{"id":9160,"date":"2006-11-06T09:10:56","date_gmt":"2006-11-06T11:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/mundo-perdeu-dez-anos-ao-ignorar-mudanca-do-clima\/"},"modified":"2006-11-06T09:10:56","modified_gmt":"2006-11-06T11:10:56","slug":"mundo-perdeu-dez-anos-ao-ignorar-mudanca-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/mundo-perdeu-dez-anos-ao-ignorar-mudanca-do-clima\/","title":{"rendered":"Mundo perdeu dez anos ao ignorar mudan\u00e7a do clima"},"content":{"rendered":"<p><em>Chefe do programa ambiental da ONU e anfitri\u00e3o de reuni\u00e3o sobre clima que come\u00e7a hoje diz que era de medidas simb\u00f3licas acabou e que Brasil virou parte do problema <\/em><\/p>\n<p>REPRESENTANTES DE 180 pa\u00edses se re\u00fanem a partir de hoje em Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, para negociar uma extens\u00e3o do Protocolo de Kyoto, o acordo internacional contra as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa que expira em 2012. O anfitri\u00e3o do encontro \u00e9 um alem\u00e3o de 45 anos que nasceu e passou sua inf\u00e2ncia numa fazenda em Carazinho (RS): Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente.<\/p>\n<p>O encontro, a 12\u00aa COP (Confer\u00eancia das Partes) da Conven\u00e7\u00e3o do Clima da ONU, acontece num momento em que o aquecimento global parece ter ocupado um lugar de destaque no imagin\u00e1rio do p\u00fablico, tanto com o sucesso do filme &#8220;Uma Verdade Inconveniente&#8221;, do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, quanto com novas evid\u00eancias de que o fen\u00f4meno j\u00e1 est\u00e1 acontecendo e ter\u00e1 impactos econ\u00f4micos graves. <\/p>\n<p>A \u00faltima delas foi o relat\u00f3rio divulgado pelo governo brit\u00e2nico na semana passada, que mostra que em 2050 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica poder\u00e1 ter reduzido o PIB global em at\u00e9 20%. <\/p>\n<p>J\u00e1 passava da hora, diz Steiner, ambientalista que deixou a chefia da IUCN (Uni\u00e3o Mundial para a Conserva\u00e7\u00e3o) para assumir o Pnuma em junho. <\/p>\n<p>&#8220;Acredito que o mundo perdeu dez anos por n\u00e3o levar a quest\u00e3o das emiss\u00f5es t\u00e3o a s\u00e9rio.&#8221; Esses dez anos &#8220;v\u00e3o nos custar muito&#8221;, afirma, porque as emiss\u00f5es de carbono (o principal g\u00e1s de efeito estufa) cresceram, inclusive em pa\u00edses pobres como a China e a \u00cdndia. <\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Folha na sede do Pnuma, em Nair\u00f3bi, Steiner criticou os ambientalistas e elogiou o programa brasileiro de etanol. Leia a seguir: <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; Que decis\u00f5es pr\u00e1ticas se pode esperar do evento sobre clima que come\u00e7a hoje?  <\/strong>ACHIM STEINER &#8211; N\u00f3s estamos em um processo sem precedentes de negocia\u00e7\u00f5es intensas sobre como lidar com o fen\u00f4meno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O encontro em Nair\u00f3bi dever\u00e1 criar as condi\u00e7\u00f5es para as negocia\u00e7\u00f5es sobre o que ir\u00e1 acontecer a partir de 2012. Uma quest\u00e3o importante ser\u00e1 adapta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida de que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o ocorrendo. O ritmo e a escala das altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o de uma magnitude t\u00e3o grande que os pa\u00edses t\u00eam que aceitar, agora, que o amanh\u00e3 n\u00e3o ser\u00e1 como o ontem e que, da agricultura \u00e0 infraestrutura, eles precisam pensar em um mundo no qual mudan\u00e7as clim\u00e1ticas alteraram no\u00e7\u00f5es fundamentais sobre o clima. Como se adaptar a essas mudan\u00e7as \u00e9 uma quest\u00e3o central em Nair\u00f3bi. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; Existe a chance de este ser apenas um encontro simb\u00f3lico?  <\/strong>STEINER &#8211; O tempo para simbolismos acabou. Este encontro acontece em um momento no qual o reconhecimento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atingiu os mais altos n\u00edveis. Existe a quest\u00e3o da heran\u00e7a hist\u00f3rica das emiss\u00f5es de carbono dos pa\u00edses industrializados, mas precisamos pensar que o futuro ser\u00e1 diferente, porque um pa\u00eds como a China, por exemplo, \u00e9 hoje o terceiro maior emissor de carbono. Pa\u00edses como o Brasil e a \u00cdndia, com uma ind\u00fastria emergente, s\u00e3o agora parte do problema das emiss\u00f5es. A grande dificuldade em lidar com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 a implica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do que chamamos mitiga\u00e7\u00e3o. Nair\u00f3bi \u00e9 o \u00faltimo encontro antes de um processo de negocia\u00e7\u00e3o sobre o que se far\u00e1 a partir de 2012. Se n\u00e3o for um passo \u00e0 frente, todo o processo atrasar\u00e1. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; Alguns cientistas dizem que n\u00f3s atingimos um ponto sem retorno no clima mundial. Ainda \u00e9 poss\u00edvel evitar o pior?  <\/strong>STEINER &#8211; Claro que sim. Podemos dizer que em algumas \u00e1reas n\u00f3s atingimos um est\u00e1gio sem volta ao concluir que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ir\u00e3o levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies e \u00e0 perda de h\u00e1bitats. Por causa das varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, n\u00f3s n\u00e3o poderemos mais utilizar parte das zonas costeiras que antes consider\u00e1vamos perfeitamente pass\u00edveis de desenvolvimento. Apesar disto, n\u00e3o estamos em um n\u00edvel no qual o mundo est\u00e1 condenado. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; Qual a import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia para evitar o aquecimento global?  <\/strong>STEINER &#8211; Por si s\u00f3, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. Como &#8220;o pulm\u00e3o da terra&#8221;, como j\u00e1 foi chamada, a Amaz\u00f4nia continua a reunir os tr\u00eas elementos mais significantes que o planeta tem, com sua capacidade de seq\u00fcestro de carbono, biodiversidade e suas fun\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias do clima. O futuro da Amaz\u00f4nia \u00e9 absolutamente importante, talvez mais do que se pensava h\u00e1 dez ou quinze anos. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; H\u00e1 alguns meses um grupo de empres\u00e1rios ingleses, e mais recentemente um ministro brit\u00e2nico, aventaram a id\u00e9ia de privatizar a Amaz\u00f4nia como forma de salv\u00e1-la do desmatamento. O sr. concorda?  <\/strong>STEINER &#8211; Tr\u00eas quest\u00f5es fundamentais est\u00e3o em jogo aqui. A primeira \u00e9 a soberania. A segunda quest\u00e3o \u00e9 at\u00e9 que ponto os instrumentos de mercado e esquemas de privatiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o a forma mais eficiente de proteger a floresta. Em terceiro lugar, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 apenas um peda\u00e7o de terra com \u00e1rvores em cima. Ela \u00e9 parte de uma economia, para as comunidades locais, para o setor agr\u00edcola brasileiro e at\u00e9 mesmo para toda a economia do pa\u00eds. Eu considero simplista a id\u00e9ia de &#8220;comprar e cercar&#8221;. Ela n\u00e3o resolver\u00e1 o problema. Mas os donos de terra e empres\u00e1rios podem ter um papel importante em expandir as possibilidades de proteger a Amaz\u00f4nia? Claro que sim. N\u00f3s aprendemos no s\u00e9culo 20 que o sonho ambientalista de proteger os recursos naturais do planeta afastando as pessoas e evitando seu uso \u00e9 um conceito ultrapassado. N\u00f3s precisamos criar solu\u00e7\u00f5es mais inteligentes. H\u00e1 muitas maneiras de usar a Amaz\u00f4nia mantendo a integridade de seu ecossistema. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; A passagem para um modelo economicamente sustent\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1 sendo muito lenta?  <\/strong>STEINER &#8211; Estamos sendo muito lentos, estamos permitindo que os menores denominadores comuns nos limitem, n\u00e3o estamos levando suficientemente a s\u00e9rio as evid\u00eancias \u00e0 nossa frente, tudo isso \u00e9 verdade. Mas os ambientalistas tamb\u00e9m t\u00eam sido muito lentos em reconhecer que o ambiente n\u00e3o \u00e9 algo intrinsecamente superior a outros valores e prioridades no planeta. Alimenta\u00e7\u00e3o, sobreviv\u00eancia, religi\u00e3o, cultura, aspira\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, todas as coisas que n\u00f3s, como sociedade, valorizamos. A preserva\u00e7\u00e3o do ambiente n\u00e3o pode se justificar apenas pelo argumento da \u00e9tica ou da import\u00e2ncia biol\u00f3gica. Precisamos utilizar nosso conhecimento ambiental para dar o benef\u00edcio da vari\u00e1vel econ\u00f4mica \u00e0s pessoas que precisam fazer a dif\u00edcil escolha de onde investir, o que utilizar ou n\u00e3o utilizar. Uma das raz\u00f5es de tanta demora \u00e9 o fato de que, se eu investir em proteger meus recursos naturais, eu carrego o custo, mas os benef\u00edcios ser\u00e3o globais. Por isso, o ambiente se tornou, mais do que qualquer outra \u00e1rea, uma quest\u00e3o globalizada. Em termos de intelig\u00eancia humana, o tempo que estamos demorando \u00e9 frustrante. Em termos hist\u00f3ricos, 20 ou 30 anos para levar 192 na\u00e7\u00f5es a uma a\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 um per\u00edodo incrivelmente curto. \u00c9 preciso ser um realista pragm\u00e1tico para n\u00e3o se desiludir. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; O Brasil tem desenvolvido um programa de biocombist\u00edveis com sucesso. Isso pode ser tomado com um exemplo global?  <\/strong>STEINER &#8211; O Brasil fez duas coisas que s\u00e3o imensamente importantes. Tem uma pol\u00edtica de promo\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis alternativos de longo prazo. Essa pol\u00edtica se pagou, pois o Brasil \u00e9 hoje um dos l\u00edderes no uso de etanol. Al\u00e9m disso, o Brasil fez outra coisa muito importante: popularizou o uso de m\u00faltiplos combust\u00edveis na tecnologia que os ve\u00edculos t\u00eam, fazendo com que os usu\u00e1rios n\u00e3o precisem fazer a escolha de abandonar a gasolina. O motor flex \u00e9 uma id\u00e9ia brilhante. O que o Brasil demonstrou com este exemplo \u00e9 a possibilidade de gerar um mercado para um novo combust\u00edvel, com medidas que obriguem montadoras a oferecer autom\u00f3veis flex. Na Europa, nem sequer conseguimos fazer algumas montadoras inclu\u00edrem filtros de part\u00edculas em seus motores a diesel. <\/p>\n<p><strong> FOLHA &#8211; Algumas pessoas j\u00e1 chamam os biocombust\u00edveis de &#8220;a gasolina do desmatamento&#8221;&#8230;  <\/strong>STEINER &#8211; Mais do que dizer que os biocombust\u00edveis s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com o ambiente, temos que trabalhar para descobrir como faz\u00ea-los parte da solu\u00e7\u00e3o. Qualquer pessoa que diga que [biocombust\u00edveis] s\u00e3o o nirvana do futuro est\u00e1 passando a mensagem errada. Mas, da mesma forma, eu n\u00e3o desencorajo a procura de novas op\u00e7\u00f5es aos combust\u00edveis tradicionais. Esta \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o bastante real. Se temos mostrado que podemos mudar padr\u00f5es n\u00e3o-sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial, vamos ent\u00e3o trazer o melhor da ci\u00eancia, engenharia e ger\u00eancia de ecossistemas para achar um crit\u00e9rio que seja uma solu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; H\u00e1 progresso no combate ao desmatamento na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono?  <\/strong>STEINER &#8211; Acredito que o mundo perdeu dez anos por n\u00e3o levar a quest\u00e3o das emiss\u00f5es t\u00e3o a s\u00e9rio. Esses dez anos v\u00e3o nos custar muito, porque poder\u00edamos ter reduzido muito mais [as emiss\u00f5es] se tiv\u00e9ssemos uma estrutura, um sistema, no qual nos basear. As emiss\u00f5es est\u00e3o crescendo de maneira fenomenal, especialmente na China e na \u00cdndia. Se tiv\u00e9ssemos agido antes, poder\u00edamos ter evitado parte das emiss\u00f5es dos \u00faltimos dez ou 20 anos. O maior problema \u00e9 competi\u00e7\u00e3o. Os mercados se ajustam a pre\u00e7os mais altos do petr\u00f3leo porque todos os pa\u00edses enfrentam as mesmas condi\u00e7\u00f5es. Precisamos fazer o mesmo com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e mitiga\u00e7\u00e3o. Precisamos criar um regime em que pelo menos seja menos prov\u00e1vel que um pa\u00eds sofra desvantagens econ\u00f4micas por reduzir suas emiss\u00f5es. Sobre desmatamento, o Brasil \u00e9 um bom exemplo. Nos \u00faltimos cinco anos, a Amaz\u00f4nia passou primeiro por desmatamento acelerado, mas houve um reconhecimento do car\u00e1ter dram\u00e1tico do que ocorria e medidas s\u00e9rias foram tomadas. Isso prova que os governos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de agir. <\/p>\n<p><strong>FOLHA &#8211; No Brasil, muita gente acredita que proteger o meio ambiente custa desenvolvimento.  <\/strong>STEINER &#8211; Se o crescimento econ\u00f4mico do Brasil tivesse sido de 10% nos \u00faltimos 15 anos, eu concordaria. O crescimento econ\u00f4mico do Brasil n\u00e3o foi prejudicado pela regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental. Eu desafiaria economistas a fazer essa conex\u00e3o preto no branco, n\u00e3o s\u00f3 postular uma hip\u00f3tese. Se voc\u00ea investe em recursos ambientais sustent\u00e1veis, pode ter um retorno econ\u00f4mico tremendo. Mas essa conex\u00e3o nunca \u00e9 feita. <\/p>\n<p>Olhe o exemplo de um pa\u00eds como o Qu\u00eania, que teve arrecada\u00e7\u00e3o tur\u00edstica recorde neste ano. Foram US$ 700 milh\u00f5es, a maior arrecada\u00e7\u00e3o externa do pa\u00eds. Ningu\u00e9m est\u00e1 fazendo a conex\u00e3o de que a raz\u00e3o para o turismo ter se desenvolvido tanto \u00e9 porque o pa\u00eds, nos \u00faltimos 30 anos, investiu em suas \u00e1reas protegidas, nas zonas costeiras, na preserva\u00e7\u00e3o de seus animais silvestres. Foi a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos bens naturais do pa\u00eds que fez do turismo sua maior fonte de renda externa. <\/p>\n<p>No Brasil h\u00e1 dois fen\u00f4menos. H\u00e1 aqueles que se beneficiam do sistema econ\u00f4mico atual e n\u00e3o t\u00eam muito interesse em mudar os par\u00e2metros que trariam novas ind\u00fastrias, novas formas de gerenciar o solo e novas tecnologias. Simplesmente por que a mudan\u00e7a amea\u00e7a o controle do mercado. Esta \u00e9 a tradicional no\u00e7\u00e3o do interesse n\u00e3o-leg\u00edtimo, e algu\u00e9m precisa explicar porque tantas pessoas em posi\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica nem sempre s\u00e3o grandes reformadores. Eles se beneficiam dos atuais mecanismos. O discurso p\u00fablico \u00e9 dominado por pessoas que se beneficiam do status quo. <\/p>\n<p>Em segundo lugar, \u00e9 preciso criar exemplos de sucesso. At\u00e9 que o Brasil invista em demonstrar os benef\u00edcios econ\u00f4micos que derivam de seus ecossistemas ser\u00e1 muito dif\u00edcil competir na c\u00fapula do governo, ou no debate econ\u00f4mico, porque n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias. Se o Brasil investir em capturar o valor econ\u00f4mico dos ecossistemas ou de modelos de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, e h\u00e1 pessoas trabalhando para isso, os termos do debate e a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica ir\u00e3o mudar.<\/p>\n<p><strong>ANA FLOR<\/strong>   <\/p>\n<p><strong>Folha de S. Paulo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}