{"id":11290,"date":"2011-10-17T15:25:49","date_gmt":"2011-10-17T17:25:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/relacao-entre-planalto-e-centrais-sindicais-e-a-pior-da-era-petista\/"},"modified":"2011-10-17T15:25:49","modified_gmt":"2011-10-17T17:25:49","slug":"relacao-entre-planalto-e-centrais-sindicais-e-a-pior-da-era-petista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/relacao-entre-planalto-e-centrais-sindicais-e-a-pior-da-era-petista\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o entre Planalto e centrais sindicais \u00e9 a pior da era petista"},"content":{"rendered":"<p> \t<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/imagens\/noticias\/bf03202f0b.jpg\" style=\"border-width: 0px; border-style: solid; width: 250px; height: 166px; margin-right: 5px; margin-left: 5px; float: left;\" \/>Bras&iacute;lia &#8211; A rela&ccedil;&atilde;o entre o Pal&aacute;cio do Planalto e o movimento sindical nunca esteve t&atilde;o mal, desde que o PT assumiu o governo federal, em janeiro de 2003. Diante da necessidade de cortar gastos e minimizar os efeitos da crise externa no pa&iacute;s, a presidente Dilma Rousseff determinou rigor nas negocia&ccedil;&otilde;es salariais, o que deixou contrariados setores importantes da base pol&iacute;tica de apoio governamental. O PT, estu&aacute;rio dos interesses dos dois lados, fez apenas um pedido &agrave; presidente da Rep&uacute;blica &#8211; n&atilde;o derrotar o movimento sindical.<\/p>\n<p> \tCriado no solo do sindicalismo do ABC, o PT v&ecirc;-se na conting&ecirc;ncia de defender o governo e tentar impedir que os sindicalistas sejam atropelados nas negocia&ccedil;&otilde;es, como aponta a decis&atilde;o do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determinou o fim da greve nos Correios e o desconto dos dias parados.<\/p>\n<p> \tNa sexta-feira, os servidores do Banco do Brasil (BB) e da Caixa, bancos oficiais que participam da greve da categoria, j&aacute; se sentaram &agrave; mesa de negocia&ccedil;&atilde;o com a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Bancos (Fenaban) sabendo o pre&ccedil;o a pagar caso decidissem fazer bra&ccedil;o de ferro com o governo.<\/p>\n<p> \t&quot;A gente defende sempre que o governo tenha uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica rigorosa, como est&aacute; tendo, no combate &agrave; infla&ccedil;&atilde;o, mas que n&atilde;o derrote o movimento sindical&quot;, disse ao Valor o presidente do PT, Rui Falc&atilde;o. &quot;A nossa orienta&ccedil;&atilde;o &eacute; receber sempre e dialogar, o que n&atilde;o te obriga necessariamente a aceitar&quot;.<\/p>\n<p> \tA preocupa&ccedil;&atilde;o do governo com as negocia&ccedil;&otilde;es em curso &eacute; com janeiro de 2012, quando ter&aacute; de aplicar ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo um aumento igual ou superior a 14%, se a infla&ccedil;&atilde;o fechar o ano no atual patamar.<\/p>\n<p> \tPara o governo e o PT trata-se de um percentual &quot;inegoci&aacute;vel&quot; politicamente. Na realidade, trata-se apenas de cumprir a lei do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, cujas bases foram lan&ccedil;adas no governo Lula, mas somente transformadas em texto legal agora, com Dilma presidente.<\/p>\n<p> \tDe acordo com as regras estabelecidas na lei, o reajuste de janeiro de 2012 ser&aacute; o equivalente ao IPCA de 2011 mais a varia&ccedil;&atilde;o do PIB de 2010, que foi de 7,5%. Hoje isso d&aacute; um reajuste de 14,38% &#8211; pode ser mais ou menos, dependendo do comportamento da infla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tQuando a lei foi aprovada, previa-se algo em torno de 12%, o que j&aacute; causava calafrios nos mais ortodoxos. O que importa, agora, &eacute; que n&atilde;o h&aacute; como escapar ao aumento, e o temor do governo &eacute; que ele se espalhe pela economia numa rea&ccedil;&atilde;o em cadeia capaz de provocar ainda mais infla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tIsso explica em parte o jogo duro do governo com as greves no servi&ccedil;o p&uacute;blico e as reclama&ccedil;&otilde;es dos sindicalistas. H&aacute; quem registre tamb&eacute;m uma certa &quot;nostalgia&quot; no movimento sindical em rela&ccedil;&atilde;o ao governo Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, quando n&atilde;o foram raras as vezes em que o presidente em pessoa se envolveu em negocia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \tLula tinha &#8211; e ainda tem &#8211; rela&ccedil;&atilde;o direta com os sindicalistas, cultivada ao longo de uma vida. Dilma &quot;terceirizou&quot; as negocia&ccedil;&otilde;es para os minist&eacute;rios e estatais respons&aacute;veis por cada categoria.<\/p>\n<p> \tFoi assim nos Correios, era assim no fim de semana passado em rela&ccedil;&atilde;o ao Banco do Brasil e &agrave; Caixa, em greve desde o dia 27 (os trabalhadores nos bancos privados tamb&eacute;m cruzaram os bra&ccedil;os). Desde ent&atilde;o banc&aacute;rios e banqueiros somente voltaram a se sentar em torno da mesa de negocia&ccedil;&atilde;o na quinta-feira, depois de uma tensa rodada de conversas do presidente da CUT, Artur Henrique, com ministros e assessores diretos da presidente.