{"id":8755,"date":"2006-07-24T08:49:05","date_gmt":"2006-07-24T11:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/delegados-sao-suspeitos-de-manipular-400-inqueritos\/"},"modified":"2006-07-24T08:49:05","modified_gmt":"2006-07-24T11:49:05","slug":"delegados-sao-suspeitos-de-manipular-400-inqueritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/delegados-sao-suspeitos-de-manipular-400-inqueritos\/","title":{"rendered":"Delegados s\u00e3o suspeitos de manipular 400 inqu\u00e9ritos"},"content":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio reservado da Pol\u00edcia Federal denuncia que delegados, advogados e empres\u00e1rios presos na Opera\u00e7\u00e3o Cerol, sexta-feira, tentaram manipular mais de 400 inqu\u00e9ritos sobre desvios de altas somas de dinheiro, principalmente da Previd\u00eancia Social. O documento mostra que boa parte dos benefici\u00e1rios da atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o seria cliente do escrit\u00f3rio do advogado Michel Assef. <\/p>\n<p>\u201cHouve um espec\u00edfico interesse no redirecionamento de todos os mais de 400 inqu\u00e9ritos referentes a n\u00e3o-recolhimento de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias por parte de empresas\u201d, informa o relat\u00f3rio reproduzido pela ju\u00edza federal Ana Paula Vieira de Carvalho. Segundo o documento, delegados e advogados direcionavam inqu\u00e9ritos para controlar as investiga\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Eles teriam tentado assumir o controle at\u00e9 mesmo de inqu\u00e9ritos conduzidos pela For\u00e7a Tarefa Previdenci\u00e1ria, composta por um grupo de delegados e procuradores da Rep\u00fablica. A partir da manobra, os acusados faziam \u201cacertos com os investigados, atrav\u00e9s de investiga\u00e7\u00f5es lenientes, dilig\u00eancias protelat\u00f3rias, apura\u00e7\u00f5es propositadamente deficientes ou mesmo pedidos de arquivamento\u201d. O relat\u00f3rio menciona a atua\u00e7\u00e3o do grupo sobre v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>O relat\u00f3rio revela que a organiza\u00e7\u00e3o tentou at\u00e9 envolver o ministro da Justi\u00e7a, M\u00e1rcio Thomaz Bastos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o candidato ao governo do Rio pelo PMDB, S\u00e9rgio Cabral Filho, num lobby para impedir que os delegados Jos\u00e9 Milton Rodrigues \u2014 este preso sexta-feira \u2014 e Roberto Prel fossem afastados do comando da PF no Rio. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, se a organiza\u00e7\u00e3o conseguiu efetivamente fazer o lobby. Com base nessas e em outras informa\u00e7\u00f5es, a Justi\u00e7a Federal do Rio decretou a pris\u00e3o de Jos\u00e9 Milton e mais 16 supostos integrantes da organiza\u00e7\u00e3o \u2014 sendo seis delegados, um agente e um escriv\u00e3o da PF. <\/p>\n<p><strong>Interesse numa lista de nomes <\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, no dia 26 de janeiro deste ano, o advogado Tarc\u00edsio Pel\u00facio disse ao empres\u00e1rio Paulo Henrique Villela Pedras que tentaria descobrir com \u201co chefe\u201d, Jos\u00e9 Milton Rodrigues, \u00e0 \u00e9poca superintendente da PF no Rio, quais pedidos de abertura de inqu\u00e9rito teriam chegado \u00e3 Delegacia de Crimes Financeiros (Delefin). \u201cPel\u00facio tinha especial interesse em uma lista de nomes que estaria na Delefin para apura\u00e7\u00e3o onde seriam mencionadas centenas de pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas (&#8230;)\u201d, diz o documento. <\/p>\n<p>Duas semanas depois, o delegado Paulo S\u00e9rgio Baltazar, apontado como integrante da organiza\u00e7\u00e3o, chama para si 44 inqu\u00e9ritos. O documento n\u00e3o deixa claro se os investigados sabiam das manobras supostamente fraudulentas de advogados e delegados. Baltazar est\u00e1 entre os 17 presos da Cerol. Num outro trecho, o relat\u00f3rio sustenta que o delegado Jairo Kullman, outro ex-superintendente da PF preso na opera\u00e7\u00e3o, teria permitido que advogados preparassem as respostas de uma carta precat\u00f3ria. <\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 ind\u00edcios robustos de que n\u00e3o s\u00f3 as datas foram combinadas com o referido delegado, mas tamb\u00e9m as respostas \u00e0s perguntas da precat\u00f3ria foram levadas prontas pelo advogado\u201d, informa a PF. Os investigadores sustentam ainda que o interrogat\u00f3rio dos quatro executivos n\u00e3o durou uma hora. Mais tarde, em troca dos supostos favores, Kullman teria recebido \u201cpresentes fin\u00edssimos\u201d. <\/p>\n<p>Procurado, Renan Calheiros n\u00e3o foi encontrado. A assessoria de M\u00e1rcio Thomaz Bastos disse que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de responder as den\u00fancias ontem, mas que dificilmente um pedido desses teria chegado a ele. Por meio de sua assessoria, S\u00e9rgio Cabral disse que nunca foi procurado para interferir em qualquer assunto dessa natureza. <\/p>\n<p><strong>A Opera\u00e7\u00e3o Cerol<\/strong><\/p>\n<p>Coordenada pela Diretoria de Intelig\u00eancia Policial da Pol\u00edcia Federal de Bras\u00edlia, mobilizando 240 policiais federais de Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, a Opera\u00e7\u00e3o Cerol, voltada para o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o nos quadros internos das for\u00e7as de seguran\u00e7a, come\u00e7ou na sexta-feira com a pris\u00e3o de seis delegados no Rio e mais 11 pessoas, incluindo empres\u00e1rios, advogados e um fiscal do INSS. <\/p>\n<p><strong>8 POLICIAIS FEDERAIS<\/strong>: Os ex-superintendentes da PF no Rio Jos\u00e9 Milton Rodrigues e Jairo Helv\u00e9cio Kullman, os delegados Mauro de Miranda Montenegro (Aeroporto Internacional do Gale\u00e3o), Jorge Maur\u00edcio Mendes de Almeida (Deleprev), Paulo S\u00e9rgio Vieira Cavalcante Mendes Baltazar (Delefin) e Daniel Leite Brand\u00e3o (Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros), o escriv\u00e3o \u00c1lvaro Andrade da Silva (Delegacia Fazend\u00e1ria) e o agente federal Ant\u00f4nio Xavier Mendes. <\/p>\n<p><strong>4 ADVOGADOS<\/strong>: Monclar Eug\u00eanio Gama, Mario Roberto Affonso de Almeida, Patr\u00edcia Esteves de Pinho e Tarc\u00edsio de Figueiredo Pel\u00facio. <\/p>\n<p><strong>4 EMPRES\u00c1RIOS<\/strong>: Mario Jorge Campos Rodrigues, Paulo Henrique Vilela Pedras, Renato de Paula Almeida e Jorge Antonio Duarte Delduque. <\/p>\n<p><strong>FISCAL DO INSS<\/strong>: Cl\u00f3vis Maur\u00edcio Alves <\/p>\n<p><strong>Documento relata conversas sobre tr\u00e1fico de mulheres e at\u00e9 disputa por mulata<\/strong><\/p>\n<p>Policiais, advogados e empres\u00e1rios presos pela Opera\u00e7\u00e3o Cerol na sexta-feira n\u00e3o se limitavam a manipular inqu\u00e9ritos sobre crimes financeiros. Relat\u00f3rio reservado da intelig\u00eancia da PF acusa o grupo tamb\u00e9m de usar informa\u00e7\u00f5es privilegiadas para prejudicar concorrentes. Nas conversas gravadas com autoriza\u00e7\u00e3o