{"id":8648,"date":"2006-07-05T09:29:58","date_gmt":"2006-07-05T12:29:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/planalto-vetara-reajuste-de-16-a-aposentados\/"},"modified":"2006-07-05T09:29:58","modified_gmt":"2006-07-05T12:29:58","slug":"planalto-vetara-reajuste-de-16-a-aposentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/planalto-vetara-reajuste-de-16-a-aposentados\/","title":{"rendered":"Planalto vetar\u00e1 reajuste de 16% a aposentados"},"content":{"rendered":"<p><em>Apesar do desgaste, governo decide vetar reajuste de 16,67% aprovado pelo Senado para aposentados que ganham acima do m\u00ednimo. MP das Dom\u00e9sticas tamb\u00e9m pode sofrer vetos do presidente Lula <\/p>\n<p><\/em> <\/p>\n<p>O Senado imp\u00f4s ontem mais uma derrota ao governo Lula, ao aprovar a Medida Provis\u00f3ria (MP) 288, que concedeu reajuste de 16,67% ao sal\u00e1rio m\u00ednimo e, por meio de uma emenda inclu\u00edda quando o texto tramitou na C\u00e2mara, estendeu o aumento a todos os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como o impacto adicional de R$ 7 bilh\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 previsto no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, o governo vetar\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o do \u00edndice aos 8 milh\u00f5es de aposentados que recebem acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo e ficar\u00e1 com o \u00f4nus de tomar uma medida impopular em ano de elei\u00e7\u00e3o. O veto, confirmado ontem \u00e0 noite por fontes do Planalto, n\u00e3o afeta o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que continua em R$ 350. <\/p>\n<p>Mas a queda-de-bra\u00e7o travada no Congresso entre governo e oposi\u00e7\u00e3o ainda pode acabar resultando em preju\u00edzo para os aposentados. A MP 291, que trata exclusivamente do reajuste dos aposentados que ganham mais do que um m\u00ednimo, tamb\u00e9m pode ser alterada na C\u00e2mara, onde \u00e9 a primeira na fila de vota\u00e7\u00f5es. V\u00e1rias emendas ao texto original enviado pelo Executivo alteram o reajuste dos 5% acordados entre o governo e as centrais sindicais no in\u00edcio do ano para os mesmos 16,67% concedidos ao sal\u00e1rio m\u00ednimo. <\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, caso passe pela C\u00e2mara e pelo Senado com essa modifica\u00e7\u00e3o, a MP 291 tamb\u00e9m ser\u00e1 vetada pelo Planalto, segundo confirmaram ontem os ministros Nelson Machado (Previd\u00eancia) e Luiz Marinho (Trabalho). Caso isso ocorra, os 8 milh\u00f5es de aposentados perderiam o ganho real embutido no reajuste (1,86%), que voltaria a ser de apenas 3,14%, referentes \u00e0 infla\u00e7\u00e3o acumulada entre maio de 2005 e mar\u00e7o de 2006. Os valores recebidos a mais desde 1\u00ba de abril tamb\u00e9m teriam que ser descontados das aposentadorias. <\/p>\n<p>Para evitar o desastre, governo e aposentados tra\u00e7aram ontem uma estrat\u00e9gia. Durante a sess\u00e3o da C\u00e2mara, o vice-l\u00edder do governo, Beto Albuquerque (PT-RS), apresentou requerimento solicitando a retirada da MP 291 da pauta de vota\u00e7\u00f5es. O objetivo foi o de adiar a vota\u00e7\u00e3o da medida at\u00e9 que o Planalto vete a MP 288, que trata do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Com isso, o governo j\u00e1 passaria pelo desgaste pol\u00edtico e tentaria convencer a oposi\u00e7\u00e3o a desistir de alterar a 291, para evitar o futuro veto. <\/p>\n<p>Decidimos suspender porque, como o Senado aprovou a MP do sal\u00e1rio m\u00ednimo com uma corre\u00e7\u00e3o de 16% tamb\u00e9m para os aposentados, achamos melhor esperar a posi\u00e7\u00e3o do presidente Lula. Nessa