{"id":8588,"date":"2006-06-19T10:33:31","date_gmt":"2006-06-19T13:33:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/voo-ameacado\/"},"modified":"2006-06-19T10:33:31","modified_gmt":"2006-06-19T13:33:31","slug":"voo-ameacado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/voo-ameacado\/","title":{"rendered":"V\u00d4O AMEA\u00c7ADO"},"content":{"rendered":"<p><em>Para usar aeroportos, companhia ter\u00e1 que repassar \u00e0 Infraero as taxas de embarque pagas pelos passageiros<\/em>&nbsp; <\/p>\n<p>O calend\u00e1rio n\u00e3o oferece muitas alternativas \u00e0 Varig, que tem 48 horas para resolver parte de seus problemas. Se quiser continuar voando, a companhia ter\u00e1 de pagar dois de seus principais credores. A Infraero e a BR Distribuidora prometem endurecer o jogo, cobrando antecipadamente e \u00e0 vista taxas e servi\u00e7os prestados. Isso dificultaria ainda mais a sobreviv\u00eancia da empresa, que est\u00e1 em processo de recupera\u00e7\u00e3o, mas aguarda por um investidor com f\u00f4lego para reergu\u00ea-la. Caso as amea\u00e7as se concretizem, o futuro daquela que j\u00e1 foi umas das a\u00e9reas mais importantes da Am\u00e9rica Latina pode estar selado. <\/p>\n<p>Entre hoje e amanh\u00e3, a estatal que administra os 66 aeroportos brasileiros pretende exigir da Varig o repasse, at\u00e9 o hor\u00e1rio de cada v\u00f4o, do valor cobrado dos passageiros referente \u00e0 taxa de embarque (entre R$ 800 e R$ 900 por v\u00f4o). Caso n\u00e3o haja o recolhimento, a Infraero impedir\u00e1 que as aeronaves decolem. \u201cO que est\u00e1 havendo \u00e9 apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de recursos e, por dever de of\u00edcio, n\u00e3o posso mais permitir\u201d, disse Jos\u00e9 Carlos Pereira, presidente da Infraero. Segundo ele, h\u00e1 mais de um m\u00eas a Varig deixou de pagar o que deve. O montante j\u00e1 chega a R$ 35 milh\u00f5es. A d\u00edvida total da a\u00e9rea com a estatal soma R$ 550 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Mas, ainda que grave, esse n\u00e3o \u00e9 o problema mais urgente. Apesar dos quase 120 v\u00f4os cancelados desde a semana passada, a Varig conta com pouco combust\u00edvel para abastecimento e s\u00f3 teria caixa para comprar querosene at\u00e9 hoje. Na sexta-feira, depois de uma tensa reuni\u00e3o com o presidente da Varig, Marcelo Bottini, a presidente da Petrobras Distribuidora (BR), Maria da Gra\u00e7a Foster, afirmou que reconhece os esfor\u00e7os da companhia em honrar suas d\u00edvidas, mas que novas concess\u00f5es colocam em risco os resultados da BR, expondo demais seus acionistas. A companhia a\u00e9rea deve \u00e0 BR Distribuidora R$ 57 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Mergulhada na mais grave crise financeira de sua hist\u00f3ria, a Varig vem perdendo mercado para as concorrentes. No cen\u00e1rio dom\u00e9stico, a participa\u00e7\u00e3o dela, em maio, caiu para 14,4% \u2014 em abril era de 16,51% \u2014 de acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac). TAM e Gol, ao contr\u00e1rio, s\u00f3 aumentam suas presen\u00e7as. No item ocupa\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es, a Varig tamb\u00e9m est\u00e1 cada vez mais longe das l\u00edderes, tendo registrado no m\u00eas passado 65% \u2014 atr\u00e1s de TAM (73%) e Gol (74%). A fragilidade est\u00e1 estampada nos pain\u00e9is de v\u00f4os pelo Brasil. No aeroporto da Pampulha (Belo Horizonte), a Varig mant\u00e9m apenas uma partida (para o Gale\u00e3o, Rio de Janeiro) e uma chegada. A rota para Congonhas (S\u00e3o Paulo-SP) est\u00e1 sendo operada pela Gol. <\/p>\n<p>Al\u00e9m dos atrasos e cancelamentos, os passageiros que voam em avi\u00f5es da empresa passaram a temer tamb\u00e9m pela seguran\u00e7a. Na sexta-feira, um MD-11 teve falha mec\u00e2nica no trem de pouso central quando pousava na pista do Aeroporto Internacional de Bras\u00edlia. Em nota, a companhia informou que houve a \u201cquebra do suporte de fixa\u00e7\u00e3o das rodas\u201d, que se desprendeu no momento do pouso. Ningu\u00e9m saiu ferido entre os 108 passageiros. O avi\u00e3o havia sa\u00eddo do Rio de Janeiro \u00e0s 8h40 e fez uma escala no Distrito Federal \u00e0s 10h. O destino final era Manaus (AM). <\/p>\n<p>Calv\u00e1rio <\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 8, a Varig foi a leil\u00e3o e recebeu apenas uma oferta de compra. Em nome da associa\u00e7\u00e3o Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), a NV Participa\u00e7\u00f5es prometeu pagar US$ 449 milh\u00f5es (R$ 1,010 bilh\u00e3o). O juiz Luiz Roberto Ayoub, respons\u00e1vel pela reestrutura\u00e7\u00e3o da empresa, pediu 24 horas para analisar a proposta, e depois de dois adiamentos, decidiu n\u00e3o estabelecer prazo algum para se pronunciar. <\/p>\n<p>O suspense continua e as especula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. O presidente da portuguesa TAP, Fernando Pinto, admitiu interesse em arrematar a Varig por meio de um cons\u00f3rcio internacional. As empresas estariam dispostas a bancar operacional e financeiramente a companhia brasileira, caso fosse decretada a fal\u00eancia continuada \u2014 o que n\u00e3o inviabiliza a manuten\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es. A fal\u00eancia continuada, por\u00e9m, est\u00e1 condicionada \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o da proposta feita pela TGV. Bottini, da Varig, confirmou o interesse dos investidores estrangeiros. <\/p>\n<p>Enquanto as negocia\u00e7\u00f5es para a compra da Varig n\u00e3o se concretizam, nos bastidores, a companhia se organiza para evitar preju\u00edzos ainda maiores se tiver mesmo de encerrar suas atividades esta semana. Segundo o site abcpolitiko, a diretoria da empresa j\u00e1 teria comunicado \u00e0s autoridades federais como se dar\u00e1 a paralisa\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es: as aeronaves abastecem hoje, cumprem as rotas nacionais e internacionais, trazem ao Brasil 740 tripulantes que est\u00e3o no exterior e param de voar amanh\u00e3. <\/p>\n<p>DIREITOS DO CONSUMIDOR <\/p>\n<p>Para efetuar a transfer\u00eancia de bilhete para outra companhia, o consumidor deve procurar com anteced\u00eancia a Varig (cinco a sete dias) para fazer a mudan\u00e7a. Os custos da transfer\u00eancia ser\u00e3o arcados pelo consumidor. <\/p>\n<p>Se a Varig deixar de operar, o consumidor que tem bilhete emitido deve procurar um agente de viagem para tentar trocar por um bilhete de outra companhia. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 recorrer \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac). <\/p>\n<p>Se a Varig deixar de operar, os brasileiros que est\u00e3o na Alemanha acompanhando a Copa do Mundo devem procurar as ag\u00eancias de viagens onde compraram o pacote ou ainda ir ao consulado. A Anac deve ter um plano para atender esses brasileiros que est\u00e3o no exterior. <\/p>\n<p>Se o consumidor tiver milhas acumuladas, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que emita o bilhete apenas se tiver certeza de que vai <\/p>\n<p>viajar no per\u00edodo de 12 meses. Caso contr\u00e1rio, o consumidor deve guardar todos os extratos de milhagens. Esses podem ser usados para pleitear na Justi\u00e7a a garantia do direito de viajar. <\/p>\n<p>Fonte: Procon-SP <\/p>\n<p>Um risco de US$ 1,5 bilh\u00e3o <\/p>\n<p>O grupo TGV, formado pelos empregados da Varig, dificilmente conseguir\u00e1 obter os US$ 449 milh\u00f5es necess\u00e1rios para honrar a proposta de compra da empresa a\u00e9rea feita \u00e0 Justi\u00e7a na semana passada. A maior parte dos poss\u00edveis parceiros do grupo constatou que, mesmo livre de d\u00edvidas, a parcela boa da Varig que est\u00e1 sendo negociada s\u00f3 se tornar\u00e1 vi\u00e1vel se houver uma grande inje\u00e7\u00e3o de capital no neg\u00f3cio \u2014 algo como US$ 1,5 bilh\u00e3o. \u201cInfelizmente, a Varig est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o terminal. J\u00e1 teve morte cerebral e est\u00e1 apenas com o cora\u00e7\u00e3o batendo. Seu enterro est\u00e1 praticamente planejado. Por isso, n\u00e3o vemos a possibilidade de ningu\u00e9m assumir um risco t\u00e3o grande\u201d, disse um integrante do governo. <\/p>\n<p>A torcida no Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 para que a Varig consiga resistir pelo menos at\u00e9 o final da Copa do Mundo, para evitar transtornos aos cerca de 30 mil brasileiros que viajaram para a Alemanha em avi\u00f5es da empresa. Apesar de a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac) estar se movimentando para criar um plano de conting\u00eancia que minimize ao m\u00e1ximo os estragos causados pela fal\u00eancia da companhia, o governo tem certeza de que os problemas ser\u00e3o muitos. \u201cO v\u00e1cuo deixado pela Varig ser\u00e1 enorme\u201d, assinalou um assessor muito pr\u00f3ximo do ministro da Defesa, Waldir Pires. <\/p>\n<p>Aventureiros <\/p>\n<p>A esperan\u00e7a do governo era de que a Varig conseguisse sobreviver at\u00e9 depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de outubro, para que sua quebra n\u00e3o respingasse na campanha da reelei\u00e7\u00e3o do presidente Lula. Mas com o cancelamento de quase 120 v\u00f4os desde a \u00faltima sexta-feira e o fato de a empresa vir reduzindo aceleradamente sua participa\u00e7\u00e3o no mercado dom\u00e9stico \u2014 acredita-se que fechar\u00e1 junho com apenas 10% dos passageiros \u2014, passou-se a esperar pelo pior a qualquer momento. Em 2004, tinha 31% do mercado. <\/p>\n<p>O des\u00e2nimo se instalou por completo no governo, diante dos v\u00e1rios aventureiros que surgiram nos \u00faltimos dias como poss\u00edveis salvadores da Varig. Anteontem, o ex-presidente do Correios e da VarigLog Jos\u00e9 Carlos da Rocha Lima assegurou ter fechado acordo com o fundo de investimento americano Carlyle para se associar ao TGV. Mas o porta-voz do Carlyle, Christopher Ullman, disse que o fundo desconhece Rocha Lima e que n\u00e3o tem nenhum interesse em investir na empresa brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Luciano Pires do Correio Braziliense <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-8588","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8588\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}