{"id":8804,"date":"2006-07-28T11:44:39","date_gmt":"2006-07-28T14:44:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/entrevista-paulo-lacerda-eficiencia-sem-estrelismo\/"},"modified":"2006-07-28T11:44:39","modified_gmt":"2006-07-28T14:44:39","slug":"entrevista-paulo-lacerda-eficiencia-sem-estrelismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/entrevista-paulo-lacerda-eficiencia-sem-estrelismo\/","title":{"rendered":"Entrevista Paulo Lacerda: Efici\u00eancia sem estrelismo"},"content":{"rendered":"<p><em>Pol\u00edcia Federal muda estrat\u00e9gia e aperfei\u00e7oa a\u00e7\u00e3o com pris\u00f5es de impacto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Pol\u00edcia Federal tem hoje a cara da PF e n\u00e3o mais a dos delegados que conduzem as investiga\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio de um passado recente, os delegados e o pr\u00f3prio diretor-geral da PF n\u00e3o aparecem na m\u00eddia e s\u00e3o pouco conhecidos pela popula\u00e7\u00e3o. O atual diretor-geral da institui\u00e7\u00e3o, Paulo Lacerda, \u00e9 avesso \u00e0 m\u00eddia. Numa das raras vezes que concedeu entrevista, desde que assumiu em 2003, Lacerda disse ao Caderno Bras\u00edlia que o \u00f3rg\u00e3o deixou de ser uma caixa-preta e mudou a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00eddia, mas evitando a superexposi\u00e7\u00e3o dos delegados da PF. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prova disso \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de alguns dos seus antecessores, Lacerda n\u00e3o tem ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Romeu Tuma, por exemplo, que foi diretor-geral de 1985 a 1992, elegeu-se senador por S\u00e3o Paulo por causa da sua grande exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia durante sua gest\u00e3o. Dois diretores no Governo Fernando Henrique Cardoso, Vicente Chelotti e Ag\u00edlio Monteiro Filho, candidataram-se a deputado em 2002. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lacerda garante ainda, que, apesar das cr\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para interfer\u00eancias pol\u00edticas na PF. Den\u00fancias de uso pol\u00edtico da PF s\u00e3o recorrentes. No Governo Itamar Franco, quando o diretor-geral do \u00f3rg\u00e3o era o coronel Wilson Rom\u00e3o, houve o caso da conta-fantasma aberta em nome de Hugo Tavares Freire Filho, no Citibank de Salvador, que movimentou cerca de US$ 4 milh\u00f5es no per\u00edodo da elei\u00e7\u00e3o que levou Antonio Carlos Magalh\u00e3es ao Governo da Bahia. A PF tinha informa\u00e7\u00f5es que ligavam a conta \u00e0 campanha do governador, mas n\u00e3o conseguia avan\u00e7ar na investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para comandar o inqu\u00e9rito, foi designado para Salvador o delegado Roberto das Chagas Monteiro, um dos mais qualificados da PF, que obteve a c\u00f3pia do cheque que abriu a conta. Menos de 24 horas depois, Monteiro foi afastado do caso. Rom\u00e3o teria reagido a um amea\u00e7ador telefonema de ACM, exigindo o afastamento. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1993, tamb\u00e9m no Governo Itamar, outro diretor-geral do \u00f3rg\u00e3o, Amaury Galdino, foi acusado de ter usado um dossi\u00ea contra o ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Maur\u00edcio Corr\u00eaa, que teria recebido doa\u00e7\u00e3o irregular de campanha da comunidade palestina de Bras\u00edlia, quando era candidato ao Senado. Mas a Justi\u00e7a acabou arquivando a den\u00fancia. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No Governo FH, tr\u00eas casos de afastamento de delegados que investigavam casos rumorosos, Deuler Rocha (privatiza\u00e7\u00e3o da Telemar), Deuselino Valadares (Sudam) e Jos\u00e9 Francisco de Castilhos Leite (lavagem de dinheiro por meio de contas CC-5), foram apresentados como exemplos do uso pol\u00edtico da PF.