MP (291), n\u00e3o d\u00e1 para fazer brincadeira, sen\u00e3o os aposentados v\u00e3o acabar sem os 5% de reajuste, justificou o deputado petista. A decis\u00e3o de vetar j\u00e1 foi tomada porque os R$ 7 bilh\u00f5es necess\u00e1rios para custear o aumento de 16,67% a todos os aposentados agravaria ainda mais o j\u00e1 bilion\u00e1rio d\u00e9ficit da Previd\u00eancia Social, que deve atingir R$ 45 bilh\u00f5es este ano e com a medida passaria da casa dos R$ 50 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, representantes das centrais sindicais se reuniram com os ministros da Previd\u00eancia e do Trabalho para discutir o assunto. Receberam a orienta\u00e7\u00e3o de pressionar os parlamentares para que a MP 291 fosse aprovada apenas com os 5% de aumento, caso contr\u00e1rio a medida ser\u00e1 mesmo vetada. \u201cSe a C\u00e2mara aprovar emendas de forma que fique invi\u00e1vel o governo manter o acordo, o risco que n\u00f3s corremos \u00e9 que, sendo obrigados a vetar, a gente fique sem nenhuma legisla\u00e7\u00e3o atualizada e tenhamos que voltar ao patamar anterior\u201d, afirmou Nelson Machado. \u201cN\u00e3o restar\u00e1 outra alternativa se n\u00e3o o veto, porque n\u00e3o h\u00e1 garantias or\u00e7ament\u00e1rias para esse reajuste\u201d, refor\u00e7ou Luiz Marinho. <\/p>\n<p>Riscos <\/p>\n<p>Mas o risco dos aposentados n\u00e3o est\u00e1 apenas na briga entre governo e oposi\u00e7\u00e3o. O prazo para vota\u00e7\u00e3o da MP 291 termina no dia 13. Caso a proposta n\u00e3o seja apreciada at\u00e9 l\u00e1, a MP perde a validade e o reajuste dos 8 milh\u00f5es de aposentados que recebem acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo cai para 3,14%. O governo j\u00e1 deixou claro que vai vetar os 16,6% para todos os aposentados. Os 5% s\u00e3o pouco, mas queremos garantir isso porque \u00e9 melhor do que 3,14%, afirmou o vice-presidente da For\u00e7a Sindical, Heleno Bezerra. Para o representante da Social Democracia Sindical, Manuel Nunes dos Santos Neto, os aposentados est\u00e3o ficando ref\u00e9ns da disputa pol\u00edtica no Congresso. O veto \u00e9 um \u00f4nus para o governo. Mas queremos avisar aos congressistas que a altera\u00e7\u00e3o da MP tamb\u00e9m ser\u00e1 um \u00f4nus para os aposentados, afirmou. <\/p>\n<p>Entre a cruz e a caldeira <\/p>\n<p>Al\u00e9m da dor de cabe\u00e7a em que se transformou o reajuste dos aposentados, o presidente Lula ter\u00e1 mais um abacaxi para descascar na pr\u00f3xima semana. Decidir se veta ou n\u00e3o a Medida Provis\u00f3ria (MP) 248, aprovada pelo Congresso e que torna obrigat\u00f3rio o recolhimento mensal do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) para os trabalhadores dom\u00e9sticos, a uma al\u00edquota de 8%, al\u00e9m de impor o pagamento da multa de 40% em caso de demiss\u00e3o sem justa causa. <\/p>\n<p>Para tomar a decis\u00e3o, que vai desagradar \u00e0s dom\u00e9sticas ou \u00e0 classe m\u00e9dia, o governo decidiu ouvir as entidades representativas de patr\u00f5es e empregados dom\u00e9sticos para decidir se vetar\u00e1 ou n\u00e3o a MP. &#8220;Precisamos dialogar com as entidades representativas para saber o que elas desejam&#8221;, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. As negocia\u00e7\u00f5es contar\u00e3o com a participa\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios do Trabalho e da Previd\u00eancia e tamb\u00e9m da Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ainda tem 20 dias para decidir se veta ou n\u00e3o a MP. &#8220;Por enquanto, n\u00e3o temos recomenda\u00e7\u00e3o (ao presidente)&#8221;, afirmou Marinho. <\/p>\n<p>No entanto, o governo teme o efeito de qualquer