{"id":8792,"date":"2006-07-27T10:50:44","date_gmt":"2006-07-27T13:50:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/operacao-cerol-delegados-teriam-tabela-de-preco\/"},"modified":"2006-07-27T10:50:44","modified_gmt":"2006-07-27T13:50:44","slug":"operacao-cerol-delegados-teriam-tabela-de-preco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/operacao-cerol-delegados-teriam-tabela-de-preco\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o Cerol: delegados teriam &#8220;tabela de pre\u00e7o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cinco dias depois de prender 17 pessoas &#8211; j\u00e1 soltas por decis\u00e3o judicial &#8211; e cumprir 42 mandados de busca e apreens\u00e3o, a Pol\u00edcia Federal (PF) apresentou \u00e0 Justi\u00e7a o primeiro relat\u00f3rio parcial de an\u00e1lise do material apreendido durante a Opera\u00e7\u00e3o Cerol, em casas e escrit\u00f3rios dos suspeitos do esquema de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo empresas investigadas por crimes previdenci\u00e1rios. Os investigadores encontraram, nas casas dos advogados M\u00e1rio Jorge Campos Rodrigues e Tarc\u00edsio Pel\u00facio, o que pode ser uma &#8220;tabela de pre\u00e7os&#8221; de delegados na Pol\u00edcia Federal do Rio &#8211; que cobrariam at\u00e9 R$ 100 mil por fraudes em inqu\u00e9ritos. Os dois advogados s\u00e3o suspeitos de envolvimento direto nas irregularidades. <\/p>\n<p>Na resid\u00eancia de M\u00e1rio Jorge havia folha com anota\u00e7\u00f5es. No alto da p\u00e1gina, o nome &#8220;Pel\u00facio&#8221; e, logo abaixo, escritos a m\u00e3o, nomes de inqu\u00e9ritos e valores. Por exemplo, o nome &#8220;Banestado&#8221;, seguido de &#8220;Banco Prosper e Ant\u00f4nio Joaquim Peixoto de Castro&#8221;.  <\/p>\n<p>Ao lado, o valor: &#8220;R$ 100 mil&#8221;, tendo, abaixo, a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;delegado:?&#8221;. A lista enumera ainda o inqu\u00e9rito 09\/05, sob o t\u00edtulo &#8220;Intercl\u00ednica&#8221; e a indica\u00e7\u00e3o de R$ 40 mil com a observa\u00e7\u00e3o de que &#8220;faltam R$ 20 mil&#8221;. J\u00e1 no inqu\u00e9rito 045\/05, da Casa da Barra, o pre\u00e7o foi de R$ 50 mil. A avalia\u00e7\u00e3o dos peritos \u00e9 de que a lista &#8220;pode sugerir pagamento de vantagem&#8221; a delegados. Em outra lista, na casa de Pel\u00facio, tamb\u00e9m h\u00e1 valores, mas, de acordo com o relat\u00f3rio, &#8220;n\u00e3o podem garantir se s\u00e3o honor\u00e1rios ou propinas&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Dados privilegiados<\/strong><\/p>\n<p>Policiais se surpreenderam tamb\u00e9m com as informa\u00e7\u00f5es privilegiadas de Pel\u00facio. Na casa de M\u00e1rio Jorge, havia recado de 23 de janeiro assinado por Pel\u00facio com dados da lista do esc\u00e2ndalo do Banestado, no qual R$ 30 bilh\u00f5es sa\u00edram do Pa\u00eds. Pel\u00facio informava a M\u00e1rio sobre a transfer\u00eancia de US$ 324,4 mil do Banco Prosper, entre 2001 e 2002, sob o c\u00f3digo &#8220;Pescara&#8221;, uma das principais contas-alvo da investiga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do banco, h\u00e1 refer\u00eancia a Ant\u00f4nio Joaquim, como remetente de US$ 65,4 mil, em 1999, pela conta. <\/p>\n<p>Para os peritos, a lista &#8220;leva a crer que Pel\u00facio teve acesso a dados da Opera\u00e7\u00e3o Beacon Hill&#8221; e que alguns nomes &#8220;constam da lista dos expedientes autodirecionados ao DPF Baltazar&#8221;. Conforme a reportagem mostrou segunda-feira, o delegado Paulo Baltazar, ex-chefe da Delegacia de Crimes Financeiros, redirecionou, em fevereiro, 44 inqu\u00e9ritos do caso Banestado, colocando-os sob sua responsabilidade.  <\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 dinheiro que circulava na PF. Presentes tamb\u00e9m eram bem-vindos na superintend\u00eancia, na Pra\u00e7a Mau\u00e1. O ex-corregedor Jairo Kullmann, por exemplo, ganhou de Pel\u00facio caneta Cartier. O advogado entregou o mimo dentro da Corregedoria e ainda levou outra a servidor do setor de passaportes. Na loja, em Ipanema, agentes apuraram que a nota de R$ 1.740 seria emitida ao Grupo Peixoto de Castro.  <\/p>\n<p>Kullmann tamb\u00e9m negociou uma TV com Pel\u00facio. Em grava\u00e7\u00e3o, o advogado diz que vai receber &#8220;cinq\u00fcentinha, desse neg\u00f3cio&#8221; e que vai dar o aparelho de 32 polegadas ao delegado, conforme combinado. Na casa do ex-diretor executivo da PF, Roberto Prel, foi encontrado cart\u00e3o de Pel\u00facio com o recado: &#8220;Prezado Prel, conforme prometido segue o Grand MacNish (u\u00edsque), espero que o amigo goste. As duas garrafas de vinho, favor entregar ao chefe. Abra\u00e7os do amigo de sempre&#8221;. O &#8220;chefe&#8221; seria o ex-superintendente Jos\u00e9 Milton Rodrigues. O MacNish custa cerca de R$ 60 em supermercados. <\/p>\n<p>Lista de festa tem nomes de policiais <\/p>\n<p>O material apreendido na Opera\u00e7\u00e3o Cerol mal come\u00e7ou a ser analisado, mas a rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre os integrantes do grupo investigado fica clara em documentos como o encontrado na casa de Paulo Henrique Villela Pedras, advogado da Cervejaria Itaipava e vice-presidente do Jockey Club. <\/p>\n<p>No local, os policiais acharam a lista de convidados para anivers\u00e1rio de Pedras. Com 21 p\u00e1ginas, a rela\u00e7\u00e3o tem os nomes do ex-superintendente da PF Jos\u00e9 Milton Rodrigues, do ex-diretor executivo Roberto Prel e do advogado Tarc\u00edsio Pel\u00facio. Tamb\u00e9m constam nomes de ex-integrantes da c\u00fapula da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio: um policial civil e outro federal.  <\/p>\n<p>Pedras \u00e9 acusado de bancar festinhas para policiais no Jockey. Em grava\u00e7\u00f5es, ele chega a sugerir a Pel\u00facio que a posse do atual superintendente, Delci Teixeira, fosse l\u00e1 para poder alici\u00e1-lo. <\/p>\n<p><strong>Im\u00f3vel pertence a outro suspeito<\/strong><\/p>\n<p>O ex-superintendente da Pol\u00edcia Federal do Rio Jos\u00e9 Milton Rodrigues estava morando, desde 12 de julho, em luxuoso apart-hotel em Copacabana. No Copa Green Residence Service, na Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, ele ocupava um dos 56 apartamentos, cujo aluguel varia entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil. <\/p>\n<p>O flat, onde o delegado foi preso \u00e0s 6h de sexta-feira, pertence a outro homem apontado como integrante do esquema: o advogado Paulo Henrique Villela Pedras, da Cervejaria Itaipava. A informa\u00e7\u00e3o foi dada por outro personagem investigado, o tamb\u00e9m advogado Tarc\u00edsio de Figueiredo Pel\u00facio, em depoimento \u00e0 PF.  <\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, o apartamento havia sido cedido a Jos\u00e9 Milton, que mal era visto dentro do pr\u00e9dio. &#8220;S\u00f3 o via saindo de manh\u00e3 e chegando \u00e0 noite&#8221;, disse um funcion\u00e1rio. O delegado teria ido para l\u00e1 ap\u00f3s ter sido informado de que haveria opera\u00e7\u00e3o que desbarataria o esquema.  <\/p>\n<p>No quarto e sala emprestado em que estava morando, o delegado tinha toda a tranq\u00fcilidade \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ando pelo lado de fora, ainda na rua, que \u00e9 fechada por uma cancela e onde tr\u00eas seguran\u00e7as se revezam durante 24 horas por dia. Dentro do edif\u00edcio, a mordomia \u00e9 ainda maior: academia de gin\u00e1stica, sauna, piscina, servi\u00e7o de quarto e camareira.  <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Milton, que est\u00e1 internado desde o dia de sua pris\u00e3o no Hospital Pr\u00f3-Card\u00edaco, em Botafogo, estava nesse novo endere\u00e7o havia pouco tempo. &#8220;Vai tentar entender? Um cara que ocupa um cargo de delegado federal ganha t\u00e3o bem e se envolve num esquema desses. \u00c9 triste ver a gan\u00e2ncia de quem sempre quer mais e mais&#8221;, comentou um vizinho.  <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Milton ser\u00e1 operado hoje de manh\u00e3. Ele dever\u00e1 ser submetido a cirurgia para implanta\u00e7\u00e3o de ponte de safena. A recupera\u00e7\u00e3o deve levar uma semana. O delegado est\u00e1 proibido de receber visitas, conforme aviso fixado na porta do quarto. Ele foi internado ap\u00f3s sofrer enfarte ao ser preso. Passou por cateterismo, que indicou necessidade de cirurgia. Mas n\u00e3o p\u00f4de ser imediatamente operado devido a medicamentos que utiliza e alteram resultados dos exames pr\u00e9-operat\u00f3rios.  <\/p>\n<p>O Dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8792","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8792\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}