<\/p>\n<p> \tArtur Henrique conversou, entre outros, com o ministro Guido Mantega, da Fazenda, e com Gilberto Carvalho, secret&aacute;rio-geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Ele ainda trocou ideias com o chefe de gabinete da presidente, Gilles Azevedo. Aborrecido com a falta de iniciativa dos banqueiros em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta dos grevistas, Artur queria que o governo ajudasse a romper o impasse por meio dos bancos estatais, pois se BB e Caixa voltassem &agrave; mesa de negocia&ccedil;&atilde;o, pelo peso de ambos na Fenaban, influenciariam tamb&eacute;m os bancos privados a negociar.<\/p>\n<p> \tPor mais de uma vez, nessa rodada de conversas, Artur Henrique repetiu que ministros e dirigentes de estatais chegaram aos cargos que hoje ocupam gra&ccedil;as &agrave;s greves que fizeram no passado. Citou um exemplo, especificamente: Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento atualmente nas Comunica&ccedil;&otilde;es, que &eacute; funcion&aacute;rio de carreira do BB.<\/p>\n<p> \tSegundo o presidente da CUT, a central tamb&eacute;m fez greves no governo Lula. E no governo passado tamb&eacute;m foram descontados dias parados, como ocorreu em 2009 e 2010 com servidores do Minist&eacute;rio do Trabalho, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o (FNDE) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).<\/p>\n<p> \tA diferen&ccedil;a, segundo o sindicalista, &eacute; que &agrave; &eacute;poca a CUT decidiu negociar e conseguiu reverter a medida, trocando o desconto dos dias parados pela reposi&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o &#8211; assim como os Correios, agora, j&aacute; come&ccedil;aram a fazer desde que o TST determinou a volta ao servi&ccedil;o.<\/p>\n<p> \tPara Artur Henrique, o mal-estar na rela&ccedil;&atilde;o entre governo e sindicalistas n&atilde;o passaria de uma tentativa &#8211; da imprensa e das oposi&ccedil;&otilde;es &#8211; de &quot;descolar&quot; o governo Dilma do de Lula e com isso passar a impress&atilde;o de que o movimento sindical &eacute; tratado diferentemente.<\/p>\n<p> \tNem todo o PT concorda com a vis&atilde;o do presidente da CUT. Setores influentes do partido avaliam que a central teve &quot;sorte&quot; com o fato de a primeira greve a ser arbitrada pelo TST ser a dos Correios, uma categoria dividida em mais de 30 sindicatos, nos quais o cons&oacute;rcio PT-CUT n&atilde;o &eacute; hegem&ocirc;nico &#8211; o controle do movimento sindical &eacute; disputado tamb&eacute;m, entre outros, por PSTU, PSOL, PCO e PCdoB.<\/p>\n<p> \tA greve dos Correios teve efeito pedag&oacute;gico para os banc&aacute;rios e para outras categorias que amea&ccedil;am fazer greve como a dos aerovi&aacute;rios, j&aacute; marcada para o dia 20, e a dos petroleiros, que, por enquanto, preferiram a mesa de negocia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tA paralisa&ccedil;&atilde;o dos carteiros tamb&eacute;m livrou a presidente Dilma do desgaste de medir for&ccedil;as com uma central aliada: se o diss&iacute;dio do Banco do Brasil tivesse entrado antes no TST, certamente a postura do governo teria sido a mesma que a adotada em rela&ccedil;&atilde;o aos servidores dos Correios, apesar de a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Banc&aacute;rios ser vinculada &agrave; CUT e, consequentemente, ao PT.<\/p>\n<p> \tNa pr&aacute;tica, os temores de Artur Henrique s&atilde;o infundados: n&atilde;o h&aacute; como dizer que Dilma trata pior os trabalhadores que o ex-presidente Lula. Em oito meses de governo, Dilma Rousseff fez pelos trabalhadores talvez at&eacute; mais que o antecessor. Foi em seu governo que o acordo para o aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo se transformou efetivamente em lei. O mesmo ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; corre&ccedil;&atilde;o da tabela do Imposto de Renda da Pessoa F&iacute;sica (IRPF), nos mesmos par&acirc;metros do sal&aacute;rio m&iacute;nimo.<\/p>\n<p> \tA presidente que endureceu o jogo &eacute; a mesma que sancionou recentemente duas leis de grande alcance sindical: uma exige certid&atilde;o negativa de d&eacute;bito trabalhista de toda empresa que prestar servi&ccedil;os ao governo; a outra amplia o aviso pr&eacute;vio do trabalhador demitido, que pode chegar a at&eacute; 90 dias, dependendo dos anos trabalhados.<\/p>\n<p> \tLula sem d&uacute;vida tinha uma rela&ccedil;&atilde;o mais paternalista com os trabalhadores e at&eacute; costumava hospedar sindicalistas na Granja do Torto. A rela&ccedil;&atilde;o de Dilma &eacute; mais distante, mas nem por isso menos efetiva em termos trabalhistas, at&eacute; agora.<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 10px;\"><strong><em>Fonte: Raymundo Costa&nbsp; &#8211; Valor Econ&ocirc;mico &#8211; 17\/10\/2011<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-11290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11290\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}