{"id":8711,"date":"2006-07-18T08:36:56","date_gmt":"2006-07-18T11:36:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/guerra-de-versoes-abre-julgamento-de-suzane\/"},"modified":"2006-07-18T08:36:56","modified_gmt":"2006-07-18T11:36:56","slug":"guerra-de-versoes-abre-julgamento-de-suzane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/guerra-de-versoes-abre-julgamento-de-suzane\/","title":{"rendered":"Guerra de Vers\u00f5es abre julgamento de Suzane"},"content":{"rendered":"<p><p><em>No primeiro dia de julgamento, Daniel Cravinhos inocenta o irm\u00e3o Cristian, afirma ter atacado sozinho o casal Manfred e Mar\u00edsia, mas acusa a ex-namorada Suzane de ser a mentora do assassinato dos pais<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2014 O primeiro dia do julgamento dos acusados pela morte do casal Richthofen foi marcado por contradi\u00e7\u00f5es. Em mais de tr\u00eas horas de interrogat\u00f3rio, Daniel Cravinhos, o ex-namorado da menina rica e loira que decidiu matar os pais, mudou a vers\u00e3o do crime e inocentou o irm\u00e3o Cristian, dizendo que ele n\u00e3o chegou a participar do ataque contra o casal, pois teria passado mal. <\/p>\n<p>No seu depoimento, o primeiro da sess\u00e3o, ele procurou incriminar Suzane, a quem acusou de ter planejado a morte dos pais. Segundo o ex-namorado, ela teria p\u00e9ssimas rela\u00e7\u00f5es com Manfred e Mar\u00edsia von Richthofen. O depoimento de Daniel foi seguido do irm\u00e3o Cristian, que confirmou a vers\u00e3o, mas entrou em contradi\u00e7\u00e3o nos detalhes. <\/p>\n<p>\u00c0s 19h50, Suzane iniciou o interrogat\u00f3rio e deu troco. Repetiu, exaustivamente, que Daniel a induziu ao uso de drogas e que ela o mantinha financeiramente. Pagava academia de gin\u00e1stica, som do carro e viagem para o Nordeste. Acusou Daniel de incentivar que ela brigasse com os pais. \u201cEle (Daniel) foi quem me falou que meu pai tinha uma amante. Ele queria destruir a imagem do meu pai, queria que eu me inspirasse nele (Daniel)\u201d, disse na sess\u00e3o. <\/p>\n<p>No interrogat\u00f3rio, a ex-estudante tamb\u00e9m negou qualquer briga com os pais. Mas admitiu que foi espancada, uma vez, por Manfred. \u201cFoi no Dia das M\u00e3es, em 2002. Falei que queria fugir, que n\u00e3o queria mais ficar em casa\u201d, contou Suzane. Os tr\u00eas acusados pelo crime sentaram-se lado a lado, mas evitaram se olhar durante a sess\u00e3o. Ao final da exposi\u00e7\u00e3o de Suzane, a defesa dos Cravinhos decidiu pedir uma acarea\u00e7\u00e3o entre a acusada, Daniel e Cristian. <\/p>\n<p>Em um relato detalhado, Daniel quis desfazer a imagem de v\u00edtima e de menina de \u201cfam\u00edlia\u201d que a defesa da r\u00e9 estava tentando construir nos \u00faltimos meses. O ex-namorado negou que Suzane tenha perdido a virgindade com ele e que a teria induzido a fumar maconha. A defesa da estudante rebateu o depoimento e sustentou que ela era virgem quando conheceu Daniel. <\/p>\n<p>Segundo o rapaz, Suzane j\u00e1 havia tido rela\u00e7\u00f5es sexuais com um ex-namorado, aos 14 anos. Ele afirmou que come\u00e7ou a fumar cigarro e maconha depois que a conheceu e que brigava com a ex-estudante de Direito por ela abusar dessa droga. \u201cToda a vez que ela chegava da faculdade chegava com cheiro (de maconha)\u201d, declarou. <\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia dos irm\u00e3os Cravinhos \u00e9 desmontar a tese da defesa de Suzane de que ela teria sido induzida pelo namorado a praticar o crime, porque seria dependente dele psicologicamente e sexualmente, al\u00e9m do jovem t\u00ea-la iniciado no mundo das drogas. <\/p>\n<p>Segundo o advogado de Suzane, Mauro Ot\u00e1vio Nacif, ela amava Daniel e, por isso, n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de resistir. Seria v\u00edtima de \u201ccoa\u00e7\u00e3o moral irresist\u00edvel\u201d. Mas, para o ex-namorado, a estudante era fria e calculista. A caminho da casa dos pais, segundo Daniel, Suzane \u201couvia Bob Marley e fumava cigarro de cravo como se estivesse indo para o Hopi Hari\u201d. \u201cEla sempre planejou a morte dos pais, dizia isso para todos os amigos. Mas qualquer adolescente fala esse tipo de coisa, eu s\u00f3 n\u00e3o achava que ela seria capaz de levar o plano adiante\u201d, disse Daniel. <\/p>\n<p><strong>Cena do crime<\/strong><\/p>\n<p>No depoimento, Daniel disse que uma jarra de \u00e1gua e toalhas que foram colocadas no rosto do casal, ap\u00f3s o crimes, teriam sido levadas por Suzane. Mas, no depoimento de Cristian, a contradi\u00e7\u00e3o ficou evidente. Ele disse que a ex-estudante s\u00f3 foi ao quarto dos pais antes do crime para se certificar de que eles estavam dormindo. Cristian disse que, no primeiro depoimento, assumiu ter participado do crime para proteger o