{"id":8693,"date":"2006-07-13T09:21:45","date_gmt":"2006-07-13T12:21:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/sanguessugas-mafia-controlava-70-das-emendas\/"},"modified":"2006-07-13T09:21:45","modified_gmt":"2006-07-13T12:21:45","slug":"sanguessugas-mafia-controlava-70-das-emendas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/sanguessugas-mafia-controlava-70-das-emendas\/","title":{"rendered":"Sanguessugas: M\u00e1fia controlava 70% das emendas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Segundo a CPI, dono da Planam admitiu que pagava propina antecipada a parlamentares e levava maior parte dos recursos liberados para compra de ambul\u00e2ncias. Comiss\u00e3o admite estender investiga\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e1fia dos sanguessugas chegou a controlar 70% das emendas para a compra de ambul\u00e2ncias com dinheiro do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A revela\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda ao empres\u00e1rio Darci Jos\u00e9 Vedoin por integrantes da CPI criada para investigar o esc\u00e2ndalo, que estiveram em Cuiab\u00e1 (MT) para interrogar os acusados de fazer parte do esquema de corrup\u00e7\u00e3o. De acordo com Vedoin, a quadrilha chegava a antecipar parte da propina para que os congressistas apresentassem as emendas, que garantiam \u00e0s prefeituras recursos para a aquisi\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos. <\/p>\n<p>Sobre o restante das emendas, cerca de 30%, o empres\u00e1rio afirmou que o grupo identificava seus autores e as cidades beneficiadas. Depois, procurava congressistas e prefeitos para tentar \u201ccomprar\u201d as emendas, garantindo, assim, que as empresas ligadas \u00e0 Planam vencessem as licita\u00e7\u00f5es feitas pelas prefeituras para a compra das ambul\u00e2ncias. Vedoin disse que ele mantinha um funcion\u00e1rio para ler diariamente o Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o e localizar as propostas parlamentares de seu interesse. <\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento da m\u00e1fia dos sanguessugas prestadas pelo empres\u00e1rio ser\u00e3o reunidas pela CPI a outros depoimentos colhidos na capital mato-grossense. O mais importante deles foi o do filho de Darci Vedoin, Luiz Ant\u00f4nio Trevisan Vedoin, interrogado na Justi\u00e7a Federal do Mato Grosso por sete dias consecutivos. Se o pai deu detalhes sobre a din\u00e2mica do grupo, Luiz Ant\u00f4nio revelou nomes de parlamentares ligados ao esquema e apresentou comprovantes das irregularidades, depois de negociar a dela\u00e7\u00e3o premiada com a Procuradoria da Rep\u00fablica e o juiz Jeferson Schneider, da 2\u00aa Vara Federal no estado. Ele foi libertado da pris\u00e3o na madrugada de ontem. <\/p>\n<p>Depois dos depoimentos no Mato Grosso, os integrantes da comiss\u00e3o retornaram a Bras\u00edlia admitindo trabalhar, a partir de agora, com uma base maior de investigados. No total, seriam tr\u00eas senadores e 62 deputados, n\u00famero superior aos 57 contra os quais o procurador-geral da Rep\u00fablica, Antonio Fernando de Souza, pediu abertura de inqu\u00e9rito no Supremo Tribunal Federal (STF). <\/p>\n<p><strong>Provas<\/strong><\/p>\n<p>O relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), n\u00e3o quis falar de nomes ou n\u00famero de envolvidos, mas salientou que n\u00e3o ter\u00e1 dificuldade em apont\u00e1-los. \u201cA vantagem dessa CPI \u00e9 que ela trabalha sobre uma montanha de provas\u201d, afirmou. Lando esperava receber ainda ontem c\u00f3pia do depoimento de Luiz Ant\u00f4nio Trevisan Vedoin \u00e0 Justi\u00e7a Federal e os documentos entregues por ele que comprovariam o pagamento de parlamentares que aderiram ao esquema. Entre esses pap\u00e9is, haveria recibos banc\u00e1rios do pagamento de propinas e correspond\u00eancias trocadas entre a Planam e gabinetes no Congresso. <\/p>\n<p>O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que tamb\u00e9m viajou a Cuiab\u00e1 no in\u00edcio da semana, disse estar otimista quanto \u00e0s informa\u00e7\u00f5es reunidas at\u00e9 aqui pela CPI e ousou dizer que a investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda. \u201cAgora, nos