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na atual gest\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fez esse tipo de acusa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 membros do Governo. Quando era ministro da Casa Civil, Jos\u00e9 Dirceu teria dito que a Pol\u00edcia Federal era tucana. Na Opera\u00e7\u00e3o Sentinela, em 2004, por exemplo, Dirceu, o ent\u00e3o l\u00edder do Governo na C\u00e2mara, Professor Luizinho (PT-SP), e o ent\u00e3o ministro da Comunica\u00e7\u00f5es, Eun\u00edcio Oliveira, reclamaram da a\u00e7\u00e3o da PF. A investiga\u00e7\u00e3o foi deflagrada para desarticular uma quadrilha que fraudava licita\u00e7\u00f5es realizadas pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o e atingiu empresas de Eun\u00edcio. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, o PSDB e o PFL acusaram a PF de querer prejudicar a oposi\u00e7\u00e3o. Uma das reclama\u00e7\u00f5es mais recentes \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lista de Furnas, que comprovaria um suposto caixa 2 tucano na estatal. Outra cr\u00edtica \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o sobre as den\u00fancias contra Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu na Casa Civil, que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi conclu\u00edda. A Opera\u00e7\u00e3o Narciso, para apurar crime de sonega\u00e7\u00e3o fiscal da Daslu, a butique mais chique do pa\u00eds, foi apontada pela oposi\u00e7\u00e3o como uma forma de desviar a aten\u00e7\u00e3o das den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o no Governo, j\u00e1 que foi realizada no auge do esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Gente gra\u00fada foi para a cadeia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos \u00faltimos 4 anos, a PF realizou 159 opera\u00e7\u00f5es que resultaram na pris\u00e3o de 2.663 pessoas. Entre elas est\u00e3o ju\u00edzes, ex-governadores, delegados, servidores p\u00fablicos e empres\u00e1rios. O diretor-geral, Paulo Lacerda, destacou que, hoje, os &#8220;homens de sand\u00e1lia&#8221; n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a irem para a cadeia. Em 2003, a Opera\u00e7\u00e3o Anaconda prendeu dois delegados, um agente da PF e quatro empres\u00e1rios. Eles atuavam na intermedia\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as judiciais favor\u00e1veis. No mesmo ano, 53 pessoas foram presas por desvio de dinheiro p\u00fablico com a Opera\u00e7\u00e3o Praga do Egito. Entre eles, estava o ex-governador de Roraima Neudo Campos. J\u00e1 a Opera\u00e7\u00e3o Vampiro, deflagrada em 2004, revelou fraudes na licita\u00e7\u00e3o de hemoderivados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Grandes empres\u00e1rios tamb\u00e9m foram alvo das investiga\u00e7\u00f5es da PF. Mais de 70 pessoas foram presas pela Opera\u00e7\u00e3o Cevada por sonega\u00e7\u00e3o fiscal, que beneficiou a empresa Schincariol em R$ 1 bilh\u00e3o nos \u00faltimos cinco anos. O mesmo aconteceu com a luxuosa loja Daslu, que, conforme as investiga\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m sonegou impostos. Recentemente, a Opera\u00e7\u00e3o Sanguessuga desarticulou uma quadrilha que fraudava a compra de ambul\u00e2ncias com verbas p\u00fablicas. Foram efetuadas 48 pris\u00f5es, entre as quais estavam ex-parlamentares, funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e da C\u00e2mara dos Deputados. <\/p>\n<p>Entrevista &#8211; Paulo Lacerda por Otto Sarkis e Renata Chamarelli <\/p>\n<p><strong>&#8220;Sa\u00edmos da caixa-preta para a superexposi\u00e7\u00e3o institucional&#8221;<\/strong><a title=\"Este link externo ir\u00e1 abrir em nova janela\" href=\"http:\/\/webmail.plugin.com.br\/src\/read_body.php?view_as_html=1&amp;view_unsafe_images=1&amp;mailbox=INBOX&amp;passed_id=249&amp;startMessage=1#\"><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal (PF) t\u00eam mostrado que todos s\u00e3o iguais perante a lei. