{"id":8609,"date":"2006-06-22T09:57:18","date_gmt":"2006-06-22T12:57:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/reajuste-para-os-ricos\/"},"modified":"2006-06-22T09:57:18","modified_gmt":"2006-06-22T12:57:18","slug":"reajuste-para-os-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/reajuste-para-os-ricos\/","title":{"rendered":"Reajuste para os ricos"},"content":{"rendered":"<p>Agentes da Pol\u00edcia Federal ganham hoje, no in\u00edcio da carreira, cerca de R$ 5 mil por m\u00eas. Fizeram ontem greve de advert\u00eancia para reivindicar 60% de reajuste, sob o argumento de que outros setores do funcionalismo, como colegas da Fazenda, receberam vantagem semelhante. Se conseguirem, os policiais (mais escriv\u00e3es e papiloscopistas) chegar\u00e3o a R$ 8 mil, que seria praticamente igual ao sal\u00e1rio inicial de auditores da Receita Federal (R$ 7.500). Mas estes, que est\u00e3o em greve h\u00e1 quase dois meses, reclamam reajuste de 57% para o piso, de modo a elev\u00e1-lo para R$ 11,8 mil, e assim recuperar perdas que alegam ter sofrido desde 1995. Depois disso, os auditores pleiteiam um novo plano de carreira, pelo qual o piso subiria a R$ 16,3 mil e o vencimento de final de carreira a R$ 20,4 mil \u2014 desta vez sob o argumento de equipara\u00e7\u00e3o com outras carreiras, como de promotores e procuradores. <\/p>\n<p>S\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es justas? <\/p>\n<p>O argumento interno \u00e9 correto. Sempre h\u00e1 alguma categoria com n\u00edvel e fun\u00e7\u00f5es de import\u00e2ncia semelhantes ganhando mais que outra. Em conseq\u00fc\u00eancia, forma-se a\u00ed uma ciranda da equipara\u00e7\u00e3o, que vai puxando os sal\u00e1rios para cima. Mas n\u00e3o s\u00e3o todos que conseguem. <\/p>\n<p>Conforme o \u00faltimo Boletim de Pessoal do <strong>Minist\u00e9rio do Planejamento<\/strong>, cerca de 40% dos funcion\u00e1rios do Executivo ganham entre R$ 1.500 e R$ 2.500 \u2014 isso em dezembro do ano passado, \u00faltimo dado divulgado pelo governo. Mas h\u00e1 um grupo expressivo acima dos R$ 4.500 \u2014 s\u00e3o 17% dos funcion\u00e1rios. Na parte mais alta da pir\u00e2mide, s\u00e3o 7% os que ganham acima de R$ 7.500, sempre considerando sal\u00e1rio bruto, sem as chamadas vantagens pessoais, que podem ser um bom complemento. <\/p>\n<p>De todo modo, os funcion\u00e1rios mais ativos em suas reivindica\u00e7\u00f5es neste momento s\u00e3o aqueles do topo da categoria. No \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, professor universit\u00e1rio ganha de R$ 1.400, na entrada, at\u00e9 pouco menos de R$ 5 mil no final da carreira \u2014 menos do que um policial federal iniciante. No quadro da Sa\u00fade, um m\u00e9dico, com 40 horas semanais, come\u00e7a com R$ 2.100 e pode chegar a R$ 3.800. <\/p>\n<p>Sempre que colocados diante destes dados, os mais bem remunerados alegam que n\u00e3o se pode nivelar por baixo. Faz sentido. Mas, numa situa\u00e7\u00e3o dessas, e considerando que n\u00e3o est\u00e1 sobrando dinheiro no setor p\u00fablico, o mais razo\u00e1vel seria \u201cpuxar\u201d os vencimentos mais baixos, mantendo congelados os mais altos. Mesmo porque as categorias mais pr\u00f3ximas dos centros de decis\u00e3o s\u00e3o as que conseguem sal\u00e1rios e reajustes melhores. <\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dessa compara\u00e7\u00e3o interna, pode-se colocar os vencimentos do funcionalismo na realidade brasileira. Pelos dados da \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD 2004), a renda m\u00e9dia real do trabalho principal era de R$ 634 (a valores de 2004, de modo que se conseguiria uma aproxima\u00e7\u00e3o para hoje se acrescentando uns 10% por conta da infla\u00e7\u00e3o). Mas a renda m\u00e9dia do trabalhador do setor p\u00fablico era de R$ 1.200, quase o dobro da m\u00e9dia nacional. <\/p>\n<p>Mais ainda. Pela mesma pesquisa, uma renda domiciliar per capita de R$ 3.600 coloca a pessoa no restrito grupo dos 1% de brasileiros mais bem remunerados. Ou seja, o policial federal, mesmo sem o reajuste pleiteado, j\u00e1 est\u00e1 na ponta da pir\u00e2mide. O auditor da Receita Federal j\u00e1 ganha mais de duas vezes o, digamos, piso dos 1% mais ricos. <\/p>\n<p>Mais ainda. Pela mesma pesquisa, a renda real m\u00e9dia do trabalho principal dos 10% mais ricos era de R$ 2.763 nas principais regi\u00f5es metropolitanas. Mas com uma distribui\u00e7\u00e3o bastante desigual. Em Bel\u00e9m, por exemplo, essa renda era de R$ 1.718, a mais baixa do pa\u00eds. A mais alta? Adivinhou: em Bras\u00edlia, R$ 4.185. <\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, os 10% mais ricos se apropriam de 44% da renda total. Em Bras\u00edlia, de 49%. <\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 falso dizer que o funcionalismo ganha mal. \u00c9 verdadeiro dizer que muitos servidores ganham mal, inclusive aqueles que prestam servi\u00e7os diretamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como m\u00e9dicos e professores. \u00c9 verdadeiro tamb\u00e9m que um quinto dos funcion\u00e1rios federais do Executivo, recebendo mais de R$ 4.500 por m\u00eas, ganha o dobro da renda m\u00e9dia dos 10% mais ricos no Brasil. Isso sem contar os funcion\u00e1rios do Legislativo (m\u00e9dia salarial de R$ 8.730) e Judici\u00e1rio (R$ 8.961), que tamb\u00e9m est\u00e3o arrancando reajustes. <\/p>\n<p>O pessoal precisa ganhar bem. Mas assim? <\/p>\n<p><strong>Artigo &#8211; Carlos Alberto Sardenberg \/ O Globo <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8609","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8609"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8609\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}