{"id":11212,"date":"2011-06-22T00:00:00","date_gmt":"2011-06-22T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/conjur-doutor-e-quem-fez-doutorado\/"},"modified":"2011-06-22T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-22T03:00:00","slug":"conjur-doutor-e-quem-fez-doutorado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/conjur-doutor-e-quem-fez-doutorado\/","title":{"rendered":"CONJUR: Doutor \u00e9 quem fez doutorado"},"content":{"rendered":"<p> \t<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sinpecpf.org.br\/imagens\/noticias\/1aa6253fb9.jpg\" style=\"border-bottom: 0px solid; border-left: 0px solid; width: 250px; float: left; height: 166px; margin-left: 5px; border-top: 0px solid; margin-right: 5px; border-right: 0px solid\" \/>No momento em que n&oacute;s do Minist&eacute;rio P&uacute;blico da Uni&atilde;o nos preparamos para atuar contra diversas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior por conta do n&uacute;mero m&iacute;nimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito &eacute; Doutor.<\/p>\n<p> \tA hist&oacute;ria, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta &agrave; moda. Agora n&atilde;o como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequ&ecirc;ncia do decreto de D. Pedro I.<\/p>\n<p> \tFui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Minist&eacute;rio P&uacute;blico. H&aacute; quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo &quot;docentes&quot; e &quot;profissionais&quot; venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos.<\/p>\n<p> \tQuando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a aten&ccedil;&atilde;o de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperan&ccedil;a n&atilde;o se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.<\/p>\n<p> \tPois bem!<\/p>\n<p> \tNaquela &eacute;poca, a hist&oacute;ria que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia &quot;baixado um alvar&aacute;&quot; pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Ent&atilde;o, por uma &quot;l&oacute;gica&quot; das mais obtusas, todos os bachar&eacute;is do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. N&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria muita intelig&ecirc;ncia para perceber os erros desse racioc&iacute;nio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: &quot;o senhor &eacute; Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?&quot;).<\/p>\n<p> \t1) Desde j&aacute; saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!<\/p>\n<p> \t2) Em seguida, tenhamos claro que o t&atilde;o falado alvar&aacute; jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com m&iacute;dias digitais contendo a cole&ccedil;&atilde;o completa dos atos normativos desde a Col&ocirc;nia (mais de quinhentos anos de hist&oacute;ria normativa). N&atilde;o se encontra nada sobre advogados, bachar&eacute;is, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.<\/p>\n<p> \t3) Mas digamos que o tal alvar&aacute; existisse e que dona Maria n&atilde;o fosse t&atilde;o louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem aten&ccedil;&atilde;o no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e n&atilde;o quaisquer bachar&eacute;is. Portugueses e n&atilde;o quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e s&oacute;! Se voc&ecirc;, portanto, fosse um advogado portugu&ecirc;s em Portugal n&atilde;o seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado n&atilde;o inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Minist&eacute;rio P&uacute;blico voc&ecirc; n&atilde;o poderia ser tratado assim. E n&atilde;o seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico tinham e t&ecirc;m o tratamento de Excel&ecirc;ncia (o que muita gente n&atilde;o consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados p&uacute;blicos e privados t&ecirc;m o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, &eacute; bacharel; e ponto final!<\/p>\n<p> \t4) Continuemos. Leiam a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1824 e ver&atilde;o que n&atilde;o h&aacute; &quot;alvar&aacute;&quot; como ato normativo. E ainda que houvesse, n&atilde;o teria sentido que algu&eacute;m, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jur&iacute;dico v&aacute;lido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou n&atilde;o, com o advento da Rep&uacute;blica cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princ&iacute;pio republicano da veda&ccedil;&atilde;o do privil&eacute;gio de casta. Na Rep&uacute;blica vale o m&eacute;rito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobili&aacute;rquica sem qualquer valor a n&atilde;o ser o valor pessoal (como o bras&atilde;o de nobreza de minha fam&iacute;lia italiana que guardo por mero capricho porque nada vale al&eacute;m de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).<\/p>\n<p> \tA coisa foi t&atilde;o longe &agrave; &eacute;poca que fiz quest&atilde;o de provocar meus advers&aacute;rios insistentemente at&eacute; que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.<\/p>\n<p> \tAgora retorna a historieta com ares de renova&ccedil;&atilde;o, mas com as velhas mentiras de sempre.<\/p>\n<p> \tAgora o ato &eacute; um &quot;decreto&quot;. E o &quot;culpado&quot; &eacute; Dom Pedro I (IV em Portugal).<\/p>\n<p> \tMas o enredo &eacute; id&ecirc;ntico. E as palavras se aplicam a ele com perfei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tVamos enterrar tudo isso com um s&oacute; golpe?!