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. &#8220;Tinha no Brasil a hist\u00f3ria que s\u00f3 o homem de sand\u00e1lia \u00e9 preso. Hoje n\u00e3o, seja quem l\u00e1 for, est\u00e1 sendo alvo de investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lacerda informa que n\u00e3o est\u00e1 garantida sua perman\u00eancia no cargo caso o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva seja reeleito. &#8220;Existe a possibilidade de me aposentar&#8221;, aponta. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O diretor-geral garante ainda que nunca recebeu press\u00e3o para n\u00e3o investigar autoridades do Governo, como os ex-ministros Jos\u00e9 Dirceu e Ant\u00f4nio Palocci. &#8220;N\u00e3o existe mais espa\u00e7o para isso&#8221;, assegura. Lacerda nasceu em An\u00e1polis (GO), tem 60 anos e \u00e9 formado em Direito pela Faculdade C\u00e2ndido Mendes (RJ). Trabalhou quinze anos como banc\u00e1rio, vinte como delegado da Pol\u00edcia Federal e seis como assessor especial no Senado. Ingressou na PF em 1975 e concluiu na Academia Nacional de Pol\u00edcia Federal, em Bras\u00edlia, o curso de delegado, em 1977. Ganhou notoriedade quando presidiu o principal inqu\u00e9rito sobre o esquema PC Farias no Governo Fernando Collor. Foi diretor da Divis\u00e3o de Pol\u00edcia Fazend\u00e1ria da Coordena\u00e7\u00e3o Central de Pol\u00edcia e da Divis\u00e3o de Disciplina da Corregedoria Geral da PF, em Bras\u00edlia; diretor da Divis\u00e3o da PF em Ponta Por\u00e3 (MS); delegado-executivo da PF em Nova Igua\u00e7u (RJ); chefe da Delegacia de Pol\u00edcia Fazend\u00e1ria no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte; e superintendente regional da PF em Rond\u00f4nia. <\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O senhor est\u00e1 se preparando para uma segunda gest\u00e3o de 4 anos? J\u00e1 foi sondado sobre a possibilidade de continuar no cargo se o presidente Lula for reeleito?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o. Eu tenho o compromisso de permanecer na diretoria da Pol\u00edcia Federal at\u00e9 o final deste mandato e n\u00e3o fui sondado sobre isso. Existe a possibilidade de me aposentar. Mas ainda n\u00e3o estou pensando nisso. N\u00e3o planejei nada em rela\u00e7\u00e3o a isso. Vamos deixar as coisas acontecerem. <\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A oposi\u00e7\u00e3o sempre criticou poss\u00edveis interfer\u00eancias pol\u00edticas nas investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal. Uma foi no caso do publicit\u00e1rio Duda Mendon\u00e7a, que foi flagrado em briga de galo e em seguida o delegado respons\u00e1vel foi afastado. Aquilo foi uma press\u00e3o do Governo?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De forma alguma. Aquele caso \u00e9 um exemplo da n\u00e3o-interfer\u00eancia pol\u00edtica, porque o Duda Mendon\u00e7a foi autuado em flagrante e o delegado agiu dentro do \u00e2mbito da sua atribui\u00e7\u00e3o. O que aconteceu foi que posteriormente a essa a\u00e7\u00e3o do delegado, no \u00e2mbito da superintend\u00eancia no Rio de Janeiro, as atitudes dele estavam um tanto quanto midi\u00e1ticas. N\u00e3o houve nenhum tipo de inger\u00eancia nesse per\u00edodo. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>E a investiga\u00e7\u00e3o sobre a Lista de Furnas, continua?