{"id":12571,"date":"2010-06-18T02:27:32","date_gmt":"2010-06-18T05:27:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/?p=12571"},"modified":"2017-07-18T02:28:19","modified_gmt":"2017-07-18T05:28:19","slug":"jose-pessoa-cavalcanti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/jose-pessoa-cavalcanti\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Pessoa Cavalcanti"},"content":{"rendered":"<p>Responda r\u00e1pido: quantas pessoas voc\u00ea conhece decidiram dedicar, de corpo e alma, 43 anos de suas vidas a uma institui\u00e7\u00e3o? Certamente n\u00e3o ser\u00e3o muitos os nomes lembrados, e \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea mesmo considere esse per\u00edodo de dedica\u00e7\u00e3o muito longo. Ap\u00f3s realizar este feito, seria mais do que natural que o agente de cinematografia e microfilmagem Jos\u00e9 Pessoa Cavalcanti estivesse contente em poder se aposentar, ciente do dever cumprido e sendo merecedor de todas as homenagens poss\u00edveis da Academia Nacional de Pol\u00edcia. Por\u00e9m, o caso de amor de Cavalcanti para com o Departamento de Pol\u00edcia Federal \u00e9 t\u00e3o grande que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil v\u00ea-lo lamentar a aposentadoria compuls\u00f3ria decorrente de seu 70\u00ba anivers\u00e1rio. \u201cSe pudesse, gostaria de continuar\u201d, confessa.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria emblem\u00e1tica de Cavalcanti fez com que, na \u00faltima sexta-feira (11), durante a Solenidade Semanal de hasteamento de bandeiras, a Academia decidisse homenagear seu servidor mais dedicado com o \u201cCertificado de amigo da ANP\u201d. Para o SINPECPF, a honraria \u00e9 mais do que merecida. Cavalcanti \u00e9 um verdadeiro s\u00edmbolo da institui\u00e7\u00e3o. Tanto que ser\u00e1 dif\u00edcil enxergar a ANP sem a sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Cavalcanti \u00e9 o nosso \u201cservidor em foco\u201d da vez, se\u00e7\u00e3o esta que, em car\u00e1ter excepcional, adota um formato diferenciado. Sendo exemplo de dedica\u00e7\u00e3o e conduta profissional para todos os seus pares e tamb\u00e9m para os demais servidores p\u00fablicos, nada melhor do que deixar o pr\u00f3prio Cavalcanti contar um pouco sobre sua trajet\u00f3ria dentro da ANP. Ao conferir o relato abaixo, o colega ir\u00e1 ter certeza de que a Pol\u00edcia Federal seria um \u00f3rg\u00e3o melhor se todos os seus servidores tivessem o comprometimento do companheiro Cavalcanti.<\/p>\n<p>\u201cEm dezembro de 1966, o Departamento de Administra\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o P\u00fablico promoveu um concurso interno, do qual participei, fazendo provas de Matem\u00e1tica e Portugu\u00eas. Obtive nota sete e meio e, assim, em 5 de janeiro de 1967, tomei posse na Divis\u00e3o de Censura e Divers\u00e3o P\u00fablica (DCDP). Trabalhei cinco anos na Censura, fazendo proje\u00e7\u00e3o de filmes. Em julho 1973, a Academia Nacional de Pol\u00edcia, ainda localizada no Setor Policial Sul, precisava de um servidor para trabalhar nessa \u00e1rea com os alunos, e eu fui escolhido. Exibi muitos filmes para alunos de v\u00e1rias turmas dos cursos de forma\u00e7\u00e3o. Os filmes eram exibidos, principalmente, no per\u00edodo da noite, em dias estipulados. Tratavam-se de filmes t\u00e9cnicos, liberados pela Censura, que eram projetados para efeito de treinamento.<\/p>\n<p>Quando cheguei \u00e0 Academia, seu diretor era o Dr. Caio Marcion\u00edlio da Fonseca Brasil. Nessa \u00e9poca, trabalhei com servi\u00e7os sigilosos, voltados, sobretudo, para elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de provas de concursos p\u00fablicos. Na gr\u00e1fica, trabalh\u00e1vamos dia e noite para cumprir os prazos estipulados. Eu pertencia ao grupo de trabalho do Servi\u00e7o de Meios Auxiliares, chefiado, na \u00e9poca, pelo Dr. Mesquita, que hoje \u00e9 perito. O Dr. Jo\u00e3o Batista Campelo, que mais tarde assumiu a dire\u00e7\u00e3o da Academia, tamb\u00e9m fazia parte desse grupo.<\/p>\n<p>A Academia, quando localizada na Asa Sul, acolhia aproximadamente 500 alunos. No concurso de 1975, foram recrutados 600 alunos. Acredito que esse tenha sido o maior n\u00famero de alunos alojados nas instala\u00e7\u00f5es anteriores. Ali, a equipe de servidores era muito boa e muito unida. O \u00fanico trabalho terceirizado era a limpeza.