{"id":9200,"date":"2006-11-17T08:52:06","date_gmt":"2006-11-17T10:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/df-e-quarta-capital-mais-perigosa-para-os-jovens\/"},"modified":"2006-11-17T08:52:06","modified_gmt":"2006-11-17T10:52:06","slug":"df-e-quarta-capital-mais-perigosa-para-os-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/df-e-quarta-capital-mais-perigosa-para-os-jovens\/","title":{"rendered":"DF \u00e9 quarta capital mais perigosa para os jovens"},"content":{"rendered":"<p><em>Pesquisa aponta o Distrito Federal em quarto lugar entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o com maior n\u00famero de homic\u00eddios na faixa et\u00e1ria dos 15 aos 24 anos. Nos \u00faltimos 10 anos, os assassinatos cresceram 34%<\/em> <\/p>\n<p>A capital federal est\u00e1 entre as cidades mais perigosas para os jovens. O Distrito Federal ocupa o quarto lugar no ranking dos estados com maior taxa de homic\u00eddio entre a popula\u00e7\u00e3o de 15 a 24 anos, na frente de regi\u00f5es consideradas violentas, como S\u00e3o Paulo. De 1994 a 2004, 3.536 jovens foram assassinados em Bras\u00edlia. Os dados fazem parte da pesquisa Mapa da Viol\u00eancia 2006, realizada pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (OEI). <\/p>\n<p>O levantamento in\u00e9dito, divulgado ontem, mostrou que o n\u00famero de homic\u00eddios de jovens na cidade cresceu 34% durante a \u00faltima d\u00e9cada. Em todo o Brasil, esse aumento foi ainda mais expressivo: os assassinatos nessa faixa et\u00e1ria aumentaram 64,2% de 1994 at\u00e9 2004. As causas externas \u2014 homic\u00eddios, acidentes de tr\u00e2nsito ou suic\u00eddios \u2014 s\u00e3o respons\u00e1veis pela morte de mais de 60% dos jovens brasileiros. <\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra os jovens no Brasil s\u00f3 perde para a Col\u00f4mbia e a Venezuela. As mortes por homic\u00eddio, no entanto, nem sempre lideraram as estat\u00edsticas no pa\u00eds. H\u00e1 cerca de meio s\u00e9culo, as epidemias e as doen\u00e7as infecciosas eram as principais causas da morte da popula\u00e7\u00e3o de 15 a 24 anos. Por falta de trabalho ou de educa\u00e7\u00e3o, os jovens est\u00e3o nas ruas, mais expostos \u00e0 criminalidade. Em Bras\u00edlia, sete em cada 10 mortos por homic\u00eddio s\u00e3o jovens. E os negros s\u00e3o as principais v\u00edtimas. Dos 374 assassinatos registrados na faixa et\u00e1ria de 15 a 24 anos em 2004, 318 mortos eram negros. Apenas 53 eram brancos. <\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre os sexos, os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais impressionantes: 92% das v\u00edtimas de homic\u00eddio s\u00e3o do sexo masculino. A sociologia do crime diz que a viol\u00eancia \u00e9 um fen\u00f4meno predominantemente masculino e que os jovens, por sua natureza turbulenta, s\u00e3o mais propensos \u00e0 delinq\u00fc\u00eancia. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do coordenador para assuntos de seguran\u00e7a p\u00fablica do Centro de Ensino Unificado do Distrito Federal (UDF) e doutor em educa\u00e7\u00e3o, George Felipe Dantas. <\/p>\n<p>Ele associa o elevado n\u00famero de jovens do sexo masculino envolvidos em crimes \u00e0 falta de amparo do Estado, \u00e0 ruptura da estrutura familiar e \u00e0 cultura da supremacia pela for\u00e7a f\u00edsica. \u201cA viol\u00eancia prevalece nas \u00e1reas mais pobres, onde a falta de estrutura social faz com que o jovem busque meios alternativos para se incluir na sociedade. Valores culturais que exaltam a posi\u00e7\u00e3o do macho, a energia