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A investiga\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito de Furnas diz respeito a irregularidades na gest\u00e3o da empresa, inicialmente denunciadas pelo Roberto Jefferson. \u00c9 um universo bem mais amplo. Depois do in\u00edcio do inqu\u00e9rito, surge um denunciante (o lobista Nilton Monteiro) que traz uma c\u00f3pia de um documento (um suposto caixa 2 para o PSDB). No primeiro momento, foi verificada uma certa dificuldade em estabelecer a autoria do documento, porque era uma xeroc\u00f3pia. Mais recentemente, a mesma pessoa apresentou \u00e0 Pol\u00edcia Federal o original. Esse documento foi visto como aut\u00eantico. Ent\u00e3o aquele ex-diretor de Furnas (Dimas Toledo) foi quem assinou aquele documento. Isso \u00e9 uma verdade. Agora, ainda n\u00e3o est\u00e1 comprovada a autenticidade do conte\u00fado do documento e nem porque ele assinou. Dentro do inqu\u00e9rito que apura uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es em Furnas, existe essa lista, que \u00e9 um elemento a mais. Neste cen\u00e1rio que vivenciamos, sempre temos que ter cautela, especialmente nesse momento eleitoral, quando as coisas podem ser usadas indevidamente. N\u00e3o existe esse fato de que o inqu\u00e9rito parou. O inqu\u00e9rito que apura as irregularidades de Furnas, que n\u00e3o as espec\u00edficas daquela lista, continua correndo no Judici\u00e1rio, sob a supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>E o inqu\u00e9rito sobre o mensal\u00e3o, pode levar ao indiciamento do presidente Lula se ficar provado que ele sabia?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o. Esse caso do mensal\u00e3o j\u00e1 tem uma den\u00fancia do procurador-geral da Rep\u00fablica. Aquele \u00e9 o universo da investiga\u00e7\u00e3o. O procurador-geral entendeu que era preciso requisitar algumas novas dilig\u00eancias para esclarecer alguns pontos. A\u00ed foram ouvidas outras pessoas. N\u00e3o existe nenhum fato novo em rela\u00e7\u00e3o a esse assunto. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>As CPIs ajudaram a Pol\u00edcia Federal?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sempre ajuda. Qualquer tipo de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um caminho para dar mais transpar\u00eancia, para a sociedade saber o que est\u00e1 acontecendo. Neste \u00faltimo ano, o que n\u00e3o faltaram foram investiga\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode reclamar que tenha havido algum tipo de interfer\u00eancia para n\u00e3o haver investiga\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A CPI dos Sanguessugas questiona o sigilo de Justi\u00e7a no caso. Se os nomes forem revelados, pode atrapalhar a investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sob o ponto de vista da Pol\u00edcia Federal, n\u00e3o. O segredo visa a preservar os parlamentares envolvidos, que poder\u00e3o ter seus nomes execrados publicamente num ano eleitoral mesmo se as den\u00fancias contra eles n\u00e3o forem comprovadas. A investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, junto com o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso, praticamente esclareceu os fatos. Como n\u00e3o poder\u00edamos investigar parlamentares sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, n\u00e3o entramos nessa quest\u00e3o. Mas agora, depois da anu\u00eancia do STF, est\u00e3o sendo abertos os inqu\u00e9ritos especificamente para apurar isso. <\/p>\n<p><strong>Alguns esc\u00e2ndalos da corrup\u00e7\u00e3o envolveram ex-ministros poderosos, como Jos\u00e9 Dirceu e Ant\u00f4nio Palocci. Houve press\u00e3o sobre a PF para proteg\u00ea-los?