{"id":8688,"date":"2006-07-13T09:07:08","date_gmt":"2006-07-13T12:07:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/nova-onda-de-ataques-do-pcc-mata-8-em-sp\/"},"modified":"2006-07-13T09:07:08","modified_gmt":"2006-07-13T12:07:08","slug":"nova-onda-de-ataques-do-pcc-mata-8-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/nova-onda-de-ataques-do-pcc-mata-8-em-sp\/","title":{"rendered":"NOVA ONDA DE ATAQUES DO PCC MATA 8 EM SP"},"content":{"rendered":"<p>Exatos dois meses ap\u00f3s o in\u00edcio da maior onda de ataques j\u00e1 realizada no Estado de S\u00e3o Paulo, a fac\u00e7\u00e3o criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) iniciou uma nova s\u00e9rie de atentados: numa a\u00e7\u00e3o articulada novamente de dentro da cadeia, soldados da organiza\u00e7\u00e3o voltaram a matar e a atacar bases da pol\u00edcia, pr\u00e9dios do Judici\u00e1rio e do Legislativo, bancos, \u00f4nibus e at\u00e9 supermercados. <\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es foram espalhadas por todo o Estado e continuaram na noite de ontem. Foram oito mortos: um PM, sua irm\u00e3, um agente prisional, o filho de um investigador, um GCM e tr\u00eas vigias de empresas privadas. <\/p>\n<p>Dessa vez, o PCC deixou recados dando sua vers\u00e3o para as a\u00e7\u00f5es: cartazes com a frase &#8220;contra a opress\u00e3o carcer\u00e1ria&#8221; foram achados em alguns locais. &#8220;Foi uma repres\u00e1lia contra a tortura nas pris\u00f5es&#8221;, disse o ex-policial Ivan Raymondi Barbosa, presidente da ONG Nova Ordem, ligada ao PCC. Presos de Presidente Venceslau amea\u00e7am continuar os ataques caso o governo n\u00e3o transfira os presos de Araraquara e Itirapina. <\/p>\n<p>J\u00e1 o secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Saulo de Castro Abreu Filho, atribuiu as novas a\u00e7\u00f5es \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da lista com o nome de 40 presos que seriam transferidos para o pres\u00eddio federal de Catanduvas (PR). A lista foi divulgada ontem pela Folha, quando boa parte dos ataques j\u00e1 havia sido iniciada. Grampos telef\u00f4nicos feitos pela pol\u00edcia mostram que, por volta das 22h de anteontem, presidi\u00e1rios deram a ordem para os ataques. Saulo confirma o aviso, mas afirma que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 normalizada. <\/p>\n<p><strong>Grampo flagrou a ordem para os ataques<\/strong>A pol\u00edcia paulista soube, por volta das 22h de anteontem, da nova ordem da fac\u00e7\u00e3o criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para retomar a onda de ataques no Estado de S\u00e3o Paulo. Mas n\u00e3o conseguiu evitar a a\u00e7\u00e3o dos criminosos: oito pessoas foram assassinadas, mais de 100 \u00f4nibus incendiados, 12 ag\u00eancias banc\u00e1rias, dois supermercados, uma concession\u00e1ria de carros e uma loja de eletrodom\u00e9sticos atacados. <\/p>\n<p>Somadas aos ataques iniciados em 12 de maio, a nova onda de a\u00e7\u00f5es deixou o seguinte saldo: num total de 373 atentados, 42 membros das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado e quatro civis foram assassinados, enquanto 92 pessoas acusadas de liga\u00e7\u00e3o com as a\u00e7\u00f5es da fac\u00e7\u00e3o foram mortas pelas pol\u00edcias. <\/p>\n<p>Policiais descobriram, por meio de uma intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica feita no aparelho celular de um preso do CDP 1 de Franco da Rocha, que os &#8220;soldados&#8221; do PCC tinham recebido ordens para que novos ataques contra o Estado fossem iniciados. O alerta geral para todos os policiais do Estado foi passado \u00e0s 22h45. &#8220;Alerta geral para a imin\u00eancia de novos ataques&#8221; foi o que os policiais ouviram pelos r\u00e1dios das pol\u00edcias Civil e Militar em todas as bases operacionais de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Departamentos especializados da Pol\u00edcia Civil, como o Deic (Departamento de Investiga\u00e7\u00f5es Sobre o Crime Organizado), tamb\u00e9m receberam o alerta do &#8220;salve geral&#8221; (ordem dos l\u00edderes do PCC) para que os ataques fossem iniciados. <\/p>\n<p>Um dos casos mais graves ocorreu na noite de ter\u00e7a-feira na favela do Boi