{"id":9071,"date":"2006-10-13T09:43:22","date_gmt":"2006-10-13T12:43:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/escola-tecnica-tambem-tera-cotas\/"},"modified":"2006-10-13T09:43:22","modified_gmt":"2006-10-13T12:43:22","slug":"escola-tecnica-tambem-tera-cotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/escola-tecnica-tambem-tera-cotas\/","title":{"rendered":"Escola t\u00e9cnica tamb\u00e9m ter\u00e1 cotas"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do governo federal \u00e9 reduzir elitiza\u00e7\u00e3o na rede que tem algumas das melhores institui\u00e7\u00f5es de ensino do Pa\u00eds <\/p>\n<p>O governo federal quer instituir o sistema de cotas nas escolas t\u00e9cnicas. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 diminuir a elitiza\u00e7\u00e3o do ensino t\u00e9cnico que tem algumas das melhores escolas de n\u00edvel m\u00e9dio do Pa\u00eds. Diferentemente do restante da rede p\u00fablica, as t\u00e9cnicas n\u00e3o t\u00eam vagas suficientes para atender \u00e0 demanda. Os chamados vestibulinhos chegam a registrar mais de 15 candidatos por vaga em algumas \u00e1reas.<\/p>\n<p>&#8216;Muitas vezes, o aluno que fez o ensino fundamental na rede particular ganha na sele\u00e7\u00e3o&#8217;, diz o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), Eliezer Pacheco. Ocorre que muitos alunos de classe mais alta n\u00e3o est\u00e3o interessados em uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mas optam pela escola pela boa qualidade do ensino.<\/p>\n<p>No \u00faltimo Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) os alunos dos Centros Federais de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Cefets) tiveram algumas das melhores notas do Pa\u00eds. Os Cefets do Cear\u00e1, Paran\u00e1, Santa Catarina e Roraima, por exemplo, foram os primeiros colocados comparados a todas as escolas de ensino m\u00e9dio de seus Estados. Em 18 dos 22 Estados onde h\u00e1 escolas t\u00e9cnicas federais, elas est\u00e3o entre as dez melhores nos rankings do Enem. O desempenho pode ser justificado pelo forte investimento em capacita\u00e7\u00e3o de professores e estrutura.<\/p>\n<p>O sistema federal de ensino t\u00e9cnico \u00e9 menor que os sistemas regionais. O Brasil tem 705 mil alunos nesse tipo de forma\u00e7\u00e3o e apenas 83.610 est\u00e3o em escolas federais como Cefets e Escolas T\u00e9cnicas Federais (ETFs). S\u00e3o 167 escolas mantidas pela Uni\u00e3o ante 5.009 pelos Estados. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira entende o ensino t\u00e9cnico como de n\u00edvel m\u00e9dio, apesar de o aluno ter de cursar previamente ou concomitantemente o ensino m\u00e9dio para se formar.<\/p>\n<p>As cotas para esse tipo de forma\u00e7\u00e3o, apesar de at\u00e9 agora n\u00e3o terem surgido no debate nacional como o que ocorreu para reserva de vagas nas universidades, fazem parte do projeto de lei que aguarda vota\u00e7\u00e3o no Congresso. Se for aprovado, as cotas passam a valer apenas no sistema federal, com 50% das vagas destinadas a alunos que cursaram integralmente a rede p\u00fablica. A parte reservada a negros e \u00edndios seguir\u00e1 a porcentagem dessa popula\u00e7\u00e3o em cada Estado.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 h\u00e1 experi\u00eancias isoladas de a\u00e7\u00f5es afirmativas na rede t\u00e9cnica. Uma das mais antigas \u00e9 a do Cefet do Rio Grande do Norte, em que metade das vagas s\u00e3o disputadas apenas por alunos que cursaram escola p\u00fablica. Antes de serem avaliados, no entanto, eles passam por uma esp\u00e9cie de refor\u00e7o em disciplinas de portugu\u00eas, matem\u00e1tica e cidadania, promovido pelo pr\u00f3prio Cefet. A outra metade das vagas \u00e9 oferecida por meio de um exame convencional, com concorr\u00eancia que chega a 20 candidatos por vaga. Segundo o diretor Francisco das Chagas Fernandes, desde que o sistema come\u00e7ou, em 1995, aumentou de 30% para 70% o \u00edndice de alunos vindos da rede p\u00fablica na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8216;A sociedade oferece poucas oportunidades para um aluno de escola p\u00fablica e aqui se tem um ensino de \u00f3tima qualidade que n\u00e3o encontramos em outra escola&#8217;, diz Igor Luis, de 18 anos, que estuda no Cefet RN e foi beneficiado pelo programa.<\/p>\n<p>Nas unidades de Cefet no Rio tamb\u00e9m h\u00e1 uma prova espec\u00edfica para estudantes de escola p\u00fablica. Segundo o diretor Luiz Caldas, o desempenho dos alunos depois do ingresso \u00e9 semelhante ao do restante. No Cefet Rio atualmente cerca de 30% dos alunos s\u00e3o de fam\u00edlias com at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>MENOS CONCORR\u00caNCIA EM SP<\/p>\n<p>&#8216;Uma pol\u00edtica de cotas faz sentido no sistema federal, que tem poucas vagas, mas n\u00e3o no estadual&#8217;, diz o educador Marcos Monteiro, do Conselho Estadual da Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e durante dez anos diretor do Centro Paula Souza, respons\u00e1vel pelo ensino t\u00e9cnico no Estado. S\u00e3o Paulo tem cerca de 80 mil alunos em ensino t\u00e9cnico e cerca de 50 mil novas vagas por ano. Cerca de 70% dos alunos que ingressam nas escolas paulistas s\u00e3o de fam\u00edlias que recebem entre um e cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos. A concorr\u00eancia \u00e9 de dois ou tr\u00eas alunos por vaga. Em vez de cotas, alunos que cursaram o ensino fundamental na rede p\u00fablica e negros ganham b\u00f4nus na sele\u00e7\u00e3o, desde 2005.<\/p>\n<p>Para Monteiro, a quest\u00e3o da elitiza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser resolvida no Estado com a separa\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio e do t\u00e9cnico dentro das institui\u00e7\u00f5es, a partir de uma lei federal de 1998. Assim, o governo p\u00f4de investir apenas em abrir vagas no ensino t\u00e9cnico e ele se tornou menos concorrido.<\/p>\n<p>Mas a lei foi mudada em 2004 pelo governo Lula. Ela agora incentiva a jun\u00e7\u00e3o do ensino t\u00e9cnico e do ensino m\u00e9dio dentro das escolas. Para o MEC, as institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o assim atrair alunos de mais baixa renda e que estejam realmente interessados na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. <\/p>\n<p><strong>Renata Cafardo <\/strong>  <\/p>\n<p><strong>O Estado de S. Paulo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-9071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}