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pelo contr\u00e1rio. Quem acompanha o trabalho da Pol\u00edcia Federal sabe como as investiga\u00e7\u00f5es andam. O delegado que presidiu um desses inqu\u00e9ritos disse recentemente que eu fiquei sabendo de alguns depoimentos s\u00f3 depois. O \u00fanico meio de press\u00e3o viria por meu interm\u00e9dio. Hoje temos uma maneira de trabalhar na PF que, com certeza, se houvesse qualquer tipo de press\u00e3o, os delegados e os agentes iriam tomar alguma atitude. N\u00e3o existe mais espa\u00e7o para isso. <\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa, o ministro da Justi\u00e7a, M\u00e1rcio Thomaz Bastos, foi acusado de agir como advogado de defesa do ministro Palocci, que teria acionado a Pol\u00edcia Federal para desmoralizar o caseiro. O ministro Palocci pediu ao senhor pessoalmente para fazer essa investiga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ministro M\u00e1rcio Thomaz Bastos j\u00e1 deu as explica\u00e7\u00f5es dele. Nunca tive nenhum contato com o Palocci e com nenhum investigado. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o me procurou. A apura\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal nesse caso, ao inv\u00e9s de levantar algum tipo de suspeita, s\u00f3 pode ser vista com algo exemplar. Foi a Pol\u00edcia Federal que rapidamente desvendou todo esse epis\u00f3dio. O que houve foi que logo depois surgiu a informa\u00e7\u00e3o do dinheiro depositado na conta do caseiro e o delegado da Pol\u00edcia Federal queria saber a origem do dinheiro. Eu teria feito o mesmo. A investiga\u00e7\u00e3o tinha dois focos: a origem do dinheiro e quem foi que violou o sigilo. Em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro, o Minist\u00e9rio P\u00fablico entrou com um habeas corpus em favor do caseiro para que a Pol\u00edcia Federal n\u00e3o o investigasse, mas a Justi\u00e7a n\u00e3o concedeu. Isso foi at\u00e9 positivo, porque o delegado acabou investigando e descobriu que n\u00e3o havia nada de irregular no dinheiro. <\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal \u00e0s vezes s\u00e3o criticadas por serem um show para a m\u00eddia, at\u00e9 pelos nomes delas. Como o senhor responde?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando assumi a Pol\u00edcia Federal fui me informar o que o novo Governo pensava da PF. Verifiquei o programa de Governo e a parte de seguran\u00e7a p\u00fablica dizia que a Pol\u00edcia Federal era uma verdadeira caixa-preta e ningu\u00e9m sabia o que acontecia dentro dela. Ent\u00e3o procuramos dar uma nova estrutura na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o social. Verifiquei uma falta de relacionamento institucional com a m\u00eddia. A partir da\u00ed, come\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o diferente com a m\u00eddia. Poucas pessoas sabem quem s\u00e3o os delegados e os superintendentes da Pol\u00edcia Federal. N\u00e3o queremos personalizar nosso trabalho. Eu n\u00e3o gosto de aparecer na m\u00eddia. N\u00f3s tivemos uma atua\u00e7\u00e3o que muda bastante a sistem\u00e1tica que vinha sendo adotada. Tinha no Brasil a hist\u00f3ria que s\u00f3 o homem de sand\u00e1lia \u00e9 preso. Ningu\u00e9m fala mais sobre isso, mas \u00e9 claro que isso n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9rito exclusivo da Pol\u00edcia Federal. Sa\u00edmos da caixa-preta para a superexposi\u00e7\u00e3o, mas uma superexposi\u00e7\u00e3o institucional, n\u00e3o das pessoas. N\u00f3s n\u00e3o queremos ningu\u00e9m da Pol\u00edcia Federal que esteja se exibindo para tirar proveito. Quem d\u00e1 os destaques para a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00eddia. As pol\u00edcias sempre usam um nome para a opera\u00e7\u00e3o para falar com algu\u00e9m sobre o assunto para que a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o vaze. As grandes opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma nova metodologia da Pol\u00edcia Federal: ao inv\u00e9s de prender uma pessoa isoladamente, fazer a investiga\u00e7\u00e3o completa e depois pedir a pris\u00e3o de um grande grupo. Com isso, passou a chamar a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Uma opera\u00e7\u00e3o que causou pol\u00eamica foi na Daslu.