Malhado, regi\u00e3o da Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de S\u00e3o Paulo), onde o PM Odair Jos\u00e9 Lorenzi, 29, foi morto com a irm\u00e3, Rita de C\u00e1ssia Lorenzi, 39. Ningu\u00e9m ficou ferido nos atentados a pr\u00e9dios particulares, mas as a\u00e7\u00f5es assustaram as vizinhan\u00e7as dos estabelecimentos. <\/p>\n<p>At\u00e9 as 23h30 de ontem, dez suspeitos de participa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es ordenadas pelo PCC haviam sido presos. Cinco deles, ao lado de um adolescente, iriam atacar um agente penitenci\u00e1rio, que chamou a PM. Outros quatro foram presos na Vila Formosa (zona leste), com armas e coletes \u00e0 prova de bala. <\/p>\n<p>O secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Saulo de Castro Abreu Filho, falou que, desde anteontem, o PCC tem nova estrat\u00e9gia: atacar mais alvos civis, como supermercados, bancos e \u00f4nibus para tentar desestabilizar a sociedade, causando sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. <\/p>\n<p>A ordem \u00e9 a mesma dada pelos l\u00edderes do grupo em 12 de maio, quando o PCC iniciou os ataques: atacar &#8220;cal\u00e7as azuis&#8221; (agentes penitenci\u00e1rios ou carcereiros, mas n\u00e3o os seus parentes), &#8220;cal\u00e7as cinzas&#8221; (PMs), &#8220;preto e branco&#8221; (policiais civis) e os &#8220;capas pretas&#8221; (ju\u00edzes e promotores). <\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o de BH  <\/strong>Doze trechos de grampos telef\u00f4nicos da pol\u00edcia com a transcri\u00e7\u00e3o do &#8220;salve geral&#8221; revelam que a ordem dos presos tamb\u00e9m era &#8220;matar todos os policiais, civis e militares, al\u00e9m de agentes, e em incendiar carros, caixas eletr\u00f4nicos, cinemas, grandes supermercados, empresas e \u00f4nibus&#8221;. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pedia aos criminosos para colocarem faixas com dizeres &#8220;opress\u00f5es carcer\u00e1rias.&#8221; E ordenava: &#8220;J\u00e1 solta na banguela. J\u00e1 pode come\u00e7ar&#8221;, que significa iniciar os ataques. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s saberem do teor do documento, delegacias de Santos e de S\u00e3o Paulo decretaram grau de risco 1, o mais grave, que determinou a volta dos carros e policiais \u00e0s bases para fazerem seguran\u00e7a armada no local. <\/p>\n<p>As escutas feitas pela pol\u00edcia ocorreram meia hora ap\u00f3s a pris\u00e3o de Emivaldo da Silva Santos, o BH, apontado como o &#8220;gerente&#8221; do PCC no ABC. A Delegacia Seccional de S\u00e3o Bernardo n\u00e3o descartou a hip\u00f3tese de que ele pretendia coordenar as a\u00e7\u00f5es na capital. <\/p>\n<p><strong>Transfer\u00eancia e pris\u00f5es s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es<\/strong> A situa\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios de Araraquara (273 km de SP) e Itirapina (213 km de SP), onde os presos est\u00e3o amontoados ap\u00f3s rebeli\u00f5es que destru\u00edram o local, \u00e9 uma das hip\u00f3teses para a nova onda de a\u00e7\u00f5es do PCC. Funcion\u00e1rios da Penitenci\u00e1ria 2 de Presidente Venceslau (620 km de SP) souberam, segunda-feira, que l\u00edderes do PCC que est\u00e3o no local estabeleceram prazo at\u00e9, no m\u00e1ximo, hoje para que o governo do Estado transfira os detentos confinados nesses dois locais. <\/p>\n<p>Conversas interceptadas pela Secretaria da Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria apontam que os presos continuar\u00e3o com os ataques caso os presos das duas cadeias n\u00e3o sejam removidos. <\/p>\n<p>A prov\u00e1vel transfer\u00eancia de 40 l\u00edderes do grupo criminoso para a penitenci\u00e1ria federal de Catanduvas (PR) tamb\u00e9m seria uma das motiva\u00e7\u00f5es do PCC para os ataques. Junto a isso, os presos reivindicam que o regime &#8220;linha-dura&#8221; na pris\u00e3o de Venceslau acabe. L\u00e1, os presos ficam 23 horas trancados. Eles e seus parentes (que s\u00f3 podem ficar duas horas nos dias de visita) ficam o tempo todo sob a mira de armas. <\/p>\n<p>O corregedor-geral de Justi\u00e7a do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, desembargador Gilberto Passos de Freitas, intimou ontem o secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria do Estado, Antonio Ferreira Pinto, a revelar, num prazo de 24 horas, as provid\u00eancias adotadas para solucionar o problema da superlota\u00e7\u00e3o na pris\u00e3o de Araraquara, &#8220;inclusive quanto ao atendimento m\u00e9dico e ao fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o aos detentos&#8221;, determinou o desembargador. <\/p>\n<p><strong>PM e a irm\u00e3 foram assassinados em casa<\/strong>&#8220;Karina, por que voc\u00ea est\u00e1 chorando? Voc\u00ea vai comigo ver meu pai l\u00e1 no c\u00e9u?