<\/p>\n<p>Em agosto de 1978, a academia mudou-se para o atual endere\u00e7o, pr\u00f3xima a Sobradinho. Isso aconteceu na gest\u00e3o do Dr. Jo\u00e3o Batista Campelo, quando o Cel. Moacir Coelho estava na Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Departamento de Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Depois de iniciadas as atividades na nova academia, foi formada uma equipe, composta por Cida, Carlo, Batista e outras pessoas que trabalhavam com fotografias. Al\u00e9m disso, foi instalado um laborat\u00f3rio de fotografia, utilizado, principalmente, por agentes que trabalhavam nessa \u00e1rea. Em 1982, passei a dedicar-me exclusivamente \u00e0 fotografia. Na \u00e9poca, trabalh\u00e1vamos apenas com fotos em preto e branco e \u00e9ramos respons\u00e1veis por todo o processo fotogr\u00e1fico; inclusive a revela\u00e7\u00e3o. Tudo era feito por n\u00f3s na pr\u00f3pria academia. Posteriormente, quando eu j\u00e1 estava apto nessa atividade, passei a ministrar aulas no Curso de Fotografia. Em meu arquivo, tenho guardados os negativos desse trabalho.<\/p>\n<p>Tanto na antiga quanto na nova academia, atuei em v\u00e1rias \u00e1reas, sendo requisitado, inclusive, para participar de aulas de Vigil\u00e2ncia e da prepara\u00e7\u00e3o do treinamento de Divis\u00e3o de Repress\u00e3o a Entorpecentes (DRE). Eram preparadas situa\u00e7\u00f5es quase reais, que permitiam o treinamento de todos os procedimentos necess\u00e1rios ao processo de atua\u00e7\u00e3o naquela \u00e1rea.<\/p>\n<p>Posso afirmar, sem o menor constrangimento, que sempre vesti a camisa da Academia Nacional de Pol\u00edcia e, conseq\u00fcentemente, do Departamento de Pol\u00edcia Federal. Todos os diretores foram \u00f3timos profissionais, no entanto, quero aproveitar a oportunidade para citar aqueles diretores que, de certa forma, marcaram a nossa conviv\u00eancia, como o Dr. Orion, o Dr. Stimamilio e o Dr. Campelo.<\/p>\n<p>A Academia Nacional de Pol\u00edcia evoluiu muito, mas observo que ela precisa valorizar mais a constru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, o que exige a amplia\u00e7\u00e3o do tempo destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional. Acredito que o per\u00edodo ideal para a realiza\u00e7\u00e3o dos cursos de forma\u00e7\u00e3o seja de, aproximadamente, seis meses. Isso proporcionar\u00e1 maior entrosamento entre as pessoas, contribuindo para que saiam daqui policiais mais integrados nas fun\u00e7\u00f5es que ter\u00e3o de desempenhar.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/imagens\/noticias\/6b8718b3e8.jpg\" \/><\/p>\n<p>O SINPECPF s\u00f3 lamenta que o colega Cavalcanti tenha de se aposentar compulsoriamente sem estar com sua carreira devidamente estruturada. Que a Pol\u00edcia Federal se atente para este drama, exigindo a r\u00e1pida reestrutura\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitindo que outros profissionais t\u00e3o ass\u00edduos e prof\u00edcuos sejam penalizados pela morosidade governamental.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ap\u00f3s conhecer esta bela hist\u00f3ria de vida, cabe a cada colega fazer uma reflex\u00e3o. Toda rela\u00e7\u00e3o de amor \u00e9 feita de altos e baixos. Em sua longa trajet\u00f3ria pela Pol\u00edcia Federal, Cavalcanti passou por todos os problemas que hoje afligem nossa categoria. Apesar disso, ele jamais abaixou a cabe\u00e7a ou deixou-se inferiorizar perante as demais categorias existentes no \u00f3rg\u00e3o, estando mobilizado sempre. Que a conduta dele sirva de exemplo para colegas que sempre dizem estar desmotivados, mas que n\u00e3o possuem disposi\u00e7\u00e3o para lutar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Responda r\u00e1pido: quantas pessoas voc\u00ea conhece decidiram dedicar, de corpo e alma, 43 anos de suas vidas a uma institui\u00e7\u00e3o? Certamente n\u00e3o ser\u00e3o muitos os nomes lembrados, e \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea mesmo considere esse per\u00edodo de dedica\u00e7\u00e3o muito longo. 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