juvenil e a proximidade com a mis\u00e9ria provocam essa epidemia de homic\u00eddios entre jovens\u201d, explica. <\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Julio Jacobo Waiselfisz , autor da pesquisa Mapa da Viol\u00eancia 2006, lembra que as armas de fogo s\u00e3o as principais causas da morte dos jovens brasileiros. \u201cA mortalidade por arma de fogo continua extremamente alta. Uma m\u00e9dia de 102 pessoas morrem todos os dias no pa\u00eds, v\u00edtimas de disparos\u201d, explica o pesquisador. <\/p>\n<p>Mas ele destaca que a campanha do desarmamento teve efeitos positivos para a redu\u00e7\u00e3o de mortes. A tend\u00eancia hist\u00f3rica de crescimento dos assassinatos parou em 2004, quando o n\u00famero de homic\u00eddios caiu 5,3% com rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. No Distrito Federal, essa tend\u00eancia se confirmou. O n\u00famero de assassinatos caiu de 407 para 374 no mesmo per\u00edodo. \u201cA campanha de desarmamento e o recolhimento de armas tiveram reflexos imediatos na redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices\u201d, explica Julio Jacobo. <\/p>\n<p><strong>Perda <\/strong><\/p>\n<p>Sete anos n\u00e3o foram suficientes para fazer o publicit\u00e1rio Francisco R\u00e9gis Lopes, 42 anos, superar a morte do irm\u00e3o. Em 10 de fevereiro de 1999, o estudante Maur\u00edcio Dartagnan Ferreira Lopes, 17, foi assassinado. O jovem conversava com amigos na 315 Sul quando Jorge da Silva J\u00fanior, 19, anunciou o assalto. Maur\u00edcio n\u00e3o teve tempo de descer da bicicleta \u2014 levou dois tiros no peito e morreu no local. \u201cCostumamos pensar que esse tipo de situa\u00e7\u00e3o nunca vai acontecer na nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia. Mas o fato \u00e9 que a viol\u00eancia est\u00e1 cada dia maior e atinge jovens de todas as cidades do DF\u201d, diz Francisco. <\/p>\n<p>Um ano antes de o irm\u00e3o ser assassinado, o publicit\u00e1rio sofreu com a morte do pai. Pensava conhecer bem a dor de perder um ente querido. \u201cMas quando o Maur\u00edcio morreu, vi que n\u00e3o tinha aprendido nada. Eu o vi nascer, ele ainda aproveitava a juventude quando foi assassinado. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel\u201d, desabafa. \u201c\u00c0s vezes, penso que os jovens s\u00e3o as grandes v\u00edtimas da viol\u00eancia porque eles se exp\u00f5em mais. T\u00eam sede de viver, est\u00e3o sempre nas ruas\u201d, explica Francisco. <\/p>\n<p>O diretor da OEI no Brasil, Daniel Gonz\u00e1lez, diz que o estudo sobre a viol\u00eancia entre os jovens \u00e9 importante para o governo tra\u00e7ar diretrizes para resolver o problema. \u201cO levantamento \u00e9 essencial para ajudar o governo a definir as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, explica Gonz\u00e1lez. O secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Jarbas Barbosa, lembra que a viol\u00eancia, al\u00e9m de levar a vida dos jovens, tem custo alt\u00edssimo para os cofres p\u00fablicos. \u201cO sistema de sa\u00fade fica sobrecarregado\u201d, explica. Segundo ele, os dados da OEI ser\u00e3o \u00fateis para melhorias no sistema de sa\u00fade e nas pol\u00edticas do governo. \u201cO estudo vai ajudar que as pol\u00edticas p\u00fablicas sejam mais embasadas e, portanto, mais efetivas.\u201d <\/p>\n<p><strong>Helena Mader e Carolina Caraballo<\/strong> <\/p>\n<p><strong>Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9200"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9200\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}