{"id":8980,"date":"2006-09-14T11:42:26","date_gmt":"2006-09-14T14:42:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/perita-do-inss-e-morta-apos-denuncia\/"},"modified":"2006-09-14T11:42:26","modified_gmt":"2006-09-14T14:42:26","slug":"perita-do-inss-e-morta-apos-denuncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/perita-do-inss-e-morta-apos-denuncia\/","title":{"rendered":"Perita do INSS \u00e9 morta ap\u00f3s den\u00fancia"},"content":{"rendered":"<p>Chefe de per\u00edcia m\u00e9dica em Governador Valadares, de 56 anos, levou 3 tiros; ela apontava riscos de agress\u00e3o no trabalho&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp; A chefe do servi\u00e7o de per\u00edcia m\u00e9dica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Governador Valadares (MG) foi assassinada com tr\u00eas tiros ontem. Maria Cristina Felipe da Silva, de 56 anos, foi morta na porta de casa. <\/p>\n<p>Segundo testemunhas, por volta das 8h30, ela manobrava o carro quando um homem numa bicicleta come\u00e7ou a atirar. Maria Cristina morreu em seguida, num pronto-socorro. At\u00e9 o final da tarde de ontem, nenhum suspeito havia sido preso. <\/p>\n<p>A pol\u00edcia trabalhou inicialmente com a hip\u00f3tese de latroc\u00ednio (homic\u00eddio com objetivo de roubo), logo descartada, j\u00e1 que nada da m\u00e9dica foi levado. Os policiais agora acreditam que o assassinato foi motivado por causa da fun\u00e7\u00e3o de Maria Cristina no INSS. &#8220;Est\u00e1 parecendo execu\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou o delegado R\u00f4mulo Quintino, da Pol\u00edcia Civil. <\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal tamb\u00e9m entrou no caso. <\/p>\n<p>O trabalho de um m\u00e9dico perito do INSS \u00e9 conceder ou n\u00e3o o aux\u00edlio-doen\u00e7a, uma esp\u00e9cie de sal\u00e1rio tempor\u00e1rio pago pelo governo enquanto a pessoa n\u00e3o pode trabalhar por causa de um problema de sa\u00fade. Os segurados se revoltam quando o benef\u00edcio n\u00e3o \u00e9 concedido ou \u00e9 cancelado, o que ocorre em 20% das per\u00edcias. A viol\u00eancia pode ser verbal ou f\u00edsica.DOSSI\u00ca E ALERTA <\/p>\n<p>O INSS j\u00e1 havia sido alertado para a imin\u00eancia de uma morte. No in\u00edcio de junho, representantes da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Peritos da Previd\u00eancia (ANMP) levaram ao presidente do INSS e ao ministro da Previd\u00eancia Social um dossi\u00ea a respeito da falta de seguran\u00e7a no trabalho. Por meio de uma enquete realizada neste ano, a entidade ouviu 550 m\u00e9dicos e constatou que 93% j\u00e1 haviam sido insultados por segurados e que 26% haviam sido v\u00edtimas de algum tipo de agress\u00e3o f\u00edsica. <\/p>\n<p>Esse levantamento foi publicado pelo Estado no dia 9 de julho. &#8220;Logo vamos ter uma morte&#8221;, disse, na \u00e9poca, o presidente da ANMP, Eduardo Rodrigues de Almeida. Ontem, a caminho do vel\u00f3rio de Maria Cristina, Almeida lembrou a reportagem: &#8220;Viu que, infelizmente, eu tinha raz\u00e3o? O governo \u00e9 negligente, recusa-se a aceitar que nossa atividade \u00e9 de risco. Acha que estamos brincando&#8221;. <\/p>\n<p>Segundo os peritos, a explos\u00e3o da viol\u00eancia tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com o fim das per\u00edcias terceirizadas. At\u00e9 fevereiro deste ano, m\u00e9dicos particulares tamb\u00e9m atendiam em seus consult\u00f3rios e recebiam do INSS por per\u00edcia. Alguns concediam ou renovavam o benef\u00edcio s\u00f3 para receber pela per\u00edcia seguinte. Agora atendem apenas os m\u00e9dicos concursados. