e9rea e ganham prioridade para furar filas de decolagem e pouso.<\/p>\n<p>O Vocom \u00e9 usado em casos que envolvem a defesa do espa\u00e7o a\u00e9reo brasileiro, para interceptar aeronaves suspeitas, por exemplo. Pelas regras militares, uma simples viagem com militares a bordo, para trabalhos externos, n\u00e3o seria considerada uma miss\u00e3o especial nem deveria ser designada como Vocom. At\u00e9 porque um alto n\u00famero de avi\u00f5es militares em Vocom atrapalham o tr\u00e1fego.<\/p>\n<p>Controladores que monitoram exclusivamente avi\u00f5es militares e os que cuidam do restante da avia\u00e7\u00e3o t\u00eam a mesma forma\u00e7\u00e3o. Mas quando s\u00e3o lotados para trabalhar nos centros de controle de aeronaves civis recebem treinamentos diferentes.<\/p>\n<p>O incidente da segunda-feira elevou ainda mais o estresse dos controladores que haviam sido liberados, dois dias antes, de um segundo aquartelamento em menos de um m\u00eas. A aproxima\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es ocorreu por volta das 15h. Durante alguns instantes, o controlador que monitora a \u00e1rea de S\u00e3o Paulo do Centro Integrado de Defesa A\u00e9rea e Controle A\u00e9reo (Cindacta), em Bras\u00edlia, ficou desnorteado quando viu os dois pontos indicativos do avi\u00e3o ficarem um em cima do outro na tela do radar. Qualquer incidente a\u00e9reo deve ser registado para investiga\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>O n\u00famero <\/p>\n<p><strong>18,5km <\/strong>\u00e9 a dist\u00e2ncia m\u00ednima que deve ser mantida entre duas aeronaves <\/p>\n<p><strong>Crise chega ao Congresso<\/strong><\/p>\n<p>A crise na seguran\u00e7a de v\u00f4o chegar\u00e1, finalmente, ao Congresso. Esta semana, ser\u00e3o realizadas duas audi\u00eancias p\u00fablicas, na C\u00e2mara dos Deputados e no Senado, para debater o caos nos aeroportos. Os parlamentares ir\u00e3o discutir com autoridades militares e civis, al\u00e9m de controladores de v\u00f4os. O objetivo \u00e9 fazer um levantamento da situa\u00e7\u00e3o e saber quando a crise chegar\u00e1 ao fim.<\/p>\n<p>No Senado, o debate ser\u00e1 amanh\u00e3, na Comiss\u00e3o de Servi\u00e7os de Infra-Estrutura. Foram convidados para a reuni\u00e3o o ministro da Defesa, Waldir Pires; o comandante da Aeron\u00e1utica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno; e o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Prote\u00e7\u00e3o ao V\u00f4o, Jorge Botelho.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, o encontro ser\u00e1 na Comiss\u00e3o de Defesa do Consumidor da C\u00e2mara. Al\u00e9m de Waldir Pires, participar\u00e3o representantes da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac), dos controladores de v\u00f4o, dos aeronautas, das compahias e da Infraero.<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara, a audi\u00eancia tratar\u00e1 dos preju\u00edzos causados pelos atrasos aos passageiros. Como a culpa pelo transtornos \u00e9 do controle de tr\u00e1fego \u00e1ereo, as companhias a\u00e9reas est\u00e3o reticentes em pagar indeniza\u00e7\u00f5es aos seus clientes. As duas audi\u00eancias atendem ainda um pedido dos representantes dos controladores de v\u00f4os, que querem a desmilitariza\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n<p>Na semana passada, Waldir Pires defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o civil para cuidar do tr\u00e1fego a\u00e9reo. \u201cEstamos nos mobilizando, n\u00e3o podemos deixar este assunto cair no esquecimento\u201d, afirmou Jorge Botelho.<\/p>\n<p>V\u00f4o 1907 <\/p>\n<p>Quase dois meses ap\u00f3s o acidente com o Boeing da Gol, que matou 154 pessoas, a Pol\u00edcia Federal dever\u00e1 ouvir hoje, em Bras\u00edlia, os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, que conduziam o Legacy quando as aeronaves se chocaram sobre a selva amaz\u00f4nica. <\/p>\n<p>O delegado Renato Say\u00e3o dever\u00e1 colher o depoimento no hangar do Centro de Opera\u00e7\u00f5es A\u00e9reas que a PF mant\u00e9m no Aeroporto Internacional Juscelino Kubtschek, em Bras\u00edlia, ou no comando do Centro Integrado de Defesa A\u00e9rea e Controle de Tr\u00e1fego A\u00e9reo (Cindacta). O depoimento dos pilotos poder\u00e1 durar dois dias.<\/p>\n<p><strong>Bimotor cai e ningu\u00e9m fica ferido<\/strong><\/p>\n<p>Um bimotor S\u00eaneca 3, de propriedade do agropecuarista Adriano Ricardo de Carvalho, 34 anos, caiu ontem, no bairro Jardim Liberdade, em Goi\u00e2nia (GO). A aeronave, bastante danificada, ficou sobre o muro de duas casas. Nenhum dos sete ocupantes, entre eles o piloto Roberto Rottini, ficou ferido. Por causa de uma falha no motor do avi\u00e3o, o propriet\u00e1rio, que estava ao lado de familiares e amigos, teve de fazer um pouso for\u00e7ado. A aeronave vinha do Mato Grosso.<\/p>\n<p>Ele tentou por duas vezes descer na pista do Aeroclube de Goi\u00e2nia. Mas o avi\u00e3o atingiu a copa de duas \u00e1rvores, a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, o telhado das duas casas e parou sobre o muro. A presidente do Aeroclube de Goi\u00e2nia, Zezil Alves Ferreira, chegou ao local esperando uma trag\u00e9dia. \u201cFoi um milagre\u201d, resumiu, ao saber que n\u00e3o havia feridos. Segundo ela, o m\u00e9rito \u00e9 do piloto, que soube fazer o pouso de emerg\u00eancia. Zezil ressaltou que Carvalho \u00e9 instrutor de v\u00f4o com larga experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A primeira pessoa a chegar ao local do acidente foi o seguran\u00e7a Ronair Nunes Soares, 31 anos, que ajudou os tripulantes a sa\u00edrem do avi\u00e3o. Assustadas, as pessoas sa\u00edam de suas casas para saber o que havia acontecido e se certificarem de que ningu\u00e9m estava machucado. Propriet\u00e1rio da casa do lote 21, Jos\u00e9 Schiochet chegou ao local pouco depois do acidente. \u201cMinha mulher e meus filhos est\u00e3o salvos, isso \u00e9 o que conforta\u201d, assinalou. Mulher de Jos\u00e9, Deuzinha Aparecida por pouco n\u00e3o era atingida na cozinha da casa, que ficou destru\u00edda. \u201cA minha sorte \u00e9 que resolvi arrumar o guarda-roupa para s\u00f3 depois fazer o almo\u00e7o&#8221;, contou Deuzinha.<\/p>\n<p><strong>Naiobe Quelem e Renata Mariz <\/strong> <\/p>\n<p><strong>Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}