judicial, integrantes da organiza\u00e7\u00e3o falam sobre assassinatos, pris\u00f5es, tr\u00e1fico internacional de mulheres e at\u00e9 sobre uma curiosa disputa entre a Scala e a Plataforma, duas casas noturnas do Rio, pelo passe de uma mulata, avaliado em R$ 8 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Nos di\u00e1logos, os integrantes da organiza\u00e7\u00e3o usam linguagem cifrada, e as vezes pornogr\u00e1fica, para tramar contra alguns concorrentes. Numa das conversas, o advogado Monclar Gama, do escrit\u00f3rio de Michel Assef, e o escriv\u00e3o \u00c1lvaro Andrade da Silva, falam sobre a pris\u00e3o de um empres\u00e1rio. A conversa foi gravada gravada \u00e0s 14h34m do dia 11 de agosto de 2005. <\/p>\n<p>\u2014 A parada \u00e9 o seguinte, aquele corno que tu prendeu, o que \u00e9 que tu tem dele a\u00ed, tem auto de pris\u00e3o em flagrante? \u2014 pergunta Gama. <\/p>\n<p>O escriv\u00e3o responde afirmativamente. Momentos depois, Monclar diz que o empres\u00e1rio teria tentado intermediar o contrato de uma mulata com a Plataforma. Como o neg\u00f3cio n\u00e3o se concretizou, o empres\u00e1rio teria levado a mulata para dan\u00e7ar no Scala e baixou o pre\u00e7o da entrada na boate para R$ 30. A Plataforma teria, ent\u00e3o, resolvido receber a dan\u00e7arina. \u201cMas a\u00ed o empres\u00e1rio pediu dois milh\u00f5es, mais oito mil d\u00f3lares por m\u00eas\u201d, disse Monclar. <\/p>\n<p><strong>Conversas com o delegado Daniel Brand\u00e3o citada no relat\u00f3rio <\/strong>Numa outra conversa, Monclar e Alvaro conversam com o delegado Daniel Brand\u00e3o sobre o mesmo assunto. \u201cBrand\u00e3o diz: \u2018n\u00f3s vamos f. eles. Delegado quer pau que nem pica-pau, adora comer carne, salada\u2019. Monclar ri e diz que foi o dono do Plataforma, com aquele Alberico, que \u00e9 o manager l\u00e1 de dentro, e passou a tarde l\u00e1 cuspindo labareda. E um policial n\u00e3o identificado retruca: \u2018eu vou prender eles tamb\u00e9m\u2019. Brand\u00e3o diz: \u2018me d\u00e1 a\u00ed o CNPJ da Plataforma\u2019, descrevem os investigadores no relat\u00f3rio usado pela Justi\u00e7a Federal para decretar a pris\u00e3o dos 17 acusados. <\/p>\n<p><strong>Advogados tamb\u00e9m fizeram lobby por Medalha Tiradentes <\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio reservado tamb\u00e9m mostra que policiais e advogados fizeram lobby para que a Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio concedesse a Medalha Tiradentes ao diretor-executivo da PF Zulmar Pimentel. A id\u00e9ia do grupo seria ser aproximar a c\u00fapula da institui\u00e7\u00e3o e, com isso, se manter em cargos chaves. Os parlamentares atenderam ao pedido e Pimentel aceitou a homenagem. Mas, na semana passada, Pimentel viajou ao Rio para comandar pessoalmente a pris\u00e3o dos falsos aliados. Delegados e advogados da organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tentaram se aproximar do superindente da PF Delci Carlos Teixeira, que substitu\u00edra Jos\u00e9 Milton no cargo. O grupo teria sido orientado por Jos\u00e9 Milton a chamar Teixeira para beber. &#8220;Pel\u00facio diz que Jos\u00e9 Milton j\u00e1 o alertou que o cara \u00e9 f., falando que a \u00fanica coisa boa que ele tem \u00e9 o que ele gosta de um m\u00e9zinho&#8221;. A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m n\u00e3o deu certo. <\/p>\n<p><strong>Jailton de Carvalho<\/strong> \/ <strong>O Globo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}