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de aux\u00edlios-doen\u00e7a concedidos tem ca\u00eddo, o que desagradou a muitos segurados. <\/p>\n<p>As agress\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o freq\u00fcentes que os peritos criaram na internet um site de acesso restrito em que relatam suas experi\u00eancias (leia depoimentos ao lado).MUDAN\u00c7AS <\/p>\n<p>No in\u00edcio de setembro, para tentar reduzir a viol\u00eancia, o INSS tirou dos laudos a assinatura do m\u00e9dico perito e p\u00f4s a do presidente do instituto. O objetivo \u00e9 fazer o segurando entender que o benef\u00edcio \u00e9 dado ou negado por um ato institucional do INSS, n\u00e3o por uma decis\u00e3o pessoal do m\u00e9dico. <\/p>\n<p>A medida n\u00e3o foi suficiente para garantir a seguran\u00e7a dos peritos. Na \u00faltima segunda-feira, houve dois graves casos de agress\u00e3o em Salvador. No pior deles, uma segurada que havia recebido um laudo desfavor\u00e1vel despejou uma garrafa de \u00e1lcool contra a m\u00e9dica que a havia atendido. Ele chegou a riscar um f\u00f3sforo, mas foi contida a tempo por um seguran\u00e7a. <\/p>\n<p>Agora o INSS pretende deixar de entregar na ag\u00eancia o resultado da per\u00edcia e passar a envi\u00e1-lo pelo correio \u00e0 casa do segurado. Isso reduziria o risco de agress\u00f5es. A mudan\u00e7a, que, segundo os peritos, estava prometida para agosto, deve ocorrer ainda neste m\u00eas.DEN\u00daNCIAS <\/p>\n<p>Maria Cristina era uma das delegadas mais atuantes da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Peritos da Previd\u00eancia. Em junho, ela denunciou a falta de seguran\u00e7a dos m\u00e9dicos peritos na regi\u00e3o leste de Minas Gerais. Em entrevistas a emissoras de TV da regi\u00e3o, ela cobrava mais &#8220;seguran\u00e7a policial&#8221; para os peritos. Um dos \u00faltimos casos denunciados por ela foi o de uma m\u00e9dica da cidade vizinha de Tim\u00f3teo amea\u00e7ada dentro do consult\u00f3rio por um segurado armado com um rev\u00f3lver. <\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Peritos diz n\u00e3o ter d\u00favidas de que o assassinato tem rela\u00e7\u00e3o com o trabalho dela no INSS. &#8220;Ela era uma mulher de 56 anos, bem casada, com quatro filhos. Sua \u00fanica atividade profissional era na per\u00edcia m\u00e9dica&#8221;, afirma o vicepresidente da ANMP, Luiz Carlos Argolo. &#8220;Estamos no olho do furac\u00e3o. N\u00f3s, os m\u00e9dicos peritos, muitas vezes contrariamos os interesses de muitas pessoas e at\u00e9 de quadrilhas que fraudam o INSS.&#8221; O vel\u00f3rio de Maria Cristina estava marcado para o in\u00edcio da noite de ontem, em Governador Valadares. COLABOROU ALVARO FIGUEIREDO, ESPECIAL PARA O ESTADOM\u00e9dicos param em todo o Pa\u00eds por mais seguran\u00e7a <\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p>Ontem, mesmo dia em que uma funcion\u00e1ria que denunciava agress\u00f5es no trabalho foi assassinada em Governador Valadares (MG), m\u00e9dicos peritos do INSS deram in\u00edcio a uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional em protesto contra a falta de seguran\u00e7a. A greve, organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Peritos da Previd\u00eancia (ANMP), deveria durar dois dias. <\/p>\n<p>O protesto vinha sendo discutido havia algumas semanas e, por coincid\u00eancia, ocorreu no dia em que Maria Cristina Felipe da Silva foi assassinada. Por causa da morte, a paralisa\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o terminar hoje, como estava previsto. &#8220;Precisamos agora voltar a conversar com a categoria para saber que posi\u00e7\u00e3o tomar&#8221;, afirma o presidente da ANMP, Eduardo Rodrigues de Almeida. <\/p>\n<p>Segundo a ANMP, n\u00e3o trabalharam ontem 90% dos 4,7 mil peritos do INSS. Segundo a entidade, a paralisa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou aos 100% porque muitos m\u00e9dicos ainda est\u00e3o na fase de est\u00e1gio probat\u00f3rio, isto \u00e9, ainda n\u00e3o t\u00eam estabilidade no cargo. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ontem, o INSS entrou na Justi\u00e7a contra a ANMP. <\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, o instituto argumenta que a paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 ilegal e abusiva, exige a volta imediata ao trabalho e pede uma multa de R$ 100 por per\u00edcia n\u00e3o realizada. O INSS tamb\u00e9m amea\u00e7a descontar do sal\u00e1rio dos funcion\u00e1rios as horas n\u00e3o trabalhadas. Por m\u00eas, os m\u00e9dicos realizam cerca de 500 mil per\u00edcias em todo o Pa\u00eds. <\/p>\n<p><strong>Ricardo Westin e Eduardo Kattah <\/strong>  <\/p>\n<p><strong>O Estado de S. Paulo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}