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa opera\u00e7\u00e3o tinha que ser feita, porque \u00e9 uma grande caso de sonega\u00e7\u00e3o e evas\u00e3o. Tanto a Pol\u00edcia Federal estava certa que eles est\u00e3o sendo processados e tem gente presa. N\u00e3o d\u00e1 para imaginar que a Justi\u00e7a, num pa\u00eds democr\u00e1tico, esteja prendendo indevidamente algu\u00e9m que n\u00e3o cometeu crime. O impacto que se deu n\u00e3o \u00e9 culpa nossa, mas da m\u00eddia. Naquela opera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ocorreu um fato curioso. Quando a Pol\u00edcia Federal foi para aquele local com aquele aparato, j\u00e1 que tinha muitas seguran\u00e7as que normalmente reagem, o pessoal que mora numa favela perto come\u00e7ou a correr, porque a pol\u00edcia normalmente vai para l\u00e1. Depois eles ficaram surpresos que era na Daslu. A opera\u00e7\u00e3o demonstrou que todos s\u00e3o iguais perante \u00e0 lei. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O senhor considera que a impunidade tem diminu\u00eddo no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acho que sim. A quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o existe no Brasil desde a descoberta, s\u00f3 que as coisas ficavam restritas a certos segmentos. Hoje n\u00e3o, seja l\u00e1 quem for, est\u00e1 sendo alvo de investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a marca da sua gest\u00e3o, deveria ser a marca da Pol\u00edcia Federal?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acho que essa marca vai continuar, independente de quem esteja aqui. \u00c9 importante que esse trabalho seja realizado da mesma forma que tem sido feito, numa integra\u00e7\u00e3o com outros \u00f3rg\u00e3os, como o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o Judici\u00e1rio, a Controladoria Geral da Uni\u00e3o, a Receita Federal e o Ibama. Todas as CPIs que aconteceram nesse per\u00edodo a Pol\u00edcia Federal colaborou, fornecendo servidores para atuar. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A autonomia da Pol\u00edcia Federal depende da quest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria. Como isso se deu no atual Governo?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse foi um aspecto positivo. N\u00f3s nos modernizamos bastante nesse per\u00edodo. Hoje a Pol\u00edcia Federal tem um instituto de criminal\u00edstica que \u00e9 o melhor da Am\u00e9rica Latina e um dos melhores do mundo, com equipamentos de ponta, que poucas pol\u00edcias do mundo t\u00eam. Houve boa vontade do Governo. Aumentamos o efetivo enormemente. Quando assumimos, no in\u00edcio de 2003, t\u00ednhamos menos de 7 mil policiais. Hoje estamos com cerca de 10 mil. At\u00e9 o final do ano que vem, teremos 12 mil policiais e um total de 15 mil servidores. \u00c9 praticamente o dobro do que pegamos. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com isso, porque era uma gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 envelhecida que estava se aposentando. A Pol\u00edcia Federal ganhou muito nesse per\u00edodo, sem desmerecer os outros Governos. Acabamos de receber um avi\u00e3o Embraer 145, de 50 lugares, que ser\u00e1 usado nas opera\u00e7\u00f5es. Temos utilizado avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea. A Pol\u00edcia Federal acabou se especializando tanto na quest\u00e3o da intelig\u00eancia como do planejamento operacional. J\u00e1 deixei de aceitar um convite para assumir a Pol\u00edcia Federal, em 1993, porque ela estava numa situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria. <\/p>\n<p>por&nbsp;Rafael Paix\u00e3o e Renata Chamarelli&nbsp; \/&nbsp; Jornal Hoje em Dia &#8211; Caderno Bras\u00edlia <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8804","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8804\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}