{"id":12018,"date":"2015-01-28T09:10:34","date_gmt":"2015-01-28T11:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/a-seguranca-nas-fronteiras-e-o-fim-da-inversao-de-papeis-na-policia-federal\/"},"modified":"2018-02-28T16:57:31","modified_gmt":"2018-02-28T19:57:31","slug":"a-seguranca-nas-fronteiras-e-o-fim-da-inversao-de-papeis-na-policia-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/a-seguranca-nas-fronteiras-e-o-fim-da-inversao-de-papeis-na-policia-federal\/","title":{"rendered":"A seguran\u00e7a nas fronteiras e o fim da invers\u00e3o de pap\u00e9is na Pol\u00edcia Federal"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista ao telejornal Bom dia Brasil, da Rede Globo, desta ter\u00e7a-feira (27), o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do estado do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, culpou a fiscaliza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria das fronteiras brasileiras pela entrada de armamentos pesados na capital carioca. O depoimento foi dado ap\u00f3s 13 pessoas terem sido atingidas por balas perdidas no Rio nos \u00faltimos 11 dias.<\/p>\n<p>\u201cO nosso inimigo aqui no Rio de Janeiro \u00e9 a arma de fogo\u201d, afirmou Beltrame. \u201c\u00c9 a arma que entra pela fronteira, \u00e9 a arma que vem de fora do pa\u00eds, \u00e9 a muni\u00e7\u00e3o que vem de fora do pa\u00eds. H\u00e1 necessidade de n\u00f3s termos uma pol\u00edtica s\u00e9ria, objetiva e mensur\u00e1vel das a\u00e7\u00f5es na fronteira desse pa\u00eds\u201d, completou o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Beltrame, vale lembrar, \u00e9 delegado de Pol\u00edcia Federal, \u00f3rg\u00e3o ao qual compete (juntamente com as For\u00e7as Armadas) a seguran\u00e7a das fronteiras brasileiras. Desta forma, n\u00e3o \u00e9 incorreto dizer que as declara\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio trazem em si uma cr\u00edtica impl\u00edcita ao trabalho desenvolvido pela PF.<\/p>\n<p>Os pontos destacados por Beltrame n\u00e3o s\u00e3o nenhuma novidade para o Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Pol\u00edcia Federal (SINPECPF). H\u00e1 tempos nossa entidade vem cobrando mais fiscaliza\u00e7\u00e3o na zona fronteiri\u00e7a e alertando sobre o perigo de relacionar as dificuldades unicamente ao baixo quantitativo de policiais federais.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso. A escassez de policiais na fronteira est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 gest\u00e3o ineficiente dos recursos humanos da PF, em especial no que diz respeito a sua atividade meio. Algo que vai muito al\u00e9m da quest\u00e3o fronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>Para que o trabalho dos policiais seja bem sucedido, \u00e9 necess\u00e1rio todo um suporte log\u00edstico, realizado pelos servidores administrativos do Plano Especial de Cargos da Pol\u00edcia Federal (PECPF) \u2014 a atividade meio. Ocorre que esses profissionais h\u00e1 anos s\u00e3o menosprezados na institui\u00e7\u00e3o, sendo mal remunerados em vista das complexas atividades que desempenham.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tem motivado a sa\u00edda de in\u00fameros profissionais dos quadros do PECPF, que deixam a PF em busca de melhores empregos. O \u00faltimo concurso promovido para o setor foi realizado no ano passado, preenchendo 566 vagas. Contudo, ainda no final de 2014 a PF solicitou ao Minist\u00e9rio do Planejamento a cria\u00e7\u00e3o de novas 2225 vagas e tamb\u00e9m a nomea\u00e7\u00e3o dos aprovados no cadastro reserva \u00faltimo concurso, prova cabal de que o quantitativo atual de servidores administrativos (2916) \u00e9 insuficiente para atender \u00e0 demanda do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem contar com n\u00famero suficiente de servidores administrativos para tocar as atividades de suporte, a PF acaba obrigada a deslocar policiais federais para tais postos, apesar do descompasso existente entre a remunera\u00e7\u00e3o das duas atividades, com policiais recebendo at\u00e9 cinco vezes mais. Muitos dos policiais desviados de fun\u00e7\u00e3o s\u00e3o egressos de regi\u00f5es fronteiri\u00e7as, o que colabora para a precariedade da fiscaliza\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas. Em geral, policiais que atuam na fronteira veem o deslocamento como verdadeiro b\u00f4nus, afinal, nada melhor que trocar as priva\u00e7\u00f5es e dificuldades do trabalho policial nas fronteiras pela burocracia das grandes cidades.<\/p>\n<p>Em artigo publicado neste Correio Braziliense em 02\/01\/2013, o ent\u00e3o diretor da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) Josias Fernandes estimou que 50% do efetivo policial atuava, \u00e0 \u00e9poca, em fun\u00e7\u00f5es administrativas. Na pr\u00e1tica, isso significa o superfaturamento da atividade meio da PF, com o agravante da diminui\u00e7\u00e3o de efetivo na atividade policial. A administra\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o estar agindo de m\u00e1-f\u00e9, mas acaba incorrendo em improbidade, e o cidad\u00e3o precisa estar consciente de que \u00e9 ele quem paga por tal desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Se quisermos por fim \u00e0s mortes por balas perdidas no Rio de Janeiro e combater a viol\u00eancia que cresce em todo o pa\u00eds, n\u00e3o bastar\u00e1 contratar mais e policiais federais. Antes de cuidar das fronteiras do pa\u00eds, \u00e9 preciso cuidar das fronteiras funcionais na PF, estabelecendo claramente o papel de cada cargo dentro da institui\u00e7\u00e3o, de modo a combater os desvios de fun\u00e7\u00e3o que desguarnecem a seguran\u00e7a nacional. H\u00e1 anos projetos neste sentido s\u00e3o objeto de an\u00e1lise no Poder Executivo. Chegou a hora de levar essa discuss\u00e3o ao Legislativo, para o bem da sociedade brasileira.<\/p>\n<p><em>Leilane Ribeiro de Oliveira \u00e9 agente administrativa da Pol\u00edcia Federal e presidente do SINPECPF<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.dzai.com.br\/blogservidor\/blog\/blogservidor?tv_pos_id=168761\"><em>O<\/em><\/a><em><a href=\"http:\/\/www.dzai.com.br\/blogservidor\/blog\/blogservidor?tv_pos_id=168761\">riginalmente publicado no Blog do Servidor do Correio Braziliense<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-12018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12018"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12018\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13703,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12018\/revisions\/13703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}