irm\u00e3o. <\/p>\n<p>Conforme Daniel, essas toalhas foram molhadas e usadas para limpar o rosto de Manfred. Nesse momento, ele garante ter \u201cca\u00eddo em si\u201d e rezado e ajoelhado. \u201cN\u00e3o acreditava que tinha feito aquilo\u201d, insistiu. <\/p>\n<p>Daniel, no in\u00edcio, falava muito baixo. S\u00f3 passou a falar com mais clareza depois de um pedido do juiz e dos advogados de defesa. Em v\u00e1rios momentos, repetiu que a decis\u00e3o de matar Manfred e Mar\u00edsia foi tomada pela pr\u00f3pria Suzane, revoltada por sofrer diversas agress\u00f5es do casal. <\/p>\n<p>A jovem, segundo ele, chegou a comentar que anos antes sofrera uma tentativa de estupro do pai. Manfred a espancaria e, nesses momentos, teria o h\u00e1bito de passar as m\u00e3os \u201cnas partes \u00edntimas de Suzane.\u201d <\/p>\n<p>O irm\u00e3o Andreas saberia disso e, \u00e0s vezes, dormia no quarto para que o pai n\u00e3o entrasse. \u201cEla (Suzane) falou que tinha sido fortemente agredida pelos pais e que planejou mat\u00e1-los com uma arma que tinha\u201d, contou. <\/p>\n<p>Inicialmente, Suzane pretenderia matar os pais usando p\u00e1s, segundo o ex-namorado. No dia do crime, ele disse que, quando \u201cdeu por si\u201d, j\u00e1 estava na casa. \u201cEla me deu a luva, pediu para eu colocar a meia-cal\u00e7a para n\u00e3o deixar vest\u00edgios na casa\u201d, contou. <\/p>\n<p>O advogado de defesa de Suzane, Mauro Nacif, mais uma vez esfor\u00e7ou-se para dar o seu \u201cshow\u201d particular no julgamento. Ele discordou todo o tempo dos encaminhamentos do juiz Alberto Anderson Filho e irritou a plat\u00e9ia. <\/p>\n<p>Antes de iniciar o julgamento, Nacif prometeu que apresentar\u00e1 uma \u201cverdadeira bomba\u201d nos oito minutos finais da sess\u00e3o. N\u00e3o revelou detalhes, mas garantiu que far\u00e1 uma argumenta\u00e7\u00e3o \u201csurpreendente\u201d. <\/p>\n<p>&nbsp;<em>Ela (Suzane) sempre planejou a morte dos pais. S\u00f3 n\u00e3o achava que ela seria capaz de levar o plano adiante&nbsp; <\/em><\/p>\n<p>Daniel Cravinhos<\/p>\n<p><em>&nbsp;Ele queria destruir a imagem do meu pai, queria que eu me inspirasse nele (Daniel)<\/em>&nbsp; <\/p>\n<p>Suzane Richthofen&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Senten\u00e7a em quatro dias<\/strong><\/p>\n<p>O julgamento de Suzane von Richthofen e dos irm\u00e3os Daniel e Cristian Cravinhos dever\u00e1 demorar pelo menos quatro dias, segundo estimativa do juiz Alberto Anderson Filho. Os tr\u00eas receber\u00e3o o veredito de um corpo de sete jurados (quatro homens e tr\u00eas mulheres). Antes, no in\u00edcio do julgamento, o advogado Mauro Nacif afirmou que Suzane faria um desabafo sobre sua vida durante o julgamento e que iria apresentar um \u201cargumento-bomba\u201d, que n\u00e3o \u00e9 uma foto ou documento, mas uma argumenta\u00e7\u00e3o. O advogado dos Cravinhos, Geraldo Jabur, foi ir\u00f4nico. \u201cEspero que essa bomba n\u00e3o atinja ningu\u00e9m no plen\u00e1rio\u201d, disse. <\/p>\n<p>Nenhum parente de Suzane estava ontem no Primeiro Tribunal do J\u00fari do F\u00f3rum Criminal Ministro M\u00e1rio Guimar\u00e3es, na Barra Funda, Zona Oeste de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m de 280 convidados, entre jornalistas e estudantes de Direito, compareceram ao julgamento os pais dos irm\u00e3os Cravinhos, Astrogildo e Nadja Cravinhos. Astrogildo acompanhou os depoimentos dos filhos. Ele s\u00f3 deixou a sala do Tribunal do J\u00fari quando Suzane come\u00e7ou a falar. <\/p>\n<p>Nenhum dos tr\u00eas r\u00e9us confessos usava roupas de presidi\u00e1rios. Suzane chegou numa viatura policial por volta das 10h, vinda do Pres\u00eddio Feminino de Rio Claro. Presos no Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria (CDP) de Pinheiros, onde est\u00e3o desde o come\u00e7o do m\u00eas, os irm\u00e3os Cravinhos chegaram uma hora depois. Suzane usava uma cal\u00e7a bege com blusa azul da Adidas. Daniel e Cristian estavam de cal\u00e7as jeans e moletom. Na sala do j\u00fari, ela ficou sentada ao lado de Daniel, mas eles mal se olharam. <\/p>\n<p>Convidados e sorteados para assistir ao julgamento lotaram o plen\u00e1rio do tribunal, onde se destacava a apresentadora Luciana Gimenez. A maioria dos que foram assistir ao julgamento espera que os tr\u00eas sejam considerados culpados e fiquem presos por longo tempo ao final do j\u00fari. \u201cEu espero que ela seja condenada, assim como os outros dois e que os promotores respondam aos desejos da sociedade. Que ela n\u00e3o fique impune. J\u00e1 basta de impunidade no pa\u00eds\u201d, disse o estudante de direito, Andrey Francisco Kamykovas Silva, de 21 anos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gilberto Nascimento <\/strong>  <\/p>\n<p><strong>Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}