resta apontar quem \u00e9 quem\u201d, afirmou. Antes disso, a comiss\u00e3o ainda ouvir\u00e1 Luiz Ant\u00f4nio Trevisan Vedoin. A audi\u00eancia para interrog\u00e1-lo foi agendada para o pr\u00f3ximo dia 25. <\/p>\n<p>Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPI, admitiu estender os trabalhos da comiss\u00e3o at\u00e9 dezembro \u2014 instalada no m\u00eas passado, ela est\u00e1 prevista para durar 30 dias prorrog\u00e1veis por mais 30 \u2014, mas o petista garantiu que ele e os demais integrantes trabalh\u00e3o em cima de um relat\u00f3rio a ser apresentado na primeira quinzena de agosto com os nomes de todos os envolvidos. Na segunda etapa, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, eles se dedicariam a investigar o esquema dos sanguessugas em outros minist\u00e9rios, hip\u00f3tese levantada pelos empres\u00e1rios ligados ao esquema, e discutir melhorias no gerenciamento do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, incluindo a proposi\u00e7\u00e3o de emendas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Contra sigilo em inqu\u00e9ritos<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Ant\u00f4nio Carlos Biscaia (PT-RJ), reuniu-se ontem \u00e0 tarde com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, para, mais uma vez, pedir que as informa\u00e7\u00f5es dos inqu\u00e9ritos abertos contra parlamentares possam ser divulgadas. \u201cEsses nomes t\u00eam de ser divulgados para acabar de vez com as especula\u00e7\u00f5es\u201d, argumentou Biscaia. O tribunal deve analisar o caso na pr\u00f3xima semana. No m\u00eas passado, o relator do caso no Supremo, ministro Gilmar Mendes, havia negado a quebra do sigilo. <\/p>\n<p>Apesar do apelo da CPI, a tend\u00eancia do STF \u00e9 manter o sigilo dos dados que constam dos inqu\u00e9ritos, instaurados a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. A jurisprud\u00eancia que existe na Corte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comiss\u00f5es parlamentares de inqu\u00e9rito no Congresso Nacional prev\u00ea a manuten\u00e7\u00e3o desses dados sob segredo. O entendimento de ministros do Supremo sobre o tema foi reunido em um estudo encomendado pela pr\u00f3pria ministra Ellen Gracie \u00e0 sua assessoria. <\/p>\n<p>O levantamento apresenta uma s\u00e9rie de decis\u00f5es recentes do Supremo em pedidos semelhantes, formulados pelas CPIs dos Correios e dos Bingos, que investigaram esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o no governo. \u201cA decis\u00e3o de lacrar documentos tem sido considerada, pelos ministros desta Corte, como adequada e suficiente a preservar cautelarmente o sigilo de dados j\u00e1 fornecidos a comiss\u00f5es parlamentares de inqu\u00e9rito\u201d, entendeu o ministro Marco Aur\u00e9lio, ao julgar recente mandado de seguran\u00e7a. <\/p>\n<p><strong>Mandados <\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 noite, o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) protocolou dois mandados de seguran\u00e7a no STF. Num deles, o parlamentar pede para que a Pol\u00edcia Federal se abstenha de \u201cpromover ou permitir\u201d o vazamento das grava\u00e7\u00f5es realizadas dentro da investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ele alegou que as grava\u00e7\u00f5es foram feitas pela PF \u201csem autoriza\u00e7\u00e3o da Corte\u201d e pediu \u201cque sejam destru\u00eddas como meio de prova obtido ilegalmente\u201d. As escutas telef\u00f4nicas dentro dessa investiga\u00e7\u00e3o foram realizadas com autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Federal do Mato Grosso, mas quando a PF detectou a participa\u00e7\u00e3o de congressistas encerrou o monitoramento e enviou o material \u00e0 2\u00aa Vara Federal no estado, que o remeteu ao STF. <\/p>\n<p><strong>O n\u00famero<\/strong><\/p>\n<p>Apura\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>15, \u00e9 o n\u00famero de inqu\u00e9ritos j\u00e1 abertos pelo STF contra parlamentares a pedido da Procuradoria Geral da Rep\u00fablica&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Marcelo Rocha do Correio Braziliense<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8693\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}