&#8221;, perguntava Nicolas, 4, no colo da prima. A metros dali, o pai de Nicolas, o soldado Odair Jos\u00e9 Lorenzi, 29, e sua irm\u00e3 Rita de C\u00e1ssia, 38, m\u00e3e de Karina, eram velados no cemit\u00e9rio Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP). <\/p>\n<p>Ambos foram mortos na madrugada de ontem na casa onde vive a fam\u00edlia, um sobrado de oito c\u00f4modos, na favela do Boi Malhado. Lorenzi foi alvejado no port\u00e3o, com cinco tiros no t\u00f3rax e bra\u00e7o. Rita, na janela, com uma bala na cabe\u00e7a. Eles foram duas das oito v\u00edtimas que morreram entre anteontem e ontem em ataques no Estado. <\/p>\n<p>Ainda at\u00f4nita, a estudante Karina, 19, contava sobre os \u00faltimos minutos do tio e da m\u00e3e. &#8220;Estava dormindo no quarto com minha m\u00e3e quando ouvimos os tiros. Olhamos pela janela e vimos meu tio ca\u00eddo. Desci correndo, coloquei a cabe\u00e7a dele no colo. N\u00e3o deu para entender o que dizia. Os tiros continuavam e um dos bandidos gritou para eu sair dali sen\u00e3o me matavam.&#8221; <\/p>\n<p>Ao chegar ao andar de cima da casa, Karina diz que encontrou a m\u00e3e, pr\u00f3xima \u00e0 janela da cozinha. &#8220;Ela chorava muito e pediu para eu avisar a pol\u00edcia. Quando ligava, vi minha m\u00e3e cair no ch\u00e3o. Tinha levado um tiro no olho. Perdi as duas pessoas que mais amava na vida.&#8221; <\/p>\n<p>Ex\u00edmio churrasqueiro e f\u00e3 de m\u00fasica sertaneja, Lorenzi estava havia dez anos na PM. Atuava como motorista da For\u00e7a T\u00e1tica do 18\u00ba Batalh\u00e3o. Ca\u00e7ula de seis irm\u00e3os, tinha rec\u00e9m-conclu\u00eddo curso de reciclagem, onde teve aulas de tiro. <\/p>\n<p>&#8220;Ele se sentia seguro em casa porque n\u00e3o tinha inimigos. Moramos h\u00e1 25 anos no mesmo lugar e todos conheciam e gostavam do Odair&#8221;, conta o irm\u00e3o Carlos Alberto, 37. <\/p>\n<p>Confiando nessa prote\u00e7\u00e3o, o soldado saiu no port\u00e3o, ap\u00f3s ouvir algu\u00e9m o chamando pelo nome. Lorenzi estava acordado \u00e0 espera da mulher, que trabalhava em telemarketing. <\/p>\n<p>&#8220;Todos os policiais j\u00e1 foram avisados para ter cuidado antes de atender a porta. Mas, em casa, o policial se sente mais seguro e baixa um pouco a guarda&#8221;, diz o coronel David Antonio de Godoy, comandante da zona norte, presente ao vel\u00f3rio. Ele disse crer que a irm\u00e3 do PM foi atingida por bala perdida. <\/p>\n<p>Segundo Godoy, os criminosos trocaram tiros com dois PMs que estavam perto do local. Um dos policiais, mesmo com colete \u00e0 prova de bala, foi baleado na bacia. Os criminosos fugiram. A mulher de Lorenzi conta que, embora evitasse mostrar, o marido andava preocupado com os ataques do PCC. Tanto que, desde maio, pediu para mudar de lugar na cama, ficando mais pr\u00f3ximo \u00e0 janela. &#8220;Ele dizia que, se acontecesse algo coisa, preferia que fosse com ele, n\u00e3o comigo.&#8221; <\/p>\n<p>Ao lado dela, o empreiteiro Marco Galv\u00e3o, 52, olhava incr\u00e9dulo para o caix\u00e3o da namorada, a atendente de cozinha Rita. Na noite anterior, haviam conversado pelo celular, ap\u00f3s terem trocado mensagens de dia. Galv\u00e3o trabalhava em Mongagu\u00e1, litoral sul, e Rita reclamava da saudade. Estava euf\u00f3rica porque o namorado voltaria ontem e eles acertariam a data em que morariam juntos. &#8220;Corri tanto para adiantar o servi\u00e7o e voltar mais cedo. Pr\u00e1 qu\u00ea? A \u00faltima coisa que eu esperava nesta vida era reencontr\u00e1-la no caix\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Folha de S. Paulo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}