que seja a decis\u00e3o. Se sancionar a MP, o presidente Lula poder\u00e1 desagradar a classe m\u00e9dia, que arcar\u00e1 com os custos adicionais. Se vetar, deixa descontentes os trabalhadores dom\u00e9sticos. Apesar de ainda n\u00e3o ter decidido, o governo acredita que a obrigatoriedade do FGTS vai incentivar a informalidade no setor. &#8220;A nossa avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 de que haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o da formalidade&#8221;, reconheceu Luiz Marinho. Fontes do governo sustentam ainda que o pior n\u00e3o \u00e9 a al\u00edquota de 8% do FGTS, mas a multa de 40% em caso de demiss\u00e3o sem justa causa. &#8220;Seria como tratar uma pessoa como se fosse uma empresa&#8221;, justifica a fonte. <\/p>\n<p>Dos 6,8 milh\u00f5es de trabalhadores dom\u00e9sticos do pa\u00eds, apenas 1,8 milh\u00e3o t\u00eam a carteira assinada. O pagamento de FGTS, que \u00e9 opcional, \u00e9 feito por apenas 60 mil patr\u00f5es. O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marcio Pochmann, especialista em mercado de trabalho, defende a obrigatoriedade do FGTS para as dom\u00e9sticas. &#8220;Se \u00e9 trabalho dentro ou fora de casa n\u00e3o importa, \u00e9 trabalho. A lei vale para todos&#8221;, defende. <\/p>\n<p>Segundo ele, a contrata\u00e7\u00e3o de uma dom\u00e9stica \u00e9 decidida com base na capacidade de pagamento que uma fam\u00edlia tem. De acordo com c\u00e1lculos do economista, a fam\u00edlia brasileira gasta em m\u00e9dia 2,2% de seu or\u00e7amento com o pagamento de servi\u00e7os dom\u00e9sticos. As despesas com telefonia (incluindo os telefones fixos e celulares) chega a 3,04%. &#8220;Basta a fam\u00edlia economizar um pouco em outras coisas que conseguiria pagar o FGTS sem grandes impactos em seu or\u00e7amento&#8221;, defende. <\/p>\n<p>Para o economista Marcelo de \u00c1vila, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), \u00e9 imposs\u00edvel medir o impacto da medida no mercado de trabalho. &#8220;Acredito que haveria uma acomoda\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel saber isso dentro de um ano&#8221;, afirma. &#8220;Mas acho que poder\u00e1 haver um vi\u00e9s para a informalidade.&#8221; <\/p>\n<p>O presidente do Sindicato dos Empregados Dom\u00e9sticos do Distrito Federal, Antonio Barros, defende a san\u00e7\u00e3o da MP 284. &#8220;Os dom\u00e9sticos s\u00e3o uma classe trabalhadora, que deve ter os mesmos direitos. Nada mais justo do que os dom\u00e9sticos terem acesso ao FGTS&#8221;, defende. Segundo ele, dos 95,9 mil trabalhadores dom\u00e9sticos do DF, 60 mil, o equivalente a 62%, n\u00e3o t\u00eam carteira assinada. <\/p>\n<p>Marcelo Tokarski do <strong>Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n<p>Texto <\/p>\n<p>A MP 284 foi feita pelo governo para permitir que o contribuinte possa deduzir, na declara\u00e7\u00e3o anual do Imposto de Renda (IR), os gastos com a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de um empregado dom\u00e9stico. A al\u00edquota patronal \u00e9 de 12%. De acordo com o texto original da MP, a dedu\u00e7\u00e3o poderia ser feita a partir de abril. As mudan\u00e7as feitas na C\u00e2mara mudaram a retroatividade para janeiro e inclu\u00edram a obrigatoriedade do recolhimento de 8% de FGTS e do pagamento da multa de 40% em caso de demiss\u00e3o sem justa causa. Os dom\u00e9sticos tamb\u00e9m passariam a ter acesso ao seguro-desemprego. O governo esperava induzir a contrata\u00e7\u00e3o de 1,1 milh\u00e3o de trabalhadores dom\u00e9sticos com carteira assinada. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8648\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}