<\/p>\n<p> \tA <a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/104062\/lei-27\" id=\"citacaoLegis\" title=\"Lei\/27\">Lei<\/a>de 11 de agosto de 1827, respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o dos cursos jur&iacute;dicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: &quot;Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprova&ccedil;&atilde;o, conseguir&atilde;o o grau de Bachareis formados. Haver&aacute; tambem o grau de Doutor, que ser&aacute; conferido &agrave;queles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e s&oacute; os que o obtiverem poder&atilde;o ser escolhidos para Lentes&quot;.<\/p>\n<p> \tTraduzindo o &oacute;bvio. A) Conclus&atilde;o do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pr&eacute;-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos s&atilde;o das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (S&atilde;o Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil s&oacute; veio a existir com seus Estatutos (que n&atilde;o s&atilde;o acad&ecirc;micos) nos anos trinta.<\/p>\n<p> \tSenhores.<\/p>\n<p> \tDoutor &eacute; apenas quem faz Doutorado. E isso vale tamb&eacute;m para m&eacute;dicos, dentistas, etc, etc.<\/p>\n<p> \tA tradi&ccedil;&atilde;o faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso n&atilde;o torna Doutor nenhum m&eacute;dico, dentista, veterin&aacute;rio e, mui especialmente, advogados.<\/p>\n<p> \tFalo com sossego.<\/p>\n<p> \tAfinal, ap&oacute;s o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integra&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p> \tAli&aacute;s, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome n&atilde;o se aplica aos trabalhos de gradua&ccedil;&atilde;o, de especializa&ccedil;&atilde;o e de mestrado. E nenhuma pe&ccedil;a judicial pode ser chamada de tese, com dec&ecirc;ncia e honestidade.<\/p>\n<p> \tEscrevi mais de trezentos artigos, pareceres (n&atilde;o simples cotas), ensaios e livros. Uma verifica&ccedil;&atilde;o no s&iacute;tio eletr&ocirc;nico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na It&aacute;lia, na Fran&ccedil;a, Su&eacute;cia, M&eacute;xico. N&atilde;o chamo nenhum destes trabalhos de tese, a n&atilde;o ser minha sofrida tese de Doutorado.<\/p>\n<p> \tAp&oacute;s anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos s&atilde;o), tendo ocupado comiss&otilde;es como a de Reforma do Poder Judici&aacute;rio e de Direito Comunit&aacute;rio e ap&oacute;s presidir a Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Juristas, resolvi ingressar no Minist&eacute;rio P&uacute;blico da Uni&atilde;o para atuar especialmente junto &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores p&uacute;blicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a regi&atilde;o Sul\/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de S&atilde;o Paulo. Ap&oacute;s r&aacute;pida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Bras&iacute;lia e fiz quest&atilde;o de vir para Mogi das Cruzes.<\/p>\n<p> \tEm nossa Procuradoria, Doutor &eacute; s&oacute; quem tem t&iacute;tulo acad&ecirc;mico. L&aacute; est&aacute; estampado na parede para todos verem.<\/p>\n<p> \tE n&atilde;o teve ningu&eacute;m que reclamasse; porque, ali&aacute;s, como disse linhas acima, foi a pr&oacute;pria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decis&otilde;es seguintes do Tribunal de &Eacute;tica e Disciplina: Processos: E-3.652\/2008; E-3.221\/2005; E-2.573\/02; E-2067\/99; E-1.815\/98.<\/p>\n<p> \tEm resumo, dizem as decis&otilde;es acima: n&atilde;o pode e n&atilde;o deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que n&atilde;o possua titula&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica para tanto.<\/p>\n<p> \tComo eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endere&ccedil;o oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial:<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/revista\/Rev_63\/Lei_1827.htm\" target=\"none\"><\/p>\n<p> \twww.planalto.gov.br\/ccivil_03\/revista\/Rev_63\/Lei_1827.htm <\/a><\/p>\n<p> \tOs profissionais, sejam quais forem, t&ecirc;m de ser respeitados pelo que fazem de bom e n&atilde;o arrogar para si tratamento ao qual n&atilde;o fa&ccedil;am jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito &eacute; mais s&eacute;ria a recomenda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tAfinal, cumprir a lei e concretizar o Direito &eacute; nossa fun&ccedil;&atilde;o. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, a&iacute; assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas s&oacute; ent&atilde;o.<\/p>\n<p> \t<strong><em>PROF. DR. MAR&Ccedil;O ANT&Ocirc;NIO RIBEIRO TURA <\/em><\/strong>, 41 anos, jurista. Membro vital&iacute;cio do Minist&eacute;rio P&uacute;blico da Uni&atilde;o. Doutor em Direito Internacional e Integra&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito P&uacute;blico e Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de S&atilde;o Paulo. Ex-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comiss&atilde;o de Reforma do Poder Judici&aacute;rio da Ordem dos Advogados do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NULL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-11212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinpecpf.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}