{"id":12636,"date":"2013-01-11T02:52:01","date_gmt":"2013-01-11T04:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/?p=12636"},"modified":"2017-07-18T02:52:32","modified_gmt":"2017-07-18T05:52:32","slug":"um-basta-a-inversao-de-papeis-na-pf-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/um-basta-a-inversao-de-papeis-na-pf-4\/","title":{"rendered":"Um basta \u00e0 invers\u00e3o de papeis na PF"},"content":{"rendered":"<p>A proximidade dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediar\u00e1, somada ao crescimento do consumo de drogas nas grandes cidades, fez com que a opini\u00e3o p\u00fablica voltasse os olhos para o gargalo existente na fiscaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras brasileiras. Cansados de ter de arcar sozinhos com o custo pol\u00edtico do aumento da viol\u00eancia, governadores e prefeitos tamb\u00e9m passaram a culpar \u2013 n\u00e3o sem raz\u00e3o \u2013 as fronteiras pela origem de males que tanto afligem as grandes cidades.<\/p>\n<p>De fato, a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 prec\u00e1ria, tanto nos 16.886 quil\u00f4metros de fronteiras terrestres quanto em portos e aeroportos. Faltam recursos humanos e materiais para o trabalho, o que possibilita que ano ap\u00f3s ano toneladas de drogas e de produtos contrabandeados adentrem o Brasil para financiar as opera\u00e7\u00f5es do crime organizado.<\/p>\n<p>Pressionado a dar resposta ao problema, o Governo agiu no modo autom\u00e1tico, apresentando, em junho de 2011, Plano Estrat\u00e9gico de Fronteiras que basicamente promete dobrar o efetivo policial na regi\u00e3o. A maior a\u00e7\u00e3o nesse sentido ocorreu no \u00faltimo dia 28 de dezembro, com a nomea\u00e7\u00e3o de 618 novos policiais federais. Para 2013, h\u00e1 previs\u00e3o de nomea\u00e7\u00e3o de outros 600. A maior parte ser\u00e1 lotada em regi\u00f5es de fronteira.<\/p>\n<p>Tais medidas d\u00e3o impress\u00e3o de que o problema adv\u00e9m simplesmente do baixo quantitativo de policiais. N\u00e3o \u00e9 o caso. A escassez de policiais na fronteira est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 gest\u00e3o ineficiente dos recursos humanos da Pol\u00edcia Federal, em especial no que diz respeito a sua atividade meio. Algo que vai muito al\u00e9m da quest\u00e3o fronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>Para que o trabalho dos policiais seja bem sucedido, \u00e9 necess\u00e1rio todo um suporte log\u00edstico, realizado pelos servidores administrativos do Plano Especial de Cargos da Pol\u00edcia Federal (PECPF) \u2013 a atividade meio. Ocorre que esses profissionais h\u00e1 anos s\u00e3o menosprezados na institui\u00e7\u00e3o, sendo mal remunerados em vista das complexas atividades que desempenham, que v\u00e3o desde o atendimento psicol\u00f3gico dos policiais at\u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de redes de telecomunica\u00e7\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es, entre tantas outras.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tem motivado a sa\u00edda de in\u00fameros profissionais dos quadros do PECPF, que deixam a PF em busca de melhores empregos. O \u00faltimo concurso promovido para o setor foi realizado em 2004, e cerca de 50% dos aprovados j\u00e1 deixaram o \u00f3rg\u00e3o. Hoje, s\u00e3o 795 cargos vagos na carreira administrativa e estudo da pr\u00f3pria PF aponta a necessidade de abertura de novas 3 mil vagas.<\/p>\n<p>Sem contar com n\u00famero suficiente de servidores administrativos para tocar as atividades de suporte, a PF se v\u00ea obrigada a deslocar policiais da linha de frente do combate ao crime para tais postos, apesar do descompasso existente entre a remunera\u00e7\u00e3o das duas atividades, com policiais recebendo at\u00e9 cinco vezes mais. Muitos dos policiais desviados de fun\u00e7\u00e3o s\u00e3o egressos de regi\u00f5es fronteiri\u00e7as. Alguns veem o deslocamento como verdadeiro b\u00f4nus, afinal, nada melhor que trocar as priva\u00e7\u00f5es e dificuldades do trabalho policial nas fronteiras pela burocracia de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no Correio Braziliense em 02\/01\/2013, o diretor da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) Josias Fernandes aponta que 50% do efetivo policial atua hoje em fun\u00e7\u00f5es administrativas. Na pr\u00e1tica, o que ocorre \u00e9 o superfaturamento da atividade meio da PF, com o agravante da diminui\u00e7\u00e3o de efetivo na atividade policial. A administra\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o estar agindo de m\u00e1-f\u00e9, mas incorre em improbidade, e o cidad\u00e3o precisa estar consciente de que \u00e9 ele quem paga por tal desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Para piorar, quando n\u00e3o recorre ao desvio de fun\u00e7\u00e3o de policiais, a PF aceita desviar terceirizados contratados como recepcionistas e digitadores para atividades exclusivas de servidores p\u00fablicos. O resultado disso pode ser mensurado nas reclama\u00e7\u00f5es de mau atendimento e, em casos mais graves, na corrup\u00e7\u00e3o desses funcion\u00e1rios por quantias irris\u00f3rias de dinheiro.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 hoje prioridade para a sociedade, por isso, solu\u00e7\u00f5es imediatistas devem ser abandonadas. Chega de meros paliativos para os problemas estruturais do setor. Valorizar o servidor administrativo, por meio da reestrutura\u00e7\u00e3o de sua carreira e a realiza\u00e7\u00e3o de novo concurso para a \u00e1rea, \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para os problemas de desvio de fun\u00e7\u00e3o de policiais e de terceiriza\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de igualar administrativos a policiais, mas de reconhecer a import\u00e2ncia e o papel de cada um, garantindo que as diferentes engrenagens que movem a seguran\u00e7a p\u00fablica sejam encaixadas nos espa\u00e7os corretos, em benef\u00edcio de toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A proximidade dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediar\u00e1, somada ao crescimento do consumo de drogas nas grandes cidades, fez com que a opini\u00e3o p\u00fablica voltasse os olhos para o gargalo existente na fiscaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras brasileiras. 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