{"id":8762,"date":"2006-07-25T09:03:12","date_gmt":"2006-07-25T12:03:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/relatorio-mostra-trafico-de-influencia-na-pf\/"},"modified":"2006-07-25T09:03:12","modified_gmt":"2006-07-25T12:03:12","slug":"relatorio-mostra-trafico-de-influencia-na-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/relatorio-mostra-trafico-de-influencia-na-pf\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio mostra tr\u00e1fico de influ\u00eancia na PF"},"content":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio reservado da Pol\u00edcia Federal sobre a atua\u00e7\u00e3o do grupo de policiais, advogados e empres\u00e1rios presos na Opera\u00e7\u00e3o Cerol deixa em situa\u00e7\u00e3o delicada o advogado Michel Assef e seu s\u00f3cio Monclar Gama, um dos advogados presos na opera\u00e7\u00e3o na sexta-feira. C\u00f3pia do documento, obtida pelo GLOBO, mostra que Monclar, a pedido de Assef, tentou obter informa\u00e7\u00f5es privilegiadas na PF para prejudicar a casa noturna Scala e, num jogo duplo, tirar proveito do restaurante Plataforma. <\/p>\n<p>As duas casas estavam em disputa comercial e o escrit\u00f3rio de Assef fora contratado para defender os interesses da Plataforma. O servi\u00e7o de intelig\u00eancia da PF registrou uma conversa de Monclar com o delegado Daniel Brand\u00e3o, da Delegacia Fazend\u00e1ria da PF no Rio, \u00e0s 14h34m do dia 11 de agosto do ano passado. Monclar pede informa\u00e7\u00f5es sobre o empres\u00e1rio Armand Pizzirulli, patrocinador de um show de mulatas no Scala. <\/p>\n<p><strong>Empres\u00e1rio faria tr\u00e1fico internacional de mulheres <\/strong><\/p>\n<p>Monclar fala sobre o suposto envolvimento de Pizzirulli com o tr\u00e1fico internacional de mulheres e pede uma c\u00f3pia do auto de pris\u00e3o do empres\u00e1rio. A id\u00e9ia era promover uma a\u00e7\u00e3o contra Pizzirulli e, a partir da\u00ed, atingir o Scala, concorrente da Plataforma. Mas, no decorrer da conversa, o delegado e o advogado resolvem tamb\u00e9m prejudicar a Plataforma. <\/p>\n<p>\u2014 Eu quero saber se a Plataforma est\u00e1 em dia com &#8230; (trecho inaud\u00edvel da grava\u00e7\u00e3o)? \u2014 pergunta Brand\u00e3o, segundo relat\u00f3rio reservado. <\/p>\n<p>\u2014 Falei com \u00c1lvaro (o escriv\u00e3o da PF \u00c1lvaro Andrade da Silva) aqui, j\u00e1 pedi autoriza\u00e7\u00e3o para ele, ele me deu. Eu vou jogar, vou dizer: \u201cOh, est\u00e3o investigando a Plataforma tamb\u00e9m\u201d \u2014 responde Monclar. <\/p>\n<p>O relat\u00f3rio, usado pela Justi\u00e7a Federal para decretar a pris\u00e3o dos 17 suspeitos na Opera\u00e7\u00e3o Cerol, reproduz tamb\u00e9m uma conversa entre Monclar e Assef. No di\u00e1logo, gravado \u00e0s 11h41m do dia 11 de agosto do ano passado, os dois advogados falam sobre um presente que v\u00e3o dar a \u00c1lvaro, escriv\u00e3o de um inqu\u00e9rito sobre o envolvimento de um dirigente do Flamengo com desvio de dinheiro da Previd\u00eancia. <\/p>\n<p>\u201cMonclar diz que n\u00e3o entregou sequer o chaveirinho do Flamengo para ele (\u00c1lvaro)\u201d, descreve o relat\u00f3rio. <\/p>\n<p>Assef pede, ent\u00e3o, \u201cpara Monclar dizer que n\u00e3o chegou a camisa ainda, mas que quando chegar eles arrumam uma camisa para ele (\u00c1lvaro)\u201d. Nesta mesma conversa, Assef pergunta ao s\u00f3cio se ele \u201cj\u00e1 tem alguma informa\u00e7\u00e3o daquele cara\u201d, supostamente Armand Pizzirulli. Monclar diz que vai fazer o levantamento com \u00c1lvaro, na PF. <\/p>\n<p>Procurado pelo GLOBO, Michel Assef disse que, de fato, mandou Monclar buscar informa\u00e7\u00f5es sobre Pizzirulli, mas negou que tenha autorizado o s\u00f3cio a bisbilhotar eventuais dados sigilosos da Plataforma: <\/p>\n<p>\u2014 Estou surpreso, estupefato. N\u00e3o posso acreditar que ele tenha feito uma coisa dessas. Isso \u00e9 uma coisa horrorosa. Estou chocado. Com certeza nunca autorizei nada disso. <\/p>\n<p>O advogado confirmou ainda a conversa sobre a camisa e o chaveiro do Flamengo que ele e Monclar iriam dar a \u00c1lvaro. Mas alega que o ato n\u00e3o pode ser classificado como coopta\u00e7\u00e3o para que o policial aliviasse as acusa\u00e7\u00f5es contra o cartola do Flamengo que estava sob investiga\u00e7\u00e3o da PF. <\/p>\n<p>\u2014 Vamos admitir que ele tivesse presenteado algu\u00e9m com a camisa do Flamengo. Isso n\u00e3o \u00e9 motivo para caracterizar corrup\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ministro de Estado j\u00e1 me pediu camisa do Flamengo \u2014 disse Assef. <\/p>\n<p><strong>Ex-superintendente pediu porte ilegal de arma <\/strong><\/p>\n<p>Entre os presos da Opera\u00e7\u00e3o Cerol est\u00e3o os delegados Jos\u00e9 Milton Rodrigues e Jairo Kullmann, dois ex-superintendentes da PF no Rio. O relat\u00f3rio descreve atos suspeitos dos policiais, que v\u00e3o do afrouxamento de investiga\u00e7\u00f5es criminais at\u00e9 novos casos de tr\u00e1fico de influ\u00eancia. Segundo o relat\u00f3rio, Jos\u00e9 Milton chegou a pedir para que o Sistema Nacional de Armas concedesse um porte de arma, de forma ilegal, para um empres\u00e1rio, que teria feito o pedido \u201cmediante a alega\u00e7\u00e3o incomprovada de que estaria sendo amea\u00e7ado de seq\u00fcestro\u201d. <\/p>\n<p>O suposto esquema de corrup\u00e7\u00e3o que levou para a cadeia os policiais federais pode estar funcionando h\u00e1 pelo menos tr\u00eas anos na Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal do Rio. De acordo com o inqu\u00e9rito 06\/2003, aberto na Corregedoria interna da PF, tr\u00eas delegados e um escriv\u00e3o s\u00e3o suspeitos da pr\u00e1tica de delitos, j\u00e1 naquela \u00e9poca, na Delegacia Fazend\u00e1ria (Delefaz). <\/p>\n<p>Uma den\u00fancia que consta da investiga\u00e7\u00e3o mostra que os delegados Mauro Montenegro, Daniel Brand\u00e3o e Jorge Almeida, al\u00e9m do escriv\u00e3o \u00c1lvaro da Silva, teriam se reunido na Fazend\u00e1ria para a suposta pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o e favorecimento a empresas e pessoas. <\/p>\n<p><strong>Jailton de Carvalho<\/strong> \/ <strong>O Globo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8762\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}