{"id":13049,"date":"2017-08-18T12:08:33","date_gmt":"2017-08-18T15:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/?p=13049"},"modified":"2017-08-23T12:33:42","modified_gmt":"2017-08-23T15:33:42","slug":"a-injustica-em-obrigar-o-funcionalismo-a-pagar-conta-que-nao-e-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/a-injustica-em-obrigar-o-funcionalismo-a-pagar-conta-que-nao-e-dele\/","title":{"rendered":"A injusti\u00e7a em obrigar o funcionalismo a pagar conta que n\u00e3o \u00e9 dele"},"content":{"rendered":"<p>Eleger culpados pelos fracassos pessoais \u00e9 algo bastante comum. Culpar um terceiro sempre ser\u00e1 mais f\u00e1cil que assumir os pr\u00f3prios erros, pois \u00e9 dif\u00edcil reconhecer em si mesmo as fraquezas que observamos t\u00e3o facilmente nos demais. Com o Governo Federal n\u00e3o \u00e9 diferente. Incapaz de se assumir incompetente na tarefa de sanar as contas p\u00fablicas, o Planalto tratou de eleger um bode expiat\u00f3rio: os servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que a conta rombo fiscal de R$ 159 bi projetado pelo governo para 2017 (e que dever\u00e1 se repetir em 2018) \u00e9 mesmo dos servidores p\u00fablicos? Dados do pr\u00f3prio governo mostram que n\u00e3o. De 2012 at\u00e9 junho de 2017, as despesas que o Tesouro Nacional teve para compensar o Regime Geral de Previd\u00eancia Social (RGPS) com a pol\u00edtica de desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos do setor privado foi de R$ 91 bilh\u00f5es. J\u00e1 a ren\u00fancia fiscal entre 2012 e 2016 foi de R$ 68,7 bilh\u00f5es, chegando, portanto, a um impacto total de R$ 160 bilh\u00f5es \u00e0s finan\u00e7as da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed: somente na semana passada o governo anunciou ren\u00fancia fiscal de R$ 7,6 bi com o perd\u00e3o da d\u00edvida de grandes empresas do setor agr\u00edcola \u2014 montante superior ao or\u00e7amento total da Pol\u00edcia Federal! Em outra ponta, auditorias t\u00eam demostrado que o grande vil\u00e3o por tr\u00e1s do propalado rombo da previd\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o regime atual de aposentadorias, e sim a desenfreada sonega\u00e7\u00e3o de impostos praticada por grandes empresas (s\u00f3 no ano passado, estima-se que o pa\u00eds deixou de arrecadar R$ 500 bi devido \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Note-se que, nessa conta, n\u00e3o foram inclu\u00eddos os custos da corrup\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica cuja a responsabilidade \u00e9 do governo, n\u00e3o dos servidores. Tampouco os R$ 3,6 bi reservados para campanhas eleitorais em tempo de descren\u00e7a pol\u00edtica generalizada.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m poder\u00e1 dizer que as desonera\u00e7\u00f5es foram importantes para a economia do pa\u00eds, muito embora esta tenha continuado em frangalhos ap\u00f3s cada uma das medidas anunciadas. N\u00e3o vamos negar que fazer crescer a atividade econ\u00f4mica seja algo importante. Contudo, aos defensores da iniciativa privada, fica a pergunta: os servidores p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o importantes?<\/p>\n<p>Por puro desconhecimento e desconex\u00e3o com a realidade do pa\u00eds, tem crescido entre a classe m\u00e9dia a vis\u00e3o pol\u00edtica de que Estado bom \u00e9 Estado m\u00ednimo \u2014 embora os pa\u00edses escandinavos, donos dos melhores \u00edndices de qualidade de vida, tenham grandes aparatos estatais. Alguns mais exaltados chegam a culpar o Estado por todos os problemas existentes, garantindo que tudo seria melhor se todas as reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas fossem fechadas da noite para o dia. Trata-se de uma vis\u00e3o ut\u00f3pico-delirante sem nenhum lastro com a realidade, origin\u00e1ria de pessoas que acham que ningu\u00e9m se beneficia de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablicas. Que creem cair do c\u00e9u as vias p\u00fablicas de tr\u00e2nsito, a ilumina\u00e7\u00e3o de ruas e pra\u00e7as, o sistema de saneamento b\u00e1sico, etc.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o existam problemas no funcionalismo p\u00fablico. H\u00e1 sim uma s\u00e9rie de distor\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios indefens\u00e1veis. Entretanto, esses casos s\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o, sendo pagos a uma pequena casta de privilegiados que \u2014 vejam s\u00f3! \u2014 passa ao largo das reformas em debate e que manter\u00e1 parte desses privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u2014 que precisa ser respondida pela sociedade \u2014 \u00e9 qual deve ser a prioridade do pa\u00eds: reservar recursos para manter servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade ou destinar esse mesmo dinheiro para que maus pol\u00edticos e empres\u00e1rios engordem suas contas na Su\u00ed\u00e7a? Comprometidos com o pa\u00eds, os servidores p\u00fablicos precisam agora n\u00e3o apenas fazer a primeira op\u00e7\u00e3o, mas lutar abertamente para que ela prevale\u00e7a.<\/p>\n<p>De posse de todas as informa\u00e7\u00f5es, confiamos que a popula\u00e7\u00e3o julgar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o corretamente, apontando e condenando, nas urnas, os verdadeiros culpados. Quem consumiu (mal) as finan\u00e7as do pa\u00eds \u00e9 quem deve pagar a conta!<\/p>\n<p><strong><em>\u00c9der Fernando da Silva \u00e9 T\u00e9cnico em Contabilidade da Pol\u00edcia Federal e presidente do SinpecPF.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleger culpados pelos fracassos pessoais \u00e9 algo bastante comum. Culpar um terceiro sempre ser\u00e1 mais f\u00e1cil que assumir os pr\u00f3prios erros, pois \u00e9 dif\u00edcil reconhecer em si mesmo as fraquezas que observamos t\u00e3o facilmente nos demais. Com o Governo Federal n\